
Após quase dois meses da volta de 100% das atividades presenciais na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com o Restaurante Universitário (RU) fechado nos campi de Ouro Preto e Mariana, foi anunciado que a partir desta segunda-feira (2/5), as refeições de almoço e jantar retornarão para a comunidade acadêmica.
O anúncio foi feito após a reunião do Conselho Universitário (Cuni) apresentar o novo regimento de funcionamento dos restaurantes que inclui mudanças para o retorno, como o uso do passaporte vacinal e a permissão do acesso dos filhos menores de idade ao restaurante pagando o mesmo valor que as mães estudantes, servidoras e terceirizadas.
As aulas presenciais na Ufop começaram no dia 15 de março e, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos da Ufop (Assufop), Gabriel Souza, a demora na reabertura do restaurante universitário criou um processo de exclusão, uma vez que, durante o fechamento, foi concedido auxílio de apenas R$ 100 para os estudantes carentes. "É um valor muito baixo para suprir a necessidade alimentar básica de um aluno” explica.
O presidente da Assufop avalia que a falta de refeições a preços acessíveis numa universidade pública compromete a permanência dos alunos, que, por não terem renda, "enfrentam a face mais dura de um país que ficou extremamente caro para se viver".
O sindicato afirma reconhecer o esforço da Ufop em combater a exclusão de um retorno presencial sem o direito básico a%u0300 alimentação, mas acredita que, com a reabertura do restaurante universitário, cobrando o valor da refeição a R$ 5,55 ainda é muito alto, uma vez que, antes da pandemia, o preço era R$ 3.
“Todo esse encarecimento é fruto da recente terceirização do Restaurante Universitário feita pela administração atual, que precarizou o serviço e elevou os preços."
De acordo com a Ufop , uma vez que o serviço é terceirizado, foi necessário o lançamento de um edital para licitação de nova empresa, dada à interrupção do contrato anterior durante a pandemia da COVID-19.
A empresa atual, Sepat, assinou o contrato com a Ufop para gerir o serviço, em 29 de março. Uma reunião foi realizada no dia seguinte para discutir os preparativos para o retorno quando foram acordados o novo valor das refeições e os horários de funcionamento.
A Ufop segue subsidiando 50% do valor para estudantes e 100% para bolsistas da Pró-Reitora de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace). Para ter acesso aos restaurantes de Ouro Preto e Mariana, a comunidade acadêmica deverá anexar ao site da Ufop o comprovante de vacinação contra a COVID-19.
Inclusão no RU
Para ampliar a inclusão e incentivar a permanência de estudantes e servidores da Ufop, a pró-reitora de Assuntos Comunitários e Estudantis - Prace/Ufop, Natália de Souza Lisbôa, afirma que todos os restaurantes, incluindo o de João Monlevade, permitirão o acesso a filhos e filhas de estudantes, servidores e terceirizados. No total, serão mais de 150 mães beneficiadas com a inclusão dos menores acima de cinco anos.
A demanda foi pensada pelo Projeto Maternidade e Universidade (ManU) - um grupo de acolhimento e apoio a estudantes que são mães na Ufop –, que procurou a Prace em novembro de 2021 e apresentou um dossiê demonstrando a realidade das mães universitárias.
A pró-reitora afirma que, após a apresentação da demanda foram feitos atendimentos pela equipe técnica de avaliação socioeconômica da Prace, especialmente nas entrevistas. Também foi dialogado com o coletivo de mulheres Andorinhas a possibilidade de ampliação para as famílias da utilização dos RU.
Além do acesso ao restaurante universitário, o Projeto Maternidade e Universidade também apresentou como demanda uma bolsa moradia às mães, cadeiras para as gestantes e lactantes dentro das salas de aula, cadeira especial para as crianças no RU, brinquedoteca dentro dos campi e banheiros com trocadores.
