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Estado de Minas PANDEMIA

COVID-19: lojistas de BH voltam a pedir reabertura imediata do comércio

Entidades ligadas ao comércio novamente alegam que os números comprovam que as atividades não essenciais podem voltar a funcionar


26/01/2021 17:16 - atualizado 26/01/2021 17:48

Comerciantes apresentam números para pedir a reabertura imediata do comércio da capital(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Comerciantes apresentam números para pedir a reabertura imediata do comércio da capital (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Empresários de setores considerados não essenciais voltaram a cobrar, na tarde desta quarta-feira (26/1) a reabertura imediata do comércio de Belo Horizonte e o aumento do número de leitos para tratamento de COVID-19. 
 
Apresentando e comparando números de agosto do ano passado, quando houve a primeira reabertura, e deste segundo período de fechamento, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva acredita que o comércio pode voltar a funcionar. 

“Os números comprovam que as atividades consideradas não essenciais podem ser reabertas. Aliás, não precisavam ter sido fechadas novamente agora no mês de janeiro. Nós retrocedemos ao mesmo nível que foi adotado pela Prefeitura em março passado.”

Ele enfatizou que “Belo Horizonte é a primeira grande cidade a fechar e a última a abrir. Temos, inclusive, alguns setores da economia que não voltaram a ter seu trabalho licenciado. À economia da capital foi imposta a maior quarentena do mundo e queremos lembrar que quando houve o primeiro fechamento, há 10 meses, o objetivo era reestruturar o setor da saúde para o que viria a acontecer”, disse. 

Segundo ele, as razões alegadas agora foram a ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria, que no início do mês estavam em 83,5% e 67,3%, respectivamente. “Os índices estavam assim porque a prefeitura fechou 175 leitos de UTI e 276 leitos de enfermaria na Rede SUS, a partir do mês de setembro. Esses leitos foram destinados para outros tratamentos e não houve reativação desses leitos, mesmo a Prefeitura sabendo desde o início de novembro que os números estavam subindo e tinha projeção que iam aumentar.” 
 

Comparando números


O presidente explica que em 6 de agosto de 2020, quando o comércio foi reaberto, os números de leitos do SUS eram 424 contra 249 em 5 de janeiro. Já os de enfermaria eram 1.115 contra 839. “Estamos batendo na tecla da necessidade de termos os leitos abertos. Não é simplesmente para a volta do comércio, é para garantir para toda a população que tenhamos um número suficiente de leitos para o atendimento caso seja necessário”, ressaltou.
 
“Em 6 de agosto nós tínhamos mais pessoas internadas e conseguimos reabrir o comércio com todos os protocolos exigidos. O número de pessoas internadas atualmente é menor que na data de reabertura em agosto. Caso não houvesse o fechamento desses leitos e considerando os leitos disponíveis em agosto, o índice de ocupação dos leitos destinados ao tratamento da COVID seriam inferiores a data da reabertura e estariam no nível amarelo.”

De acordo com ele, a atitude de fechar o comércio era para reduzir a circulação das pessoas na cidade. “A própria Prefeitura já declarou diversas vezes que o comércio não é um grande foco de transmissão do vírus e não é responsável pelo surto de contaminação. Temos certeza que é o comportamento das pessoas. Por isso, precisamos trabalhar muito forte essa questão. A razão alegada é que o fechamento do comércio reduziria a mobilidade social na cidade, ou seja, o número de pessoas circulando nas vias públicas seria melhor”.

No entanto, Souza e Silva alega, “os próprios dados da Prefeitura mostram que o fechamento do comércio não reduziu a mobilidade das pessoas. Quando o comércio estava funcionando tivemos índices de isolamento maiores do que agora com o fechamento (46,03% contra 45%). Em 15 de dezembro, em pleno período de compras natalinas, os índices de isolamento foram de 45,5%, índice não alcançado em dias úteis desde 11 de janeiro”. 

Segundo ele, também, mesmo com o fechamento do comércio não houve alteração no trânsito da cidade. A população continuou consumindo, mas nas cidades do entorno que se mantém com restrições mais brandas. Outro ponto é o transporte coletivo, já que a Prefeitura autorizou a diminuição do número de ônibus em circulação. "É visível que os ônibus estão andando com mais pessoas que estão se aglomerando no transporte coletivo.” 

Diálogo e alternativas para a volta das atividades 


As entidades do setor esperam que a decisão de fechamento do comércio seja revertida de maneira imediata, mesmo que de forma mais restrita e com funcionamento diferenciado. “Estamos prontos para conversar, buscar essas soluções o mais rápido possível. Queremos também a ampliação do número de leitos destinados ao tratamento da COVID.” 

Os membros do setor propõem que a abertura do comércio seja feita de maneira mais cautelosa, reforçando os protocolos, com limites mais restritos de ocupação e que fosse permitido o atendimento dos clientes na área externa das lojas, com segurança para os clientes. Elas querem, ainda, reforçar as campanhas de conscientização e apoio para a população em geral. Solicitam também o fortalecimento da fiscalização orientativa e punitiva e a criação de um canal direto de informações e denúncias, com a verificação efetiva.  

As entidades esperam uma interlocução maior com o governo estadual e federal para que haja ampliação dos leitos de UTI disponíveis na capital. “Estamos preocupados primeiro com a vida das pessoas e que quem precisar tenha um tratamento adequado, mas também que as atividades não essenciais voltem a funcionar”, disse o presidente da CDL/BH. 

Elas também esperam o aumento da oferta de transporte público, além da elaboração, de forma conjunta, de um plano emergencial de recuperação do comércio da cidade. "Esperamos diálogo, com tentativas, fazendo sugestões. Precisamos que a Prefeitura fortaleça o diálogo com as cidades vizinhas. Ter um diálogo permanente com outros setores do poder público é muito importante. Fazer com que a vacinação seja feita conforme o planejamento nacional e diálogo com a sociedade civil organizada”, finalizou. 

Membros de outras entidades ligadas ao comércio da capital também cobraram da Prefeitura de Belo Horizonte um planejamento para a volta das atividades não essenciais. 
 
*Estagiária sob supervisão da editora-asistente Vera Schmitz


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