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Estado de Minas LESTE DE MINAS

'FRIDA' conquista Prêmio Inova por defender mulheres vítima de violência

A escrivã da Polícia Civil, Ana Rosa Campos, criadora do "Chame a Frida", comemora a conquista do Prêmio Inova e os bons resultados do canal de denúncias


07/12/2020 14:52 - atualizado 07/12/2020 17:09

A escrivã da Polícia Civil, Ana Rosa Campos, criou o 'Chame a Frida', que atende a mulheres vítimas da violência doméstica
A escrivã da Polícia Civil, Ana Rosa Campos, criou o "Chame a Frida", que atende a mulheres vítimas da violência doméstica (foto: Reprodução Instagram Ana Rosa)
Uma iniciativa inovadora no atendimento às mulheres que são vítimas da violência doméstica em Minas Gerais recebeu o Prêmio Inova, do governo de Minas, conquistando o primeiro lugar na modalidade Inovação em Políticas Públicas. A iniciativa premiada é o "Chame a Frida", ou simplesmente FRIDA, uma atendente virtual da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), da Polícia Civil de Minas Gerais, criada pela escrivã Ana Rosa Campos, que atua na Deam de Manhuaçu.  

Bem-sucedida, a iniciativa já foi adotada em Governador Valadares, Caratinga e Abre Campo. A atendente virtual FRIDA funciona com um chatbot no WhatsApp, que ampara e fornece atendimento durante 24 horas por dia para as mulheres.

O nome FRIDA é uma homenagem à Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, a Frida Kahlo, artista plástica mexicana e ativista dos direitos das mulheres vítimas de violência, cuja imagem icônica, com sobrancelhas grossas e unidas, é cultuada mundo afora.

Ana Rosa criou a FRIDA motivada pela imagem forte do quadro pintado por Frida Kahlo, em 1935, intitulado “Unos Cuantos Piquetitos”, onde um corpo nu de uma mulher, golpeado por 20 facadas, e completamente ensanguentado em cima de uma cama, revela situações cotidianas que envolvem os muitos feminicídios praticados atualmente.

"Escolhi o nome FRIDA para o projeto não só porque Frida Khalo é uma das mulheres mais importantes do século 20, mas também, porque ela foi, talvez, a primeira pintora a retratar um crime de feminicídio em um quadro", explicou Ana Rosa.

“A primeira vez que vi o quadro 'Unos Cuantos Piquetitos', de 1935, fiquei extremamente emocionada, até porque, o assassino está retratado na cena do crime, debochando da situação. Ele matou a companheira com 20 facadas e debochou da gravidade do seu ato, dizendo que foram apenas 'alguns golpezinhos'. E isso é atual, acontece até hoje em nossa sociedade, inclusive nos casos em que trabalho todos os dias”, disse Ana Rosa.

Nascimento da 'FRIDA'


Bacharel em direito, com especialização em violência doméstica, Ana Rosa não tinha recurso financeiro nenhum para criar o atendimento, mas com um celular doado por um colega policial e um chip, criou o chatbot no WhatsApp, custeando tudo com recursos próprios. Quando divulgou o número nas redes sociais, ela começou a receber apelos dramáticos de muitas mulheres, que durante a pandemia do novo coronavírus, sofriam vários tipos de violência e não podiam se deslocar até a DEAM.

De Manhuaçu para Governador Valadares, a maior cidade do leste de Minas, foi um pulo. A delegada Adeliana Xavier, da DEAM/GV, observou que nas primeiras semanas do isolamento social entre março e abril, por causa da pandemia do novo coronavírus, o número de atendimento em sua delegacia havia despencado. “Eu sabia que as mulheres estavam sofrendo violência, caladas, dentro de suas casas, confinadas com o agressor, com os filhos, envolvida com as tarefas domésticas e atividades de escola, sem poder ir à delegacia fazer denúncias”, disse.

'Unos cuantos piquetitos', quadro de Frida Khalo, que retrato um feminicídio, inspirou Ana Rosa a criar o 'Chame a Frida'
'Unos cuantos piquetitos', quadro de Frida Khalo, que retrato um feminicídio, inspirou Ana Rosa a criar o 'Chame a Frida' (foto: Reprodução Redes Sociais)
Adeliana, então, implantou um canal para denúncias, via WhatsApp, com um aparelho telefônico usado e assumindo os custos com recursos próprios. “Mas aí, o nosso delegado regional, me apresentou o 'Chame a Frida', criado pela Ana Rosa, que passou as orientações de como criar o Chatbot no WhatsApp. E os resultados foram impressionantes". 

Em Governador Valadares, de zero, o número de atendimentos saltou para 8, diariamente. “Na Frida, a mulher faz o agendamento de medida protetiva, consegue a cópia, emite a guia para exame no IML, tira dúvidas, além de ser direcionada ao site da delegacia virtual se precisar fazer um boletim de ocorrência”, explicou a delegada, lembrando que a Frida evita as aglomerações na delegacia e isso é bom para todos em tempos de pandemia.

Em Manhuaçu, a FRIDA já realizou mais de 400 atendimentos e, no total, somando todas as cidades que ja colocaram Frida em suas delegacias, o número supera 850 atendimentos. E já possibilitou três prisões em flagrante. “Em um dos casos, uma mulher acionou o 190 que não atendeu, falhou. Ela então chamou a gente, mandou a localização na Frida, por GPS, a viatura chegou e impediu um crime de feminicídio que iria acontecer se a polícia não tivesse chegado a tempo”, disse Ana Rosa.

FRIDA pode virar lei

O sucesso da FRIDA vai além da conquista do Prêmio Inova. O deputado estadual Marquinho Lemos (PT), apresentou projeto de lei à Assembleia Legistiva de Minas Minas, sob o número  2.149/2020, instituindo o serviço de denúncia de violência contra a mulher denominado “Chame a Frida”, via WhatsApp, em todo o estado.

“Um grupo de 5 mulheres criou o Coletivo Chame a Frida e nos apoiou. Rayane Mara Nunes (que tem formação em ciências contábeis), Sara Alves de Assis e Raiane Ferreira Coelho (graduandas em Psicologia) e Camila Toledo (historiadora) criaram o site, trabalharam muito, o que mostra a força da mulher no projeto. Graças a elas, o deputado  transfornou o 'Chame a Frida' em um projeto em projeto de lei”.

Saiba como acessar o serviço "Chame a Frida" no site: https://chameafrida.com 


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