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Estado de Minas RELIGIÃO

COVID-19 restringe cerimônia em homenagem a Nossa Senhora da Piedade

Nos 60 anos como padroeira de Minas Gerais, a festa com devotos foi substituída por missa discreta presidida pelo arcebispo metropolitano de BH


31/07/2020 16:35 - atualizado 31/07/2020 16:56

Dom Walmor Oliveira de Azevedo presidiu a celebração desta sexta-feira (31)(foto: Arquidiocese de Belo Horizonte/divulgação)
Dom Walmor Oliveira de Azevedo presidiu a celebração desta sexta-feira (31) (foto: Arquidiocese de Belo Horizonte/divulgação)
Era para ser um dia de muita festa, com milhares de peregrinos subindo a Serra da Piedade, em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para saudar os 60 anos de Nossa Senhora da Piedade como padroeira de Minas Gerais. Mas, devido à pandemia do novo coronavírus, a missa presidida nesta sexta-feira (31) pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, também presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), contou com a presença de apenas alguns representantes da Sociedade São Vicente de Paulo.

Tradicionalmente, nessa data, os vicentinos chegam em caravana para homenagear a padroeira, cuja imagem esculpida por Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814) fica no altar da ermida do século 18 e hoje a menor basílica do mundo. A Igreja das Romarias, integrante do complexo do Santuário da Serra da Piedade, tambem é basílica.

Na homilia, dom Walmor convocou cada pessoa a ser mais solidária e consoladora. O arcebispo explicou que a solidariedade é "a força capaz de reconstruir os caminhos da sociedade". Dom Walmor advertiu que os embates, tão frequentes no contexto atual, devem ceder espaço para atitudes mais consoladoras. "O Espírito Santo é o consolador. Ele habita cada pessoa. Em vez de embates, devemos nos dedicar mais a levar ao próximo uma palavra que promova a alegria de viver. Vamos fazer das nossas diferenças uma grande força de solidariedade e de consolação", concluiu o arcebispo.

Depois de mais de quatro meses fechada, devido à pandemia, a basílica localizada no alto da Serra da Piedade foi reaberta para a celebração que começou às 15h, com transmissão pelas redes sociais e meios de comunicação católicos.

Para dom Walmor, celebrar as seis décadas da proclamação que consagrou Minas Gerais a Nossa Senhora da Piedade é oportunidade para contemplar o passado, de modo reverente, e se inspirar para necessárias providências na atualidade. "O reconhecimento pela Igreja de que Nossa Senhora da Piedade é a padroeira de Minas, da importância de seu santuário, no alto da serra, é uma herança dos nossos antepassados que precisamos honrar cada vez mais. Todos devem cuidar deste santuário, que é patrimônio religioso, ecológico, histórico e cultural. Lugar que convida à contemplação, fonte de bênçãos e de graças, o coração de Minas".

De acordo com a Arquidiocese de BH, não há data para reabertura do santuário aos peregrinos. Em nota, a assessoria informa que visitas futuras serão por agendamento. Nos mais de 250 anos de história do Santuário da Padroeira de Minas Gerais, no alto da Serra da Piedade, será a primeira vez que não haverá grande peregrinação de hoje atésetembro. A cada ano, o local recebe cerca de 500 mil pessoas. Outro problema que impedia as celebrações resolvido, com a retirada, pelo Departamento de Estradas e Edificações de Minas Gerais (DER-MG), de uma rocha que ameaçava rolar sobre o acesso ao topo da montanha. Um muro de contenção, para evitar que visitantes sejam atingidos por pedras, está em construção também a cargo do departamento.

ARQUITETURA DIVINA

A proclamação de Nossa Senhora da Piedade como padroeira de Minas Gerais ocorreu em 31 de julho de 1960, fato que motivou uma grande festa na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

A oficialização foi feita pelo papa João XXIII (1881-1963), atendendo ao pedido dos bispos mineiros, entre eles o então arcebispo metropolitano de Belo Horizonte dom Antônio dos Santos Cabral (1884-1967), e do arcebispo coadjutor e administrador apostólico, dom João Resende Costa, bem como do governador do estado, José Francisco Bias Fortes (1891-1971). Nesse processo, destacou-se também o trabalho de dom Carlos Carmello de Vasconcelos Motta (1880-1982), mais conhecido como Cardeal Motta e que hoje batiza a praça em frente da ermida.

Com altitude de 1.740 metros, a Serra da Piedade abriga histórias de fé e até política. Foi no alto, por exemplo, que o ex-presidente Tancredo Neves (1910-1985) deu início à campanha de redemocratização do país, em 1984. Em dias muito claros, é possível vislumbrar a Serra do Caraça, o espelho d’água de Lagoa Santa, toda a cidade de Caeté, com o pontilhão ferroviário, e outros municípios da RMBH. O ponto principal, sem dúvida, é a ermida que dá exatamente o clima de “pedacinho do céu” de manhã bem cedo, quando nuvens baixas tomam conta do topo da serra.

A fama do lugar teria começado entre 1765 e 1767, conforme a tradição oral, com a aparição de Nossa Senhora, com o Menino Jesus nos braços, a uma menina, muda de nascimento, cuja família vivia na comunidade de Penha, a seis quilômetros da serra. Nesse momento, a menina teria conquistado a fala. Mais tarde, em 1773, o templo seria construído pelo ermitão português Antônio da Silva, o Bracarena.  


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