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Estado de Minas REABERTURA

"Essa reabertura é tampar o sol com a peneira", diz dono de restaurante em BH

Empresários do setor e entidades criticam restrições na reabertura de estabelecimentos na capital anunciada por Kalil e esperam ajustes nas próximas semanas


20/08/2020 16:31 - atualizado 20/08/2020 19:23

Restaurantes poderão funcionar a partir de segunda-feira, de 11h às 15(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Restaurantes poderão funcionar a partir de segunda-feira, de 11h às 15 (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Apesar da flexibilização do funcionamento de restaurantes durante a semana, empresários do setor não se sentiram satisfeitos com o protocolo divulgado pela prefeitura de Belo Horizonte na tarde desta quinta-feira (20). Vários donos de empreendimentos na capital acreditam que a reabertura gradual é insuficiente para amenizar os enormes prejuízos da atividade, fechada há mais de cinco meses na cidade.
 
O prefeito Alexandre Kalil anunciou nesta tarde que os restaurantes – que só seriam contemplados na fase 2 do programa de reabertura da economia – poderão reabrir suas portas de segunda a sexta-feira, de 11h às 15h. Nos fins de semana, eles deverão ficar fechados, com exceção dos serviços de delivery.

Proprietário do restaurante Chef Túlio, na Região Leste da capital, Túlio Montenegro, de 72 anos, acredita que a medida só serve para prejudicar os comerciantes que estão na região central da capital: "É muito vergonhoso. Isso é uma palhaçada. A periferia de Belo Horizonte está trabalhando de porta aberta e nunca parou. Você vai no Alto Vera Cruz, Taquaril ou em outros locais. Estão todos funcionando do mesmo jeito. Dentro da 'famosa Avenida do Contorno', o Kalil não deixa ninguém fazer nada. Como vou fazer para vender 30 ou 40 almoços a R$ 12 de segunda a sexta-feira? É uma tremenda de uma falcatrua. E 70% do dinheiro que entra num bar ou restaurante entra à noite. O restante é durante o dia". 

O empresário mantém o negócio há 25 anos e conta atualmente com seis funcionários. O comerciante diz que o prefeito só atendeu de fato às camadas do entorno da capital, que, segundo ele, continuam com seus estabelecimentos abertos: "Ele foi politiqueiro, porque sabe que toda a periferia de Belo Horizonte vai reelegê-lo". Ele lembra que vários de seus funcionários pertencem ao grupo de risco (maiores de 60 anos) e terão de tomar cuidados redobrados.

Dono do Porcão, na Avenida Raja Gabaglia, Fernando Júnior evitou demissões e manteve os 96 funcionários de sua empresa com sacrifícios. Ele critica a restrição dos horários de funcionamento dos restaurantes e lembra que os ônibus continuarão com aglomerações no dia a dia: "Enquanto restringem os restaurantes, eles colocam todos no ônibus ao mesmo tempo. É muito mais gente num ônibus cheio do que num restaurante. Fico me perguntando se não há marcação com nosso setor... Somos a capital mundial dos bares e restaurantes. E são muitas famílias que dependem do serviço"

Para o empresário, a medida não soluciona o problema dos comerciantes: "Essa reabertura é tampar o sol com a peneira. É uma brincadeira feita com o setor que está esperando reabertura há mais de 150 dias. O problema maior é que não aguentamos mais pagar funcionário para ficar em casa, sem trabalhar. O aluguel é cobrado normalmente. É uma covardia. Todos sabem que a maior parte do faturamento é à noite e com bebidas alcóolicas. Não acredito que restringir o horário de funcionamento diminua a concentração. Pelo contrário, ela é menor se você aumenta os horários".

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também impôs críticas à abertura com ressalvas dos restaurantes.

Segundo o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, o prefeito demonstra, novamente, desrespeito e desumanidade com os milhares de empreendedores e trabalhadores deste setor e com a sociedade belorizontina. “Belo Horizonte é a única capital brasileira que não retomou com as atividades de bares e restaurantes. A forma como a questão está sendo tratada é rasa, sem transparência. Não somos os vilões e não aceitaremos ser bode expiatório da crise. Essa concessão de abrir na hora do almoço não resolve a questão, é como colocar um esparadrapo numa hemorragia”.

Mais otimista, Paulo Pedrosa, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de BH e Região Metropolitana (Sindhorb) espera que o protocolo tenha ajustes nas próximas semanas: É uma vitória do Sindhorb, que sempre pediu o diálogo e achávamos que judicializar o processo não era a resposta. Agora vamos obedecer e seguir o protocolo para uma retomada com segurança. A expectativa é recuperar um pouco dessa perda de cinco meses completos com as portas fechadas. Agora vamos retomando 30% a 40% das vendas e vamos aguardar para as próximas semanas a reabertura dos bares e restaurantes à noite também".


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