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Vale da Serra da Moeda dá boas-vindas a 3 mil orquídeas

As flores são nativas e puras da Mata Atlântica e Cerrado; entre elas, nove espécies são ameaçadas de extinção


24/11/2021 17:16 - atualizado 25/11/2021 16:13

Orquídea
Mais de 3 mil orquídeas são implantavas no Vale da Serra da Moeda para preservação da espécie (foto: Boavista/Divulgação )
Milhares de orquídeas devem deixar a paisagem do vale da Serra da Moeda ainda mais vibrante nos próximos meses. A cadeia de montanhas localizada na Serra do Espinhaço, além de emoldurar o cerrado mineiro, é um atrativo turístico para todos os gostos e idades. 

A região recebeu 3 mil orquídeas nativas e puras da Mata Atlântica e Cerrado. Entre elas, nove são consideradas espécies ameaçadas de extinção. A iniciativa é do projeto Orquídeas Brasileiras, que, desde fevereiro deste ano, vem introduzindo as flores nas árvores e rochas da região. 

As espécies, além da exuberância, contribuem para a preservação e valorização das espécies típicas do local. De acordo com o projeto, as flores atraem insetos que polinizam as próprias orquídeas e outras plantas. Esses insetos, por sua vez, atraem predadores, ativando o ecossistema e mantendo o equilíbrio natural da área.

A expectativa é de que as flores se reproduzam. “Certo é que a meta de 3 mil plantas será facilmente ultrapassada”, comemora o responsável técnico pelo projeto, Reginaldo de Vasconcelos Leitão, que é geógrafo especialista em orquídeas. 

Entenda as etapas do projeto 


Orquidário
Algumas orquídeas em extinção foram cultivadas em laboratório, objetivo é a preservação da espécie (foto: Boavista/Divulgação )
O projeto Orquídeas Brasileiras, iniciativa do empreendimento Boavista, vem sendo realizado desde o primeiro semestre de 2019 e foi dividido em cinco etapas. A primeira, o diagnóstico, envolveu uma visita ao Vale da Serra da Moeda para análise e conhecimento técnico da área. 

Na sequência, uma seleção das espécies foi realizada em orquidários profissionais. A preferência foi dada às espécies nativas e puras da região, bem como a polinização e reprodução em laboratório. Foi observada, também, a boa interação com a flora local. 

A terceira etapa contempla o processo de aclimatação, para o desenvolvimento e fortalecimento das mudas geradas. A quarta, por sua vez, foi a introdução das espécies à natureza, em fevereiro deste ano. 

A quinta e última ainda está em andamento. “A quinta fase será monitorar o desempenho dessas orquídeas até que estejam totalmente independentes de cuidados como limpeza, regas, adubação e controle de pragas”, explica Reginaldo. 

Conheça algumas espécies do projeto 


Entre as adotadas para reintegrar a flora local, de acordo com o geógrafo, está a orquídea considerada símbolo do projeto, a Hoffmannseggella milerii (ex Laelia milerii). Espécie oficialmente ameaçada de extinção, ela é simbólica das serras mineiras. 

“Foi necessário buscarmos plantas adultas, que seriam as matrizes, com colecionadores para fazermos a polinização e gerar frutos. A previsão é que uma nova geração de mudas seja iniciada ainda neste ano”, pontuou. 

Outras espécies que estão sendo reproduzidas em laboratório são a Cattleya walkeriana e a Cattleya warneri. “As mudas já estão prontas e vamos buscá-las para aclimatação já na região do Vale da Serra da Moeda”, ressaltou. Além destas, outras dezenas de espécies fazem parte do projeto, veja:

  • Cattleya walkeriana: espécie identificada na região do Vale da Serra da Moeda. Encontra-se ameaçada de extinção, na categoria vulnerável. Floresce no outono. É reconhecida como a orquídea-símbolo do Brasil.

  • Cattleya bicolor: Minas Gerais é o estado com maior profusão dessa espécie, sendo oficialmente reconhecida como sendo de interesse para pesquisa e conservação. Floresce no verão.

  • Cattleya warneri: sua ocorrência é rara na natureza devido à alta coleta. A destruição de seus habitats naturais tem levado à ameaça de sua extinção na categoria vulnerável. Floresce na primavera.

  • Cattleya labiata: símbolo maior das orquidáceas, foi a primeira espécie do gênero Cattleya a ser descoberta. Na natureza, encontra-se ameaçada de extinção na categoria vulnerável. É amplamente cultivada para fins comerciais. Floresce entre o verão e o outono.

  • Cattleya amethystoglossa: são plantas altas e bifoliadas, podendo chegar a mais de um metro de altura. São muito resistentes e florescem no inverno.

  • Cattleya guttata: Está na lista oficial das espécies ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável. Produz cachos com até 15 flores entre o verão e outono.

  • Hadrolaelia pumila: atualmente ameaçada de extinção, são plantas de porte pequeno que produz flores grandes e vistosas.  Florescem no verão.

  • Brassavola tuberculata: Cresce em árvores ou em rochas e floresce entre a primavera e o verão.

  • Oncidium crispum: crescem sobre árvores e florescem entre o verão e o outono.

  • Epidendrum secundum: É de fácil adaptação e floresce durante todo o ano.

  • Epidendrum cristatum: vive nas matas de galeria e áreas de afloramentos rochosos, pode crescer em áreas de sol direto ou em áreas com sombreamento moderado. Floresce na primavera e no verão.

  • Brasilaelia tenebrosa: espécie da Mata Atlântica do Espírito Santo e Minas Gerais, em risco de extinção em seu habitat natural, na categoria ‘em perigo’. Floresce na primavera e no verão.

  • Cattleya loddigesii: natural das matas de galeria e áreas paludosas de Minas Gerais e São Paulo, encontra-se em ameaça de extinção na categoria ‘perigo crítico’. Antigamente, existiam populações dessa espécie na região que compreende a área metropolitana de BH. Floresce no inverno.

  • Sophronitis cernua: antes comum nas matas e cerrados que circundam a Serra da Moeda, está praticamente extinta nesta região. Floresce no outono.

  • Catasetum lanciferum: crescem em árvores da mata atlântica mineira, sendo muito comum na região do vale da Serra da Moeda, com uma floração peculiar em tons de verde-amarronzado, na primavera e verão.

  • Hoffmannseggella rupestris: apresenta crescimento lento. Suas flores de cor lilás aparecem no auge do inverno.

  • Hoffmannseggella crispata: espécie de flores amarelas, vive diretamente nas rochas e floresce no inverno.

  • Hoffmannseggella caulescens: espécie muito comum nas serras de Minas Gerais, especialmente nas redondezas de Belo Horizonte, suas flores de cor lilás, são cintilantes e florescem no outono. É uma espécie ameaçada de extinção, na categoria ‘em perigo’.

  • Zygopetalum maculatum: vive nas matas ralas e altitude elevada. Floresce no verão e outono.

  • Hoffmannseggella milerii (ex Laelia milerii): Espécie simbólica das serras mineiras, de grande beleza e raridade, endêmica do Quadrilátero Ferrífero, no entorno de Itabirito. É oficialmente considerada ameaçada de extinção, em perigo crítico, tanto pela coleta ilegal quando pela destruição do seu habitat. Essa espécie é rara em cultivo, devido a dificuldade de reprodução.

  • Bifrenaria tyrianthina: orquídea extremamente resistente, vegeta diretamente nas rochas e floresce na primavera.







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