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Estado de Minas

Coronavírus: Saiba como a pequena ilha de Malta está enfrentando a doença

País tem apenas um quinto da população de BH e está a 130 km da Itália. Turismo move a economia nacional


postado em 30/03/2020 15:30 / atualizado em 30/03/2020 17:57

Ilha é bastante procurada por italianos e brasileiros que desejam estudar inglês(foto: Rafael Salazar/ Divulgação)
Ilha é bastante procurada por italianos e brasileiros que desejam estudar inglês (foto: Rafael Salazar/ Divulgação)

Uma população cinco vezes menor do que a de Belo Horizonte, confinada em uma área de 316 quilômetros quadrados. Com ao menos 156 casos de COVID-19 confirmados, a Ilha de Malta, país a 130 quilômetros da Itália, também enfrenta problemas com o avanço da pandemia pelo mundo. Além de ameaçar a saúde dos 493,5 mil habitantes, o novo coronavírus reduz consideravelmente o principal setor da economia maltesa: o turismo. De acordo com o Conselho Mundial de Viagem e Turismo, o setor equivale a um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Acostumados em receber milhares de turistas italianos todo o ano, a ilha perdeu um dos principais fomentadores da economia devido à pandemia. No último dia 8, a Air Malta, principal companhia aérea do país, suspendeu os voos diários para Milão, capital financeira da Itália. Além disso, pessoas que chegaram do país vizinho a partir de 27 de fevereiro são obrigados a se isolar por 14 dias para entrar em Malta.

A medida também vale para pessoas que estiveram na China, Hong Kong, Cingapura, Japão, Irã e Coréia do Sul - países que procuram bastante a ilha, principalmente para programas de intercâmbio. Apesar das restrições, Malta teve o primeiro caso confirmado no último dia 7.

Boates e bares da ilha, que costumavam ficar lotados, estão fechados(foto: Reprodução/Redes Sociais e Rafael Salazar)
Boates e bares da ilha, que costumavam ficar lotados, estão fechados (foto: Reprodução/Redes Sociais e Rafael Salazar)


Além disso, no último dia 11, o governo determinou a suspensão de todos os voos vindo  da França, Espanha, Suíça e Alemanha - a única conexão permitida entre Malta e esses países é o transporte de mercadorias e comidas. Aquelas pessoas que chegaram desses países antes da medida também devem permanecer isoladas por 14 dias.

Por fim, no último dia 14, o governo aumentou ainda mais as restrições, estendendo a quarentena para pessoas que vieram de qualquer outro país estrangeiro, inclusive o Brasil.

Em depoimento ao Estado de Minas, Rafael Salazar, brasileiro que trabalha em uma escola de intercâmbio da ilha, conta que as medidas afetam diretamente nos serviços escolares, interrompidos desde a última quinta-feira. “Tem um monte de gente preocupada, parece que é o fim do mundo, sensação do apocalipse. As famílias dos alunos estão loucas, pedindo para voltar. Estão fazendo um esforço fora do normal para voltar antes para casa”, conta.

Atualmente, como explica Rafael, a recomendação das escolas é de que o intercambista adie seus estudos no exterior, justamente pela medida de quarentena adotada pelo governo maltês. “Os alunos que estão chegando agora já chegam em quarentena. Tem alunos que vêm para estudar uma ou duas semanas, então não vão poder estudar porque eles têm que ficar 15 dias em casa. É uma pena porque o cara chega para fazer um curso, que é o sonho da vida, e aí vai ficar 15 dias sem sair de casa”, lamenta.

''Tem um monte de gente preocupada, parece que é o fim do mundo, sensação do apocalipse. As famílias dos alunos estão louquinhas, pedindo para voltar. Estão fazendo um esforço fora do normal, estão gastando uma grana para voltar antes para casa e ficar com a família''

Rafael Salazar, brasileiro que trabalha em uma escola de intercâmbio da ilha

Para aqueles que já estão na ilha e não conseguem voltar, a recomendação é de tomar cuidado, lavar as mãos, mas evitar entrar em pânico. Justamente por isso, até então, o governo não tinha suspendido atividades de bares e boates (estabelecimentos bastante frequentados na ilha). No entanto, a partir dessa quarta-feira, as atividades de todos os bares, restaurantes, academias, boates, cinemas e cassinos foram suspensas. A medida não vale para entregas em domicílio. 

Por lá, para evitar que as restrições sejam burladas pela população e pelos turistas, o governo fixou uma multa de 3 mil euros por hora para pessoas que ignorarem a medida. A administração pública também recomendou os malteses que se encontram fora do país voltem para casa assim que possível. Em relação aos turistas, a recomendação é a mesma: “aqueles que estiverem na ilha e planejam voltar devem fazer isso imediatamente”, declarou o governo, em nota.

PARA COPIAR
Apesar da proximidade cultural e logística com a Itália, Malta registrou poucos casos da COVID-19. Para evitar que a doença se espalhe em uma ilha com menos de 500 mil pessoas, a administração local vem adotando medidas intensivas para evitar a aglomeração de pessoas em locais públicos.

Em relação ao transporte coletivo, a empresa local que administra os ônibus do país (equivalente à BHTrans) diminuiu a capacidade máxima dos veículos. Desde o dia 14, os motoristas já não aceitam passageiros em pé. Por lá, uma vez que todos os assentos estão ocupados, os ônibus não param mais nos pontos. Além disso, a companhia adotou a política “sem troco”, para limitar a quantidade de dinheiro que circula entre passageiros e motoristas. Agora, desde que a medida foi estabelecida, os condutores só aceitam a quantia exata na compra dos bilhetes. 

Boates e bares da ilha, que costumavam ficar lotados, estão fechados(foto: Reprodução/Redes Sociais e Rafael Salazar)
Boates e bares da ilha, que costumavam ficar lotados, estão fechados (foto: Reprodução/Redes Sociais e Rafael Salazar)

Por fim, ao contrário da metade da frota de ônibus de Belo Horizonte, os coletivos de Malta que possuem ar-condicionado permitem a abertura das janelas dos veículos. Com isso, a companhia de transporte público da ilha instruiu os motoristas a abrir todas as janelas dentro dos ônibus e desligar os sistemas de ar-condicionado. 

Em relação às escolas, o governo suspendeu todas as atividades desde a semana passada. Inicialmente, a medida duraria até a sexta-feira (3), mas deve ser estendida.

Nos aeroportos, pessoas vêm tendo a temperatura medida constantemente. “Tem que dar uma paradinha na frente do medidor para ver a temperatura. A alguns eles pedem para chegar mais próximo e colocam uma lanterninha no olho”, explica o brasileiro.

Por lá, todas os idosos acima de 65 anos, mulheres grávidas e outras pessoas que sofrem com doenças crônicas devem ficar em casa. Além disso, o ministro da Saúde da ilha, Chris Fearne, também anunciou que a polícia dispersará grupos de mais de cinco pessoas nas ruas.

PARA NÃO FAZER Por outro lado, quando o assunto é solidariedade e senso de comunidade, parece que os malteses andam atrás. Ao contrário do que governos de vários países vêm pedindo, na ilha, a corrida por mercadorias em supermercados é assustadora.

“Tem aquela corrida histérica ao supermercado, as pessoas vão e compram tudo, até papel higiênico”, conta Rafael.


VISITA ADIADA


Por causa do coronavírus, Rafael já pensa em adiar uma visita ao Brasil, que estava programada para acontecer em maio. A quase dois anos sem vir ao país, o paulista de Campinas desejava passar o aniversário com a família. 

''Não estava afim de chegar no Brasil e me colocarem em quarentena. Vou para três semanas e, chegando lá, me colocam em quarentena e tenho que ficar em casa''



“Agora estou bem em cima do muro. Tem passagem a 475 euros e a média é de 700 euros, então está barato. Mas agora vou segurar um pouquinho. Não quero chegar ao Brasil e ficar em quarentena”, explica.

*Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa


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