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Estado de Minas TATU GIGANTE

Filhote de tatu-canastra é registrado pela 1ª vez em Uberaba; veja o vídeo

O registro foi feito pelo Projeto Tatu Canastra Uberaba; há 15 anos a espécie é classificada como vulnerável pela Lista Vermelha da IUCN


18/11/2021 22:25 - atualizado 18/11/2021 22:40

Tatu-canastra
Femêa da espécie e seu filhote flagrados atravessando estrada rural de Uberaba (foto: Projeto Tatu Canastra Uberaba/Divulgação)
 
Uma fêmea de tatu-canastra e o seu filhote foram registrados pela primeira vez na zona rural de Uberaba no início deste mês. Por segurança contra caçadores, a localização exata que os dois animais foram vistos não foi divulgada.
 

 
Por meio de suas redes sociais, o projeto declarou que o registro do animal nas áreas em que ele é monitorado tem um peso enorme. "Além de mostrar que a espécie continua sobrevivendo em Uberaba, nós nos sentimos ainda mais responsáveis por tentar impedir a caça do tatu-canastra dentro de nossa área de atuação. É muito importante divulgarmos e tentarmos promover ações efetivas visando a preservação da espécie."
 
A tatu-canastra e seu filhote foram flagrados percorrendo a estrada de uma das áreas monitoradas por biólogos do projeto.
 
O episódio, ainda de acordo com informações divulgadas pelo projeto, é um enorme alívio para os biólogos que atuam nos estudos da espécie, que há 15 anos é classificada como vulnerável pela Lista Vermelha da IUCN (International Union for Conservation of Nature's).
 
Por meio do site projetotatucanastra.com.br, o biólogo e coordenador do Projeto Tatu-canastra Uberaba, Raul Sbroia Neto, explicou que o comportamento reprodutivo do tatu-canastra requer estudos ainda mais abrangentes.
 
Pesquisas realizadas pelo Projeto Tatu-canastra, executado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) e o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas), no Mato Grosso do Sul, identificaram que o período gestacional de um tatu-canastra é de cinco meses, nascendo um filhote por gestação.

“Estes estudos apontam que o tatu-canastra atinge a maturidade sexual entre seis e nove anos e tem um único filhote a cada três anos, tornando muito baixa a taxa de crescimento da população da espécie, que ainda sofre com atropelamentos e com a perda de habitat. Ou seja, um indivíduo retirado da natureza pode levar à extinção da espécie nesta região.
 
Por isso, esse registro tem um peso enorme para nós do projeto. Além de mostrar que a espécie continua sobrevivendo em Uberaba, nós nos sentimos ainda mais responsáveis por tentar impedir a caça do tatu-canastra dentro da nossa área de atuação”, ressaltou Raul.
 

Sem verba para intensificar os estudos 

 
Em Uberaba, o Projeto Tatu-Canastra atua desde 2006, numa parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social (IADES). A partir de 2020, a parceria contribuiu para a ampliação dos trabalhos, que ainda estão em fase de observação da espécie.
 
“Estudar o comportamento do tatu-canastra na nossa região, monitorar um indivíduo para que seja estudada a sua morfologia e entender a sobrevivência no cerrado do Triângulo Mineiro requer tempo e investimento, mas infelizmente ainda não temos verba para intensificar os estudos, o que é uma pena, diante da grandeza desta espécie e da importância dela para o meio ambiente”, lamentou o biólogo.
 

O gigante dos tatus

 
Ainda segundo informações do biólogo, o tatu-canastra é o maior da espécie, podendo medir até um metro e meio de comprimento, do focinho à cauda, e pesar até 60 quilos.
 
Uma das principais características do animal são as garras em formato de foice, que podem medir até 15 centímetros, sendo a maior de qualquer mamífero vivo.
 
“Garras perfeitas para cavar tocas e buracos que podem chegar a 50 centímetros de largura e a até 5 metros de profundidade. Essas “casas” feitas pelo tatu-canastra mantêm uma temperatura constante de 24Cº, favorecendo até outras 70 espécies de vertebrados que utilizam esses buracos como refúgio ou ponto de descanso. Por isso, essa espécie fossorial e solitária; é considerada o engenheiro do ecossistema”, finalizou o biólogo.

 


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