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Estado de Minas SEGURANÇA PÚBLICA

Mais de 160 policiais militares morreram vítimas de COVID-19 em Minas

Enquanto a vacina não chega a todos, entidade que representa policiais e bombeiros aponta crescimento nas mortes da tropa mineira


05/04/2021 16:48 - atualizado 05/04/2021 17:43

Policiais não pararam de trabalhar durante a pandemia(foto: 04/12/2020 - Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Policiais não pararam de trabalhar durante a pandemia (foto: 04/12/2020 - Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Os profissionais das forças de segurança e salvamento, que não deixaram de trabalhar um dia sequer durante a pandemia, começam a ver uma luz no fim do túnel com a vacinação anunciada esta semana.

A imunização chega para tentar barrar as recentes mortes na categoria pela COVID-19. Segundo a Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra-MG), 164 policiais militares morreram no estado em razão da doença.

Somente da Polícia Militar, 18,75% da tropa havia sido contaminada pelo novo coronavírus até semana passada, de acordo com a entidade. Também na semana anterior, oito militares morreram e, entre domingo (4/4) e esta segunda-feira (5/4), mais dois policiais perderam a vida para a COVID-19.

O presidente da Aspra, subtenente Heder Martins de Oliveira, diz que os números são preocupantes. “A tropa não parou de trabalhar, está no ‘street office’, né?”, diz. “Infelizmente, apesar da pujança do estado de Minas Gerais, a vacinação dos profissionais de segurança pública chegou tardia. E ela só chegou, não por boa vontade, benevolência do governador, houve necessidade de intervenção.” 

Ele conta que a entidade, ao perceber que outros estados já haviam iniciado a vacinação da classe, ajuizou uma ação para que fosse concedida a vacinação aos policiais e bombeiros.

“O que nós esperamos agora é que não haja interrupção no cronograma de vacinação. Devemos olhar agora para frente, não adianta mais lamentar porque já deveria ter começado há mais tempo. Infelizmente isso não foi possível por vontade política do governo, porque tanto os municípios quanto os estados tinham e possuem autonomia para rever o plano de priorização”, disse Heder.


Escalado para o céu

No último dia 27, quem deixou saudade foi o cabo Thiago Ranier Costa e Silva, de 37 anos, que atuava no 8° Batalhão de Bombeiros (BBM), em Uberaba, no Triângulo Mineiro. O bombeiro lutava contra a doença no Hospital Universitário Mário Palmério desde 6 de fevereiro e recebia apoio dos colegas que pediam diariamente orações pelas redes sociais.

Cabo Ranier foi homenageado por colegas(foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
Cabo Ranier foi homenageado por colegas (foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)


Na data do luto, o ex-comandante da unidade, tenente-coronel Anderson Passos, escreveu um texto em homenagem ao rapaz. Confira na íntegra:

“À postos

É por humana incompreensão que hoje choramos a partida do amigo para nova missão. Deus escalou hoje o querido Cabo Ranier para o batalhão celestial, numa inesperada  chamada emergencial. Seu corpo sofreu, sucumbiu à terrível doença dando fim à sua breve e terrena presença. Bombeiro disciplinado, Cabo Ranier não titubeou quando ouviu do alto o chamado. Logo se apresentou a Jesus dizendo: 

"Cá estou, meu comandante, me diga qual será a missão, quero logo ajudar, dar minha contribuição. Basta o Senhor me dizer aonde devo ir e como devo servir."

Jesus disse: "Fique tranquilo e respire. O amigo parece um tanto cansado. Chegou na hora exata, nem cedo, nem atrasado. Te dei alívio à sua longa luta e agora é a divina labuta. Você nem se lembra, rapaz, já sentou na praça aqui e agora só fez voltar pra trás: pro Batalhão Morada da Paz. Foi profissional expoente, ajudou muita e muita gente. Logo, logo, vai entender porque veio pra cá tão de repente. Semeou na Terra a sua boa semente, foi competente e ainda um grande exemplo de humildade para muito vivente. Agora ficará por aqui zelando pelos seus pares, lançando os seus atentos olhares, tal qual você sempre fazia, arrumando e consertando viaturas de noite e de dia."

O Thiago Ranier merece mesmo cada abraço e carinho. Afinal, a sua boa luz já iluminava o nosso caminho. De uma coisa temos certeza: O que nos pareça errado nesse momento, poderá ter sido um caridoso livramento.

Então, é uma triste hora de gratidão. Pela história dele bem vivida, pelos amores da sua vida, pelas coisas que construiu, por tudo aquilo que viu, até pelas falhas humanas, que mesmo assim foram bacanas.

Muito obrigado, amigo. Vá em paz. O céu recebe um grande anjo e um bombeiro sagaz. Estaremos sempre orando, Jesus na sentinela, Deus no comando.”


Quem será vacinado

Minas Gerais deve iniciar esta semana a imunização dos profissionais das forças de segurança, salvamento e Forças Armadas, já que o setor foi incluído na lista dos que devem ser vacinados com as mais de 1 milhão de doses que começaram a ser distribuídas nesta segunda-feira (5/4).
 
A remessa permitirá a ampliação da vacinação, incluindo idosos entre 65 e 69 anos, e que seja dada prioridade aos profissionais:

  • policiais federais
  • policiais militares
  • policiais civis
  • policiais rodoviários
  • bombeiros militares
  • bombeiros civis
  • guardas municipais

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou que dentro do grupo haverá ainda outros critérios de prioridade:
  • trabalhadores envolvidos no atendimento e transporte de pacientes
  • resgates e atendimento pré-hospitalar
  • ações de vacinação contra COVID-19
  • ações de vigilância das medidas de distanciamento social
  • com contato direto e constante com o público independentemente da categoria

As datas ainda não foram divulgadas. “Agora é esperar o calendário, não há muito o que remoer. Esperamos do governador agora o fiel cumprimento ao cronograma que vai ser estabelecido, e que não haja interrupção, é o mínimo que nós esperamos”, afirmou Heder.

“Tivemos apoio do senador Rodrigo Pacheco, do deputado federal Subtenente Gonzaga, dos comandantes gerais da Polícia Militar, o coronel Rodrigo Sousa Rodrigues, e pelo Corpo de Bombeiros, o coronel Edgar Estevão”, lembra o presidente da Aspra.

Imunização em BH

Em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Saúde informou que estão sendo preparados cadastros para verificar qual o público de trabalhadores das forças de segurança (Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal) que atuam na capital, além de agentes da BHTrans e militares do Corpo de Bombeiros. O registro deverá ser feito para posterior vacinação dos profissionais, também sem data prevista.

“O formulário será disponibilizado pela Secretaria Municipal de Saúde ao longo desta semana e deverá ser preenchido também por trabalhadores que atuam na linha de frente nas unidades e serviços de atendimento à população das áreas de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania. Além de fiscais de Controle Urbanístico e Ambiental, da Secretaria Municipal de Política Urbana, e garis. O formulário deverá ser entregue devidamente preenchido pelos órgãos”, disse a secretaria, em nota.

Vacinados com prioridade

No caso dos possíveis “fura-filas”, vacinação em massa de servidores estaduais que é investigada se houve ou não irregularidade, a lista de imunizados consta 12 policiais militares e um bombeiro.

Questionada pela reportagem, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) respondeu que apenas foram vacinados os militares do Comando de Aviação do Estado (Comave) que participam da limpeza, envelopamento e transporte de casos graves da COVID-19, que estão sendo transferidos entre cidades de Minas Gerais.

“Por estarem em contato direto com vírus, num local pequeno e sem circulação de ar como é o interior da aeronave utilizada, houve a necessidade urgente de serem vacinados para que pudessem continuar o trabalho com o menor risco possível e possibilidade da ação ser interrompida no caso de uma contaminação generalizada desses policiais. A PMMG esclarece ainda que outros militares do COMAVE envolvidos no transporte das vacinas não tiveram esse nível de prioridade”, afirmou.

Sobre o único bombeiro envolvido na lista, o Corpo de Bombeiros jogou a bola para a SES-MG, que informou que “são trabalhadores dos serviços de saúde todos aqueles que atuam em estabelecimentos vinculados à saúde”, indicando que também não houve irregularidade.


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