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Estado de Minas SUSTENTABILIDADE

Serra do Curral: audiência prevê riscos em abastecimento de água em BH

Encontro na Assembleia discutiu questões relativas à adutora da Copasa que existe no cartão-postal de BH, onde diversos empreendimentos atuam diariamente


14/06/2022 17:17 - atualizado 14/06/2022 18:05

Vista da Serra do Curral
Abastecimento de água na Serra do Curral foi tema de audiência pública na ALMG (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
 
Deputados e representantes da sociedade demonstraram preocupação com o futuro do abastecimento de água na Região Metropolitana de Belo Horizonte com os impactos da atividade minerária exercida pela Taquaril Mineradora S.A (Tamisa) na Serra do Curral.
 
Em audiência pública nesta terça-feira (14/6), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), especialistas solicitaram vários estudos complementares no que diz respeito ao risco à adutora da Copasa que fica num dos cartões-postais da capital mineira. 

Em 29 de abril, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou a licença prévia e de instalação do empreendimento, liberando a atividade no local. Desde então, a decisão tem provocado críticas de ambientalistas e de moradores das proximidades da Serra do Curral, temendo impactos ambientais na região. 

A audiência pública foi solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira para explicar o posicionamento da Copasa em relação à autorização obtida pela Tamisa. Os participantes cobraram atitudes do governo de Minas na preservação dos recursos hídricos que abastecem BH.

Risco de poluição


Na Serra do Curral há uma adutora que conta com cerca de 2 metros de diâmetro e serve para bombear o fornecimento de água em Belo Horizonte até a estação de tratamento de Bela Fama. O equipamento é capaz de processar 8 mil litros de água por segundo. A estrutura passa no interior do terreno da Tamisa, abaixo da barragem, onde é intensa a circulação de veículos pesados.

“A Copasa tem atuado de forma irresponsável no ponto de vista de suas ações. A empresa deveria ser responsável pela bacia onde capta suas águas e pelo tratamento dos esgotos, das matas e dos córregos próximos âs estações de captação de água. A empresa deveria ser responsável pela sustentabilidade de seu negócio, de modo a prevenir futuras perdas em seu abastecimento”, afirma o representante do Fórum Permanente São Francisco, Júlio Grillo. 

Houve também reflexão acerca da atuação dos empreendimentos já existentes no local. “A Copasa construiu um túnel para proteger a adutora e garantir água para 2 milhões de pessoas. Mas no local há uma usina de arsênico que pode poluir a água que serve de abastecimento à população. Os diques certamente vão atingir a adutora no futuro”, analisa o técnico químico e consultor aposentado da Copasa, Benedito Ferreira Rocha.

 
Visita à Serra do Curral 


Em visita à Serra do Curral em 27 de maio, deputados da Comissão de Administração Pública verificaram de perto os impactos na região que fica entre Belo Horizonte e Nova Lima. Na ocasião, ambientalistas alertaram que o minério que se pretende extrair na área é essencial para garantir a infiltração de água no lençol freático da Bacia do Rio das Velhas, que a Copasa utiliza para abastecer a RMBH.

“Precisamos de intervenção técnica de pessoas longe do estado de Minas. São 2 milhões que vivem inocentes sofrendo consequências em troca do benefício de poucos”, conclui Benedito. 

Representante do Movimento "Mexeu com a Serra do Curral Mexeu Comigo", Jeanine Oliveira comentou os riscos de desmoronamento sobre a estrutura da Copasa.
 
“Dependemos de regimes de chuvas para obter recursos hídricos ou da preservação das águas. Hoje, várias nascentes estão imediatamente depois das cavas em seu entorno. Elas alcançarão o seu nível de água, destruindo-as de imediato. Com isso, os riscos técnicos de desmoronamento sobre a adutora são consideráveis devido às enormes declividades do terreno.”


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