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Estado de Minas CABUL

EUA anunciam morte de líder da Al-Qaeda em ataque aéreo nos Afeganistão

"A justiça foi feita e esse líder terrorista não existe mais", disse o presidente norte-americando Joe Biden


02/08/2022 06:59 - atualizado 02/08/2022 09:24

Cartaz do FBI aponta líder do Al-Qaeda como terrorista mais procurado
(foto: FBI / AFP)

O líder da Al-Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, morreu no sábado à noite em um ataque com drone americano em Cabul, capital do Afeganistão, anunciou na segunda-feira o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

"No último sábado, sob minhas ordens, os Estados Unidos realizaram um ataque aéreo em Cabul, que matou o emir da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri", informou o presidente em um curto pronunciamento na Casa Branca.

"A justiça foi feita e esse líder terrorista não existe mais."

Ayman al-Zawahiri era um dos terroristas mais procurados no mundo pelos Estados Unidos, que ofereciam US$ 25 milhões em recompensa por qualquer informação que levasse a sua prisão ou condenação.

Considerado o cérebro por trás dos atentados de 11 de setembro de 2001, que deixaram quase 3.000 mortos em Nova York, Al-Zawahiri, que estava em paradeiro desconhecido há mais de 10 anos, assumiu a liderança da organização terrorista depois da morte de Osama bin Laden, em 2011, em uma operação americana no Paquistão.

Sua morte permitirá que as famílias das vítimas dos ataques contra as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York e a sede do Pentágono perto de Washington "virem a página", declarou o presidente Biden.

Dois mísseis Hellfire 

ataque com drone foi executado com dois mísseis Hellfire e sem a presença militar americana no terreno, disse uma autoridade americana, o que demonstra a capacidade dos Estados Unidos de "identificar e localizar até os terroristas mais procurados do mundo e tomar medidas para eliminá-los".

Ayman al-Zawahiri foi localizado "várias vezes e por longos períodos na varanda onde foi finalmente atingido" pelo ataque na capital afegã, acrescentou.

A operação "não causou vítimas civis", disse Joe Biden, que testou positivo para covid-19 e estava em isolamento quando ordenou o ataque em 25 de julho.

A casa de três andares atingida no ataque fica em Sherpur, um bairro rico da capital afegã, onde moram vários líderes e comandantes talibãs.

Vários moradores entrevistados pela AFP acreditavam que a casa estava vazia.

"Não vemos ninguém morando lá há um ano", disse um funcionário de uma empresa da área. A casa "estava sempre escura, sem uma única lâmpada acesa".

O ministro do Interior afegão negou no fim de semana relatos sobre um ataque com aviões não tripulados em Cabul e afirmou à AFP que um foguete atingiu "uma casa vazia" na capital.

No entanto, o porta-voz talibã Zabibullah Mujahid tuitou nesta terça-feira que um "ataque aéreo" foi executado por "drones americanos".

A presença de Ayman al-Zawahiri em Cabul era uma "clara violação" dos acordos alcançados com o Talibã em Doha em 2020, segundo os quais os islâmicos se comprometeram a não receber a Al-Qaeda em seu território, afirmou uma fonte do governo americano.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse na segunda-feira que ao "abrigar e proteger" Zawahiri, o Talibã "violou de maneira grosseira o acordo de Doha", que previu a retirada das tropas americanas do Afeganistão.

No âmbito deste acordo, o Talibã prometeu não voltar a ser uma plataforma de lançamento da jihad internacional, mas, segundo analistas, o grupo nunca rompeu seus laços com a Al-Qaeda.

Críticas 

Zabibullah acusou Washington de violar os acordos com um ataque em seu território.

Mas, de acordo com uma fonte do governo Biden, "autoridades talibãs da rede Haqqani estavam a par da presença" do líder da Al-Qaeda em Cabul.

O ministro do Interior afegão, Sirajuddin Haqqani, lidera a temível rede Haqqani, um brutal conglomerado de talibãs responsável pelo radicalismo e violência nos últimos 20 anos. Autoridades americanas consideram esta rede como o braço direito dos serviços de inteligência paquistaneses.

Zawahiri, fugitivo desde os ataques de 11 de setembro de 2001, cresceu em uma família rica no Cairo, antes da guinada para um islamismo radical e violento.

Ele deixou o Egito em meados da década de 1980 para morar em Peshawar, noroeste do Paquistão, onde ficava a base da resistência à ocupação soviética do Afeganistão.

Foi nesta época, quando milhares de combatentes islamitas se viajavam para o Afeganistão, que Zawahiri e Bin Laden se conheceram. Em 1998, ele foi um dos cinco signatários da "fatwa" de Bin Laden que pedia ataques aos americanos.

Quando Ayman al-Zawahiri herdou em 2011 uma organização decadente, precisou, para sobreviver, multiplicar as "franquias" e seus juramentos de lealdade circunstanciais, da Península Arábica ao Magrebe, da Somália ao Afeganistão, Síria e Iraque.

"Apesar da liderança de al-Zawahiri, o grupo ainda enfrenta sérios desafios. Por um lado, há a questão de quem vai liderar a Al-Qaeda quando al-Zawahiri se for", disse Colin Clarke, pesquisador do Soufan Group.

Em agosto de 2020, o número dois da Al-Qaeda, Abdullah Ahmed Abdullah, foi morto nas ruas de Teerã por agentes israelenses durante uma missão secreta liderada por Washington, segundo The New York Times.

anúncio de Biden sobre a morte de Zawahiri acontece quase um ano após a caótica retirada das forças americanas do Afeganistão que permitiu aos talibãs recuperar o controle do país após 20 anos.


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