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Estado de Minas ZONA DA MATA

Governo de Minas e Prefeitura de Viçosa vão financiar leitos de UTI infantil

Segundo Diretoria Administrativa do Hospital São Sebastião, 800 mil pessoas de três microrregiões vão ser beneficiadas


08/10/2020 21:03 - atualizado 08/10/2020 21:32

A UTI leva o nome de Otávio Henrique de Oliveira, filho de Juliana Oliveira:
A UTI leva o nome de Otávio Henrique de Oliveira, filho de Juliana Oliveira: "Plantei a minha semente mais preciosa, para que hoje muitas famílias pudessem colher frutos de amor" (foto: Divulgação / Prefeitura de Viçosa)
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Minas Gerais, juntamente com a Prefeitura de Viçosa, na Zona da Mata, assumiu ontem o compromisso de financiar os sete leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Infantil do Hospital São Sebastião (HSS).

A finalização da montagem dessa ala ocorreu em maio e, em princípio, a UTI foi usada para receber, exclusivamente, crianças com COVID-19. Agora, com a garantia dos recursos de custeio vindos do estado e do município, o atendimento estende-se a outras doenças e vai beneficiar, segundo a diretora administrativa do HSS, Ildamara Menezes, toda a macrorregião Leste do Sul dependente do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Na nossa região, temos um vazio muito grande de leitos pediátricos de terapia intensiva. Hoje, há duas crianças de Viçosa em hospitais de Juiz de Fora e precisamos trazê-las para casa”, afirma. Com os empenhos públicos, principalmente, as microrregiões de Viçosa, Ponte Nova e Manhuaçu, num total de 64 municípios e 800 mil pessoas, serão favorecidas. 



De acordo com Menezes, para construção e montagem da ala, o governo estadual já havia repassado, desde 2012, R$ 2,5 milhões. Hoje, os sete leitos atendem aos requisitos previstos na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tanto no que diz respeito à estrutura física, quanto aos equipamentos. “Já temos 90% dos profissionais necessários para atuarem na UTI”, acrescenta. 

Em Viçosa, a principal unidade de saúde para recebimento dos pacientes portadores do novo coronavírus é o Hospital São João Batista, onde há 50 leitos clínicos adulto. Dos 17 leitos de UTI disponíveis ao SUS para atender enfermos com a doença, 10 funcionam no Hospital São João Batista, e esses sete, do HSS, eram dedicados, exclusivamente, ao atendimento de crianças com COVID-19.

O financiamento das esferas estadual e municipal se faz necessário, nesse momento, porque em 30 de setembro foi encerrado o convênio desses sete leitos com o SUS, para tratamento dos pacientes portadores do novo coronavírus. “Com esse fim exclusivo, não havia mais necessidade. Mas pleitearmos o credenciamento junto ao governo federal e para passarmos a receber, direto da União, para atendimento intensivo a todas as patologias, conforme prevê a RDC, temos de fazer uma série histórica de atendimentos, inclusive, com procedimentos de alta complexidade, e não havia como manter a ala em operação”, esclarece Menezes.

Bom exemplo

Durante a visita ao hospital, na quinta-feira (8), o governador Romeu Zema, acompanhado pelo secretário de Estado de Saúde, o médico Carlos Eduardo Amaral, destacou o bom trabalho desenvolvido pelo município no combate à pandemia. "Fico satisfeito que essa inauguração esteja acontecendo numa das cidades que é exemplo na condução da pandemia. A taxa de óbitos de Viçosa é 10 vezes menor que a de Minas Gerais, que já é a menor do Brasil. Isso demonstra que o poder público pode fazer muito", afirmou.

Semente de amor

A UTI leva o nome de Otávio Henrique de Oliveira, filho de Juliana Oliveira, do Instituto Minuto pela Vida, que faria 6 anos em 2020. De 2005 a 2011, ele lutou com a família por uma vaga de UTI na região, até não mais resistir. “Praticamente, morávamos nesse hospital e, quando conseguia uma vaga de UTI, fora daqui, sabia que era por que uma outra mãe não tinha tido a chance de internar seu filho”, recorda.

Para ela, a UTI é fruto de uma semente de amor. “Quando o Otávio faleceu, ele precisava de uma UTI, para morrer com mais dignidade, com conforto respiratório. Não conseguimos essa vaga. Vi a saturação dele cair e escutei até a última batida do coração do meu filho, no meu colo. Embora essa UTI leve o nome do Otávio, e ele tenha morrido, ela representa vida. Plantei a minha semente mais preciosa, para que hoje muitas famílias pudessem colher frutos de esperança, amor e vida”


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