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Estado de Minas PEDIDO DE MORATÓRIA

BC da Argentina diz que medidas do governo são resposta à incerteza política

Sandleris diz que as medidas anunciadas pelo governo devem reduzir a pressão sobre o mercado cambial


postado em 28/08/2019 20:33 / atualizado em 28/08/2019 20:43

O BC ainda diz que continuará a utilizar uma 'política monetária restritiva'(foto: pixabay)
O BC ainda diz que continuará a utilizar uma 'política monetária restritiva' (foto: pixabay)
O presidente do Banco Central da República Argentina (BCRA), Guido Sandleris, afirma em comunicado que as medidas anunciadas nesta quarta-feira pelo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, "constituem uma resposta rápida diante da incerteza política que tem impedido a renovação normal da dívida pública de curto prazo".
 
Segundo ele, as decisões "priorizam o uso das reservas internacionais para preservar a estabilidade monetária e financeira, mesmo que isso implique adiar o pagamento aos grandes investidores da dívida pública".
 
Sandleris diz que as medidas anunciadas pelo governo devem reduzir a pressão sobre o mercado cambial, "reduzindo a eventual demanda por moeda estrangeira e garantindo a disponibilidade de recursos para reduzir a volatilidade".
 
De acordo com ele, as medidas evitam três erros cometidos em outros casos de "súbita interrupção do acesso ao mercado de crédito". O primeiro erro é "tentar ganhar tempo estimulando artificialmente o sistema bancário para tomar mais dívida pública". "A Argentina tem um sistema bancário líquido, solvente, sem falta de moedas e com baixa exposição ao setor público. O problema no financiamento público de curto prazo não deve contaminá-lo", argumenta.
 
Outro erro, segundo o presidente do BC, é o "uso imprudente das reservas internacionais do Banco Central para atender os pagamentos de dívida pública", o que limitaria as ferramentas do BC para garantir a estabilidade monetária. Um terceiro erro comum seria imprimir pesos para fazer frente a necessidades de financiamento em moeda local. "Aumentar a base monetária acima do demandado pelo público leva, em definitivo, a uma maior inflação e a pressão cambial", afirma a nota.
 
As medidas anunciadas por Lacunza "garantem que o Banco Central conte com recursos para moderar a volatilidade no mercado cambial e preservar a estabilidade" do sistema financeiro. O BC ainda diz que continuará a utilizar uma "política monetária restritiva e as intervenções cambiais como instrumentos centrais para moderar a volatilidade nominal".
 
O maior calote da história
 
Em meio a uma grave crise econômica e social e sem conseguir um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Argentina declarou em 23 de dezembro de 2001 a maior moratória da história, de US$ 102 bilhões, somados débitos, juros e correções. 
 
A paridade dólar-peso, instituída em 1991 pelo Plano Cavallo (elaborado pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, para deter a hiperinflação), durante o governo de Carlos Menem, se mostrou ineficiente. A dívida externa, pública e privada, havia disparado: de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 146 bilhões 10 anos depois.
 
 O país estava quebrado. No começo de 2001, Cavallo ordena o congelamento dos depósitos. Em um gesto desesperado após os saques dos poupadores que somaram US$ 22 bilhões em menos de três meses, o ministro decide que durante 90 dias os saques diários não poderiam ultrapassar os 250 pesos ou US$ 250, na época. A decisão provoca violentos protestos reprimidos pela polícia, deixando 33 mortos. 
 
Os supermercados são saqueados e a população manifesta sua revolta com “panelaços”. Em 19 de dezembro, o presidente Fernando De la Rua decreta estado de sítio. No dia seguinte, cercado por milhares de manifestantes reunidos na Casa Rosada, ele assina sua renúncia e abandona a sede de governo de helicóptero. No dia 23, seu sucessor, o presidente interino Adolfo Rodriguez Saá, declara a moratória e, uma semana depois, renuncia. 
 
Nos anos seguintes o governo realizou vários planos de reestruturação e, após as ofertas de 2005 e de 2010, a maior parte dos credores aceitou uma troca da dívida. Contudo, uma minoria dos credores, chamada de “fundos abutres”, foi à Justiça exigir o pagamento integral. Após a chegada de Mauricio Macri ao poder, no começo de 2016, o país chegou a um acordo com os últimos donos de bônus e pôde voltar aos mercados internacionais depois de 15 anos. 


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