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Estado de Minas Agressões

Violência contra idoso cresce 82,22% em Minas durante pandemia

Pesquisadora da Escola de Enfermagem da UFMG analisou dados do Disque 100 que apontam para crescimento em todo o Brasil


22/01/2021 10:36

Em todo o Brasil, foram 41.547 denúncias de violência contra o idoso no primeiro semestre de 2020(foto: Mário Oliveira %u2013 SEMCOM)
Em todo o Brasil, foram 41.547 denúncias de violência contra o idoso no primeiro semestre de 2020 (foto: Mário Oliveira %u2013 SEMCOM)
A violência contra o idoso cresceu 82,22% em Minas durante a pandemia do COVID-19. Foram 5.963 denúncias de violência, no primeiro semestre de 2020 enquanto, no mesmo período em 2019, foram 3.202, ou seja 2.761 a mais na quarentena.

Os números no Estado seguem a  tendência nacional, que apresentou também crescimento na ordem de 90%. Em todo o Brasil, foram 41.547 denúncias de violência contra o idoso no primeiro semestre de 2020, frente aos 21.749 no mesmo período de 2019.

Os dados foram levantados pela pesquisadora Fabiana Martins Dias de Andrade da Escola de Enfermagem da UFMG. Ela analisou os dados do Disque 100, canal do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos de denúncia de maus-tratos a pessoas com mais de 60 anos. Foram analisados os dados do primeiro semestre de 2019 e do primeiro semestre de 2020.

As pesquisas sobre violência contra idosos demonstram que os principais agressores são parentes, cuidadores, pessoas próximas a eles e, muitas vezes, a violência ocorre na própria casa. A pesquisadora lembra que a pandemia impôs o isolamento social, situação em que os idosos tiveram que passar mais tempo com os familiares na residência, numa hiperconvivência.

A violência contra o idoso pode ser de diferentes tipos: física, psicológica, negligência, abandono e violência patrimonial. Na dissertação de mestrado Padrões de violência contra idosos: análise pelo Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes, defendida em setembro de 2019 no Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UFMG, a pesquisadora identificou que a maior ocorrência da violência é a física. No entanto, ela levantou também casos de violência contra o idoso ocorridos na via pública.

Na dissertação, a pesquisadora identificou que os padrões de violência contra os idosos do Brasil são marcados pelo gênero. As mulheres costumam ser agredidas em casa por familiar ou companheiro e os homens são violentados nas ruas, por um estranho, sob efeito de bebida alcoólica.

Para a pesquisa do mestrado, ela analisou duas bases de dados do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva) do Ministério da Saúde: o Viva Inquérito, que trata dos atendimentos de emergência nas capitais, e o Sistema de Notificação de Agravos (Sinan), referente às notificações dos serviços de saúde.

Os dados do Viva Inquérito mostraram que a maioria das vítimas é formada por pessoas de 60 a 69 anos de idade, de baixa escolaridade, não brancas, residentes na região Norte do país e que sofreram, sobretudo, violência física.


Pacto nacional na pauta



Minas Gerais pretende aderir ao Pacto Nacional de Implementação da Política de Direitos da Pessoa Idosa. A posição foi apresentada durante reunião virtual na terça-feira (19/01). A adesão ao pacto está sendo articulada pela Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (SDPI/MMFD) junto a dez estados.

TRÊS PERGUNTAS PARA
Fabiana Martins Dias de Andrade
Pesquisadora Escola de Enfermagem da UFMG 


A pandemia criou condições favoráveis para a violência contra o idoso?
Sim. O distanciamento social necessário para conter a disseminação da pandemia por Coronavírus, a piora nas condições de vida, os problemas financeiros, as incertezas futuras e o temor pelo adoecimento, tendo em vista que os idosos fazem parte do grupo de risco para COVID-19, são fatores que contribuem para favorecer a ocorrência de violência contra o idoso e demais grupos populacionais.


 Há uma cultura de desvalorização do idoso na sociedade brasileira?
Sim, infelizmente é comum ouvirmos frases do tipo “ele tá velho”, “não serve para mais nada” nos dias de hoje. E essas frases/pensamentos não são verdades, o idoso ele tem muito a contribuir com a sociedade com sua experiência e sabedoria. Essa desvalorização precisa ser enfrentada, o envelhecimento populacional é uma realidade no Brasil e no mundo, e, portanto, questões como valorização do idoso, a meu ver precisam ser discutidas.


 Tendo em vista que familiares são os principais agressores, como proteger os idosos?
A família precisa ser considerada no planejamento das ações governamentais e nas políticas públicas. Os familiares precisam ser conscientizados e apoiados na sua responsabilidade em relação ao cuidado do idoso. Além disso, o Estado segundo o Estatuto do Idoso, é obrigado a assegurar aos idosos, proteção à vida e à saúde, por meio da efetivação de políticas sociais públicas que possibilitem um envelhecimento saudável e em condições dignas de vida.


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