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Estado de Minas TRAGÉDIA DE MARIANA

Advogados buscam acordo com mineradoras sobre tragédia de Mariana

Informação foi repassada durante jantar entre representantes do escritório Pogust Goodhead, que representa as vítimas de Mariana, no processo do Reino Unido


04/10/2023 21:42 - atualizado 05/10/2023 12:00
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Ruínas do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana
Ruínas do distrito de Bento Rodrigues, devastado pelo mar de lama que vazou da Barragem do Fundão, em 5 de novembro de 2015 (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 12/9/19)
Um acordo para o recebimento de indenizações para os atingidos da barragem de Mariana tem sido proposto e negociado pelos advogados do escritório Pogust Goodhead, que os defende no processo do Reino Unido contra a BHP Billiton e Vale. Com isso, o recebimento de indenizações pode acontecer antes do julgamento previsto para ocorrer dentro de 12 meses (outubro de 2024), em Londres, somando 700 mil clientes e um valor que pode ser o maior de um julgamento de todo mundo, alcançando R$ 250 bilhões.
“As condições para o acordo são muito favoráveis. As companhias não querem um julgamento longo e desgastante. Soubemos que uma diretora sênior da BHP foi chamada a responder nos EUA e estão temendo que haja punições criminais que não ocorreram no Brasil. E a Vale é uma empresa brasileira e tem interesses no Brasil por muitos anos ainda”, disse nesta quarta-feira (4/10) o CEO e sócio-administrador do Pogust Goodhead, Tom Goodhead.

“Uma parte de mim e dos clientes não querem acordo, mas gostariam do julgamento. Gostariam de ver pessoas presas, mas como seus advogados precisamos aconselhar o que for melhor”, disse. “No Brasil eles estavam tentando indenizações baixas, e o governador Romeu Zema quer o uso político de um novo acordo, como fez em Brumadinho, para criar obras em vários outros municípios”, criticou Goodhead.

O recebimento das indenizações nao seria nada muito pragmático por se tratar de um acordo tão grande. “Formaríamos um comitê de clientes, com um representante de cada grupo - um dos quilombolas, outro dos índios etc - trazendo as instruções para o escritório. Já os prefeitos não terão representantes”, afirma o CEO.

Agora, um grande esforço de atualização da situação do processo movido pelo escritório começa, nesta quarta, e vai percorrer o Vale do Rio Doce.

A primeira reunião foi em Belo Horizonte, na manhã desta quarta, com um encontro entre prefeitos e atingidos, moradores, indígenas, quilombolas, municípios, autarquias, empresas e instituições religiosas.

Em Minas Gerais, a caravana passa pela Câmara Municipal de Barra Longa (5/10), Mariana (5/10), Governador Valadares (7/10) e Resplendor (8/10). Já no Espírito Santo, as cidades de Linhares (8/10) e (9/10) Baixo Guandu vão receber a visita dos advogados ingleses e brasileiros que atuam no caso.

Além de encontros com os clientes, o cronograma prevê reuniões com prefeitos e com grupos indígenas.

“Vamos nos encontrar com cerca de 10 mil pessoas pessoalmente. Queremos manter uma escuta ativa e diálogo com as vítimas, que estão sofrendo há quase oito anos sem uma compensação justa pelo crime de Mariana. Nossa intenção é passar pelas principais cidade atingidas levando informação e tirando as dúvidas dos nossos clientes sobre a ação inglesa”, afirma o CEO e sócio-administrador do Pogust Goodhead, Tom Goodhead

Julgamento sobre o rompimento 


Inicialmente, o julgamento estava marcado para abril de 2024. A BHP pediu para que a Justiça adiasse em 15 meses para analisar documentos. Entretanto, a nova data para o julgamento será em outubro.
 
Em julho, foi marcada uma audiência entre a Vale e a BHP. A ideia das empresas era tumultuar o processo, já que, caso a Vale fosse reintegrada, ela pode pedir um novo adiamento para o julgamento, justificando que precisa analisar os novos termos impostos.

Em agosto, a Technology and Construction Court, em Londres, rejeitou o recurso, tornando a Vale ré junto da BHP. 

Na decisão, a Justiça da Inglaterra enfatizou que "a mineradora brasileira Vale é responsável pelos mesmos motivos ou semelhantes e, portanto, responsável por contribuir para quaisquer danos devidos junto com a anglo-australiana BHP".
 

O que diz a BHP 

Em nota, a BHP frisou que "nega integralmente os pedidos formulados na ação ajuizada no Reino Unido, que é desnecessária por duplicar questões já cobertas pelo trabalho contínuo da Fundação Renova, sob a supervisão dos tribunais brasileiros, e objeto de processos judiciais em curso no Brasil. A BHP não está envolvida em quaisquer negociações de acordo em relação ao caso do Reino Unido. A BHP Brasil segue participando das negociações com entidades públicas no Brasi, como o local adequado para essas discussões, e prefere que qualquer acordo seja no Brasil".
 
Além disso, a mineradora informou que "continua trabalhando em estreita colaboração com a Samarco e a Vale para apoiar o processo de remediação em andamento no Brasil. A Fundação Renova promoveu avanços significativos no pagamento de indenizações individuais, tendo realizado pagamentos a mais de 429 mil pessoas, incluindo comunidades tradicionais como quilombolas e povos indígenas. A Renova já desembolsou mais de R$ 30 bilhões em ações de reparação, dos quais aproximadamente 50% foram pagos diretamente às pessoas atingidas por meio de indenizações individuais. No total, mais de 200 mil requerentes no processo da Inglaterra já receberam pagamentos no Brasil". 

O desastre 


A barragem se rompeu em 5 de novembro de 2015, deixando 19 mortos e mais de 500 mil pessoas atingidas pelos 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos despejados na Bacia do Rio Doce. O mar de lama passou pelo estado do Espírito Santo e chegou até o Oceano Atlântico.


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