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Estado de Minas SANTUÁRIO SÃO FRANCISCO

Igrejinha da Pampulha, em BH, é elevada a santuário

A cerimônia de elevação foi celebrada pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte dom Walmor Oliveira de Azevedo


04/10/2021 18:04 - atualizado 04/10/2021 21:47

Fieis rezam ajoelhados na cerimônia de elevação da Igrejinha da Pampulha a Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis
Capela Curial São Francisco de Assis, mais conhecida como Igreja da Pampulha. Templo agora, é, oficialmente, o Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
No dia dedicado ao santo protetor da natureza e dos animais, Belo Horizonte ganhou um novo santuário e traz de volta a tradicional bênção de cães, gatos e outros bichos de estimação. Na tarde desta segunda-feira (4/10), a Capela Curial São Francisco de Assis, mais conhecida como Igreja da Pampulha, se tornou oficialmente Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis, valorizando ainda mais o conjunto arquitetônico reconhecido como Patrimônio Mundial.

A cerimônia de elevação a santuário teve início às 18h, celebrada pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, também presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). "Neste ano, a celebração do Dia de São Francisco de Assis se torna ainda mais especial para os mineiros e, particularmente, para os belo-horizontinos, pois celebraremos a eucaristia com o rito de instalação do Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis. Um acontecimento importante na história centenária da Arquidiocese de Belo Horizonte", diz dom Walmor.

O arcebispo explicou que os santuários congregam fiéis de longe e de perto: "São também referência na evangelização a partir da cultura e do compromisso com os mais pobres. O Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis reúne essas características, acolhendo visitantes de diferentes cidades e países".

Unindo sustentabilidade e espiritualidade, dom Walmor ressaltou que um dedicado trabalho está sendo desenvolvido para o patrimônio religioso e cultural enriquecer a interioridade de peregrinos. "De modo especial, o santuário, guiado pelos princípios da ecologia integral e da espiritualidade franciscana, contribui para que a sociedade cultive novos hábitos, mais sustentáveis, orientados para a preservação da casa comum. É, pois, uma escola que ensina a cuidarmos do planeta, missão indissociável do incondicional respeito à dignidade humana, principalmente dos mais pobres."

Latidos e miados

A tarde desta segunda-feira foi de muitos sons - latidos e miados - no entorno do templo moderno projetado na década de 1940 pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), às margens da Lagoa da Pampulha. Na praça ao lado do cartão-postal da capital e ícone do Patrimônio Mundial, o reitor do santuário, padre Ednei Almeida Costa, comandou a bênção dos animais.

A corretora de imóveis Suellem Alves, de 29 anos, levou as duas cachorrinhas da raça shih-tzu - Frida Lucia e Amora - para receberem a bênção. ''Sou muito católica, acho importante tirar um momento para dedicar à elas. São elas que alegram o meu dia, dão todo o amor sem pedir nada em troca. A bênção nos trouxe paz'', contou.

 

Devota fervorosa de São Francisco de Assis, a psicóloga Jane Lins aproveitou a cerimônia desta segunda para pagar uma promessa feita em benefício da saúde da cadelinha Babi.  

 

Ela conta que, em 2019, o animal, que já tem dez anos, teve um problema renal. "Nós sempre demos água mineral para a Babi, achando que estávamos fazendo um bem. Mas isso acabou fazendo com que ela desenvolvesse pedras nos rins. Quando ela ficou doente, trouxe logo à igreja e pedi a São Francisco de Assis que a curasse. E ele me atendeu! Em 2020, não pude vir agradecer porque estávamos no auge da pandemia. Agora, que as coisas melhoraram, fiz questão de homenagear meu santo", relata a fiel. 

 

Significado

De acordo com a Arquidiocese de BH, uma igreja ou outro local sagrado se torna santuário quando os fiéis, em grande número, por algum motivo especial de piedade, fazem peregrinações, com aprovação da autoridade da igreja local (bispo ou arcebispo). No território da Arquidiocese de BH, que reúne 28 municípios, há 12 santuários, sendo seis na capital - Nossa Senhora da Boa Viagem, São Paulo da Cruz, Nossa Senhora da Conceição dos Pobres, da Saúde e da Paz (Padre Eustáquio), São José e São Judas Tadeu - e em Caeté, Brumadinho, Confins, Contagem, Santa Luzia e Sabará.

Quem quiser conhecer e visitar a capela ou assistir às missas, a igreja fica aberta todos os dias das 8h às 17h, com missas aos domingos às 7h, 10h e 18h. Se o interesse for apenas visitar, são cobrados R$ 6 (metade do valor para idosos e estudantes). No caso da missa, a entrada é livre, com respeito à capacidade do templo e protocolos sanitários nesses tempos de pandemia.

No fim de semana, disse o reitor, houve distribuição de mudas, com orientações ao público para preservação dos jardins da Pampulha. As plantas são do Viveiro Burle Marx, criado no Jardim Botânico, na Pampulha, pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica.

Além de reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Conjunto Moderno da Pampulha é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural Municipal de Belo Horizonte.

História

Reaberto em 4 de outubro de 2019, após um ano e três meses de obras de restauração, o templo foi a última construção do complexo arquitetônico. Na época (década de 1940), o visual moderno causou grande impacto e a São Francisco de Assis não foi compreendida como espaço religioso. Durante 14 anos (1945-1959), ficou sem bênção oficial devido às formas criadas por Niemeyer.

Mesmo com os 14 painéis da via-sacra de Cândido Portinari (1903-1962), autor também do painel externo em azulejos, homenageando o santo padroeiro, houve reprovação de parte da comunidade católica, principalmente do então arcebispo de BH dom Antônio dos Santos Cabral (1884-1967).

Um dos pontos polêmicos dizia respeito ao santo padroeiro, no interior da igreja, ao lado de um cachorro. Dom Cabral não gostou do que viu e não fez a sagração do templo. Somente em 1958, foi entregue ao culto católico, sendo a primeira missa celebrada no ano seguinte.

Na parte externa, podem ser admirados, além dos jardins de Burle Marx, o revestimento em pastilhas de Paulo Werneck (1903-1962). Dentro, destacam-se os baixos-relevos em bronze do batistério, do escultor Alfredo Ceschiatti (1918-1989), além do trabalho de Portinari.

 


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