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Estado de Minas CLIMA

BH e Minas na geladeira: capital pode ter menor mínima de maio desde 1910

Massa de ar polar intensifica frio, com previsão até de temperatura abaixo de zero no Sul do estado. Em Belo Horizonte, termômetro pode cair a 5°C na quinta


17/05/2022 04:00 - atualizado 17/05/2022 06:26

Visitantes já lançaram mão dos agasalhos ontem para curtir o pôr do sol na Praça do Papa
Visitantes já lançaram mão dos agasalhos ontem para curtir o pôr do sol na Praça do Papa, na capital mineira: frio deve se intensificar a partir de quarta (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press )

Os mineiros que ainda não tiraram cobertores e agasalhos do armário podem se preparar para fazê-lo pois o frio tende se intensificar ao longo da semana, com possibilidade de temperaturas negativas na Região Sul do estado e de mínima recorde para o mês de maio em BH desde 1910. Segundo o meteorologista Claudemir Azevedo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma massa de ar polar deve chegar hoje à noite ao estado. “Ela vai se intensificando ao longo da semana e, a partir de quarta-feira, vai ganhando força sobre o estado”, previu.

De acordo com Claudemir, a chuva registrada na manhã de ontem em BH foi ocasionada por áreas de instabilidade, associadas à passagem de uma frente fria pelo litoral da Região Sudeste do país. “A massa de ar polar vai chegar na retaguarda dessa frente fria e provocar esse frio intenso. Ele deve começar amanhã (hoje) na Região do Triângulo. Já na quarta-feira (amanhã), se espalha por todo o estado de Minas Gerais.” De acordo com o meteorologista, praticamente não há previsão de chuva para os próximos dias. “Amanhã (hoje) ainda existe uma possibilidade no Leste de Minas e na região metropolitana, mas só pela manhã.”

A temperatura mínima registrada em Belo Horizonte ontem foi de 16°C e a máxima, de 26,3°C, na Estação da Pampulha. Em Minas, a mínima foi de 12,8°C em Monte Verde, na Região Sul, e a máxima ficou em 34,4°C em Montalvânia, no Norte do estado. A menor temperatura registrada este ano em Minas foi de 2,5°C, em 16 de abril, no município de Maria da Fé, no Sul do estado. Em BH, o recorde de frio foi 11,6°C, em 10 de maio, na Estação da Pampulha.

Justina Davino (D) reclamou do frio ontem
Justina Davino (D) reclamou do frio ontem, quando a mínima foi de 16°C em BH, e disse que preparou casacos e cobertores para os próximos dias (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press )

ABAIXO DE ZERO 

Amanhã (18/5), a previsão é de céu claro e geada nas regiões Sul, Oeste, Campo das Vertentes, Triângulo e Zona da Mata. A mínima pode chegar a -1°C no Sul. As cidades que podem registrar as temperaturas mais baixas no estado são: Maria da Fé, Monte Verde, Poços de Caldas, Delfim Moreira e São Sebastião do Paraíso.

A massa de ar polar deve atuar em Minas pelo menos até sexta-feira (20/5). “No fim de semana, as temperaturas vão começar a subir, mas permanecem em níveis mais baixos. Na sexta-feira ainda vamos estar com temperatura na casa dos 4°C e no fim de semana, em 5°C.” Os recordes de frio devem ocorrer entre quarta e quinta-feira.

Aracelli e Marília tentavam se adaptar ao clima
Do Maranhão, Aracelli e Marília tentavam se adaptar ao clima no passeio na capital, preocupadas por terem trazido roupas mais leves (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press )

RECORDE EM BH 

A capital mineira pode registrar a temperatura mais baixa para um mês de maio desde 1910. A previsão é de que, na quarta-feira, a mínima seja de 8°C e a máxima de 20°C. Já na quinta-feira, a mínima deve ficar em 5°C e a máxima em 19°C. “Se essa previsão se concretizar, vamos ter a temperatura mínima mais baixa para o mês de maio, em Belo Horizonte, desde 1910. O recorde do mês é de 7,5°C, registrado em 20 de maio de 1977.” A menor temperatura já registrada em BH foi de 3°C, em junho de 1961.

O meteorologista explica que não são tão comuns ondas de frio intenso em maio, embora possam acontecer, como no caso de 1977. “Várias capitais do Brasil atingiram temperaturas bem baixas. Além de BH, Goiânia, Brasília e Cuiabá também tiveram, naquele mesmo ano, temperaturas bastante baixas.”

Neste ano, a massa de ar polar vinda do Sul do continente vai atingir os estados da Região Sul, o Sul de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso, Sul de Goiás e o Rio de Janeiro. Ela é a primeira massa de ar polar a chegar ao país neste ano.

Segundo o meteorologista, as massas de ar polar são comuns para a estação. O que se destaca nesta é o posicionamento e a dimensão. “Ela vai pegar grande parte do Brasil – regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Até em Rio Branco, no Acre, onde não há tanta variação de temperatura, quando tem uma massa de ar mais fria assim, a temperatura diminui um pouco. Na Região Norte, quando acontece essa queda de temperatura, o fenômeno é chamado de friagem. Lá, por estar próximo à linha do Equador, as temperaturas são praticamente constantes o ano inteiro”, explica. Há possibilidade de nevar na Serra Catarinense a partir de amanhã.

PREPARAÇÃO 

A aposentada Justina Davino, de 86 anos, reclama do frio da manhã de ontem. “Está fazendo frio demais. De madrugada, então, estava gelado.” Ela, porém, diz estar preparada para as baixas temperaturas dos próximos dias. “Como a tendência é piorar, já estou muito preparada.” A aposentada conta que já tirou cobertores e casacos do armário. Além disso, ela revela que sofre com o frio. “Tenho até aquecedor no quarto. Meus pés ficam gelados, tenho que colocar meia, cobertor.” Justina diz que prefere o calor. “Só gosto do frio por causa das roupas. Acho que as mulheres, no inverno, ficam muito mais bonitas. Muito mais elegantes.”

Já as amigas Aracelli Caruso, de 32, e Marilia Alencar Vilela, de 34, foram pegas de surpresa pela onda de frio que promete chegar ao estado a partir de hoje. Elas moram em São Luís, no Maranhão, e vieram conhecer Minas Gerais. Chegaram a BH na noite de domingo e ainda pretendem visitar Ouro Preto e Tiradentes até sábado (21/5).

“Não viemos preparadas (para o frio). A gente trouxe um casaquinho para cada uma e só. Eles vão ter que manter a gente aquecida até o final da viagem. Nem se a gente tivesse trazido roupa para frio estaríamos preparadas”, brinca Aracelli. A fisioterapeuta conta que em São Luiz a temperatura fica em torno dos 30°C. “Não gosto de frio e achei que aqui pegaríamos  temperaturas entre 25°C e 26°C, sem precisar usar casaco.”

Diante da previsão de mínimas entre 5°C e 8°C nos próximos dias, as amigas já pensam em reforçar o estoque de roupas de frio. “Qualquer coisa vamos ter que comprar algo para nos aquecer, porque só o casaco que trouxemos não vai ser suficiente. Estamos preocupadas”, disse ela rindo.

Mentiras e verdades
sobre o fenômeno

Diante de informações de origem duvidosa ou bastante exageradas que têm circulado nas redes sociais e aplicativos de mensagens sobre a onda de frio que chega ao Brasil nos próximos dias, o Inmet decidiu explicar o que é mentira e o que é verdade sobre o fenômeno. Segundo o instituto, a massa de ar frio polar vai provocar uma queda acentuada da temperatura na Região Centro-Sul do país, mas não de forma exagerada.

Ela é uma massa de ar atípica pelo seu posicionamento e dimensão, mas não pela intensidade. Os ventos podem superar os 100km/h no litoral do Rio Grande do Sul. Há também a possibilidade de ciclone subtropical na costa da Região Sul.

De acordo com o Inmet, podem acontecer ainda episódios de chuva congelada. A previsão de neve é apenas para a Região Sul do país. Já a geada pode ocorrer nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

O instituto alerta que não existe o termo erupção polar histórica e que a onda de frio não é a maior dos últimos 100 anos no Brasil, embora, em alguns lugares as temperaturas mínimas possam atingir recordes, como no caso de BH, por exemplo.

Além disso, a massa de ar frio polar não deve chegar à Região Nordeste do país e as temperaturas não vão atingir -100C. Chance de neve em Goiás, no Distrito Federal e demais regiões centrais do Brasil também está descartada.

O Inmet lembra que frentes frias, frio e calor intenso continuarão a acontecer. “O que  geralmente pode ser falso em uma ‘notícia duvidosa’ de clima são valores extremamente exagerados e sem embasamento científico.” Em caso de dúvidas, o instituto pede ainda que as pessoas acessem o site (portal.inmet.gov.br) ou as redes sociais do órgão para confirmar informações, e que não compartilhem notícias falsas.


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