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Estado de Minas UBERABA E ITURAMA

Pesquisa aponta aumento do uso de álcool por universitários na pandemia

A pesquisa realizada com estudantes da Universidade Federal do Triângulo Mineiro demonstrou que 15% deles passaram a beber mais e quase 8% a fumar mais maconha


26/07/2021 19:19 - atualizado 26/07/2021 19:35

A pesquisa mostrou que houve aumento do consumo de álcool e maconha entre os universitários da UFTM de Uberaba e Iturama durante a pandemia (foto: Creative Commons/Divulgação)
A pesquisa mostrou que houve aumento do consumo de álcool e maconha entre os universitários da UFTM de Uberaba e Iturama durante a pandemia (foto: Creative Commons/Divulgação)
A professora adjunta do Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Andrea Pereira, que é doutora em ciências médicas, realizou pesquisa que apontou que estudantes da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba e Iturama, após a pandemia da COVID-19, aumentaram o consumo de álcool (14,6%) e maconha (7,9%).
De acordo com a pesquisa, a primeira coleta de dados ocorreu em sala de aula, entre março de 2018 e março de 2019, sendo que para a análise participaram 947 alunos de 24 cursos de graduação da UFTM de Uberaba – 55,28% do sexo feminino e 44,72% do masculino.
 
“A substância lícita mais usada é o álcool e o consumo dobra ao entrar na universidade por aqueles que já a consumiam. Já a substância ilícita mais usada é a maconha, mas 76,6% dos participantes não consomem esta substância. Quando avaliada as áreas em conjunto, o uso de risco de moderado a alto para álcool foi 52,48%; para o tabaco, 20,79%; e 15,94% para maconha; para as outras drogas, o risco ficou abaixo de 3,5%”, diz trecho da pesquisa.
 
A conclusão deste estudo do consumo de drogas antes da pandemia, segundo a Dra. Andrea Pereira, é que os jovens entram na universidade já consumindo álcool, mas aumentam muito a quantidade ingerida.

“Provavelmente em decorrência da vida universitária, embora a maconha seja a droga ilícita mais usada por eles, apenas 9% dos estudantes a experimentam ao tornarem-se universitários”.
 
Já a pesquisa realizada em junho de 2020, período da pandemia, avaliou outros dados como a prevalência de problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas entre pessoas matriculadas nos cursos de graduação da UFTM e fatores de estresse para a saúde mental dos universitários no período de distanciamento social devido à COVID-19.
 
O público-alvo foi constituído por universitários com idade superior a 18 anos, matriculados na UFTM, campus Uberaba e Iturama.
 
Todos os estudantes foram convidados a participar da pesquisa por chamada pública, pelas redes sociais e grupos de WhatsApp, sendo que a coleta foi realizada por meio de formulário eletrônico do Google.
 
Ao final, a amostra foi constituída por 378 estudantes (67,8% do sexo feminino e 32,2% do masculino), que responderam questões relacionadas ao consumo de substâncias psicoativas no começo do distanciamento social, sendo que 14,6% afirmaram um aumento no consumo de álcool e 7,9% no de maconha.
 

Considerações finais da pesquisadora sobre o consumo de drogas durante a pandemia

Segundo a Dra. Andrea Pereira, o álcool já é uma substância que 90% dos jovens quando entram para a universidade passam a consumir e, além disso, eles apontam este consumo como algo que alivia o estresse.
 
“E quando eles retornaram para a casa dos pais, neste período de pandemia, o uso do álcool se manteve e, inclusive, teve um aumento, já que passou a ser mais consumido em casa. Drogas como LSD, lança perfume e cocaína tiveram uma redução e algumas nem tiveram relatos de consumo durante a pandemia. Já o uso da maconha entre os universitários teve um aumento, mas pequeno”, disse.
 
Ao final de sua pesquisa, a terapeuta ocupacional questiona: “Que estresse é esse que o universitário precisa da substância psicoativa para conseguir lidar com o distanciamento social? A gente entende que esse uso acaba sendo pelo lazer e também como uma busca por prazer devido à falta de um prazer saudável”, considerou.
 
Entre as principais curiosidades da pesquisa, de acordo com a dra. Andrea, há um fator de estresse muito grande devido ao retorno para a casa dos pais.
 
“Porque a partir do momento em que eles estão na vida universitária o ritmo é um, e quando se retorna para a casa dos pais tem que voltar à rotina original. Um outro problema averiguado na pesquisa é com relação à dificuldade de organizar o tempo. Porque a rotina da casa dos pais é diferente de uma república ou apartamento que se divide”, contou.
 
Os universitários responderam ainda à pesquisa que durante a pandemia aconteceram aumentos da ansiedade, prejuízos na qualidade do sono e alterações no apetite.


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