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Estado de Minas VISITA HISTÓRICA

Solenidade relembra a visita do Rei da Bélgica a BH em 1920

Solenidade para comemorar o centenário da visita seria realizada no ano passado, mas teve de ser adiada em função da pandemia de COVID-19


27/10/2021 10:31 - atualizado 27/10/2021 11:23

Rei Alberto, da Bélgica, chegando na estação de trem de Belo Horizonte, em 1920
Documentos e fotos do Arquivo Publico Mineiro, na Avenida João Pinheiro, que comemora 100 anos. Na foto, chegada do Rei Alberto, da Bélgica, na estação de trem de Belo Horizonte, em 1920 (foto: Reprodução/Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A célebre visita do rei Alberto I da Bélgica a Belo Horizonte, em 1920, será lembrada nesta quarta-feira (27/10) e amanhã  em cerimônias cívicas e culturais na capital. Na manhã de hoje, há comemoração na sede do 1º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais (1º BPM), no Bairro Santa Efigênia, na Região Centro-Sul. Estarão presentes o comandante-geral da PMMG, coronel Rodrigo Sousa Rodrigues, o comandante da 1ª Região da PM, coronel Webster Wadin Passos Ferreira de Souza, e o comandante do 1º BPM, tenente coronel Alexandre Barboza de Oliveira.

A solenidade vai homenagear também a memória do então presidente do estado, Arthur Bernardes (1875-1955), que, junto ao monarca, visitou o 1º Batalhão da PM em 3 de outubro de 1920.

Devido à pandemia, as celebrações do centenário da visita de Alberto I, que veio acompanhado da rainha Elisabeth da Bélgica, são realizadas neste ano.

Também para esta quarta-feira estão previstas solenidades no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (14h), no Palácio da Liberdade (15h30) e no Colégio Santa Maria (19h30).

Já na quinta-feira (28/10), tem visita à Mina de Morro Velho (9h), em Nova Lima, na Região Metropolitana de BH, e solenidades na Câmara Municipal de BH (14h), à Assembleia Legislativa (19h) e ao Museu das Minas e do Metal (20h30).

HISTÓRIA

Belo Horizonte era uma jovem capital, prestes a completar 23 anos de inaugurada, quando recebeu a visita que marcou sua história. Em 2 de outubro de 1920, chegavam à capital mineira os reis da Bélgica, o casal Alberto e Elisabeth, na primeira viagem de um monarca europeu ao Brasil após a Proclamação da República.

Os reis dormiram no Palácio da Liberdade, que foi reformado e ganhou nova decoração para recebê-los, enquanto a família do presidente de Minas (ainda não se usava a palavra governador), Arthur Bernardes, residente no local, se deslocou para os vizinhos Palacete Dantas e Solar Narbona.

A Praça da Liberdade também foi remodelada e preserva o mesmo estilo até hoje. As formas arredondadas deram lugar ao formato geométrico e retilíneo da arquitetura francesa. Assim, o espaço público ganhou ares parisienses inspirados nos jardins de Versalhes.

Os reis belgas visitaram o país entre 19 de setembro e 15 de outubro, conhecendo ainda o Rio de Janeiro e São Paulo. Em Minas, foram, além de BH, a Lagoa Santa e Nova Lima, onde viram a mineração de ouro de Morro Velho. A viagem teve como consequência uma estreita aproximação entre a Bélgica e o Brasil, e o principal fruto foi a criação da Companhia Belgo Mineira, em 1921. O monarca era conhecido como o "Rei Herói" ou "Rei Soldado" devido à atuação e liderança durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
 
Conforme as pesquisas feitas pelo Consulado da Bélgica em Minas, os reis desembarcaram na Estação Ferroviária (Praça Rui Barbosa, no Centro de BH), sendo recebidos pelo presidente da República Epitácio Pessoa (1865-1942) e por Arthur Bernardes.
 
O escritor Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), na época com 17 anos, registrou o momento no poema "A Visita do rei": Vejo o rei passar na avenida Afonso Pena/onde só passam dia e noite, mês a mês e ano, burocratas, estudantes, pés-rapados/Primeiro rei entre renques de fícus e aplausos/primeiro rei (verei outros?) na minha vida./Não tem coroa de rei, barbas formidáveis/de rei, armadura de rei, resplandescente ao sol da Serra do Curral./É um senhor alto, formal, de meia-idade/metido em uniforme belga/ao lado de outro senhor de pince-nez/que conheço de retrato: o presidente do estado/Não vem na carruagem de ouro e rubis das estampas./Vem no carro da Daumont de dois cocheiros/e quatro cavalinhos mineiros bem tratados".


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