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Estado de Minas Zona da Mata

Empresa é punida por fornecer álcool gel adulterado à Prefeitura de Viçosa

Essenza Indústria Química Eireli, sediada em Contagem, na Grande BH, está suspensa de licitações em Viçosa por dois anos; empresa pode recorrer da decisão


08/10/2020 22:36 - atualizado 08/10/2020 23:12

O álcool gel seria enviado às escolas da rede municipal, unidades básicas de saúde e todas as demais secretarias, onde seria oferecido à toda a população(foto: Divulgação / Prefeitura de Viçosa)
O álcool gel seria enviado às escolas da rede municipal, unidades básicas de saúde e todas as demais secretarias, onde seria oferecido à toda a população (foto: Divulgação / Prefeitura de Viçosa)
Depois de fornecer um lote de 500 galões de cinco litros de álcool gel 70° de cor amarela e forte cheiro de cachaça, da marca Touch, à Prefeitura de Viçosa, na Zona da Mata, a empresa Essenza Indústria Química Eireli, sediada em Contagem, na Grande BH, está suspensa de participar de licitações junto ao município pelo período de dois anos. A organização tem até a próxima terça-feira (13) para apresentar recurso.

Ainda conforme o parecer jurídico no Procedimento Administrativo 2307/2020, aberto pela administração municipal para apurar o caso, a firma teve o contrato, no valor de R$ 11 mil, rescindido. De acordo com a secretária municipal de Administração de Viçosa, Juliana Bailon, a Essenza pode ainda responder pelo fornecimento de produto irregular junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 



Segundo Bailon, o álcool gel seria enviado às escolas da rede municipal, unidades básicas de saúde e todas as demais secretarias, onde seria oferecido à toda a população, em dispensers dispostos em locais de fácil acesso. O produto foi recebido pelo almoxarifado e, como de praxe, foi encaminhada uma amostra de conferência ao solicitante, no caso, a própria secretária.

“Quando testei, fiquei assustada com o cheiro forte de cachaça, a cor amarelada e a consistência, muito líquida”, afirma. Bailon entrou em contato com a empresa, ainda no prazo contratual de 15 dias após o recebimento, para solicitar a troca do lote. “Em 2 de setembro, disseram que iriam mandar outra remessa, mas, no dia seguinte, informaram que o Setor de Qualidade interno havia testado amostras do mesmo lote e que ele estava dentro dos parâmetros exigidos pelos órgãos de controle”, diz.

Indignada com a justificativa, a secretária decidiu solicitar um laudo externo, da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Dez galões do produto foram encaminhados para ao Laboratório de Bebidas Destiladas e Fermentadas, do Departamento de Química da instituição de ensino.

Dentre os seis quesitos analisados pela UFV, apenas a densidade apresentou-se dentro dos padrões da Anvisa(foto: Divulgação / Prefeitura de Viçosa)
Dentre os seis quesitos analisados pela UFV, apenas a densidade apresentou-se dentro dos padrões da Anvisa (foto: Divulgação / Prefeitura de Viçosa)


Dentre os seis quesitos analisados – aspecto, cor, pH, teor alcoólico, odor e densidade – apenas o último apresentou-se em conformidade com as especificações técnicas da Anvisa. O resultado aponta ainda “o cheiro de aguardente e cachaça”, a “cor amarelada” e a “pouca viscosidade” do produto. 

Por meio de nota, a Essenza diz ter como eixo principal a qualidade de seus produtos. “Como empresa idônea e responsável, já estamos investigando o ocorrido. Com a constatação, pela Universidade de Viçosa, da incompatibilidade de parte de um único lote específico de produtos com o padrão de conformidade que estabelecemos, prontamente nos disponibilizamos a realizar a troca”, informa, contradizendo o procedimento administrativo da Prefeitura de Viçosa.

A Essenza diz ainda ter um histórico de fornecimento de produtos seguros: “Nunca houve situação semelhante a essa, e por isso somos os primeiros interessados em solucionar qualquer problema.”


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