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Estado de Minas PANDEMIA

Fato ou fake? Álcool em gel pode causar incêndio dentro do carro?

Conversamos com especialistas, que explicaram o que pode ocorrer quando o veículo e o produto ficam muito tempo expostos ao sol


postado em 28/04/2020 09:00 / atualizado em 28/04/2020 10:00

(foto: Pikrepo/Divulgação)
(foto: Pikrepo/Divulgação)

Os cuidados contra o coronavírus fizeram com que, ao sair de casa, as pessoas carregassem mais que o kit básico carteira/chave/celular. Agora, é preciso somar a isso pelo menos máscaras para proteger o rosto e um recipiente contendo álcool para desinfetar aos mãos. E por este último ser inflamável, circularam pelas redes sociais alguns relatos de que a substância teria dado início a incêndio dentro de um veículo.

Conversamos com Vânya Pasa, coordenadora do Laboratório de Ensaios de Combustíveis da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para saber se é possível que isso ocorra. “Possibilidade existe, já que o álcool é um combustível. Mas, para isso acontecer, é preciso que haja algum agente externo, como uma faísca ou uma fonte de calor. Agora, a autocombustão do álcool é muito improvável, já que exigiria uma temperatura de 300 graus Celsius”, explica.

Mesmo assim, na visão de Vânya, é preciso tomar cuidado. “Se o carro tiver que ficar no sol, evite deixar o álcool dentro. Mas, se ficar, não deixar o frasco exposto ao sol, Deixe embaixo do banco ou dentro do porta-luvas. E, mesmo à sombra, sempre se certificar que o frasco de álcool está fechado", aconselha. Ela explica que o ponto de fulgor do álcool (etanol 100%) é de 16,6 graus Celsius, ou seja, já a partir desta baixa temperatura ele se volatiliza e pode, quando em contato com uma fonte externa (chama ou faísca), até explodir.

A coordenadora do Laboratório de Ensaios de Combustíveis da UFMG pede uma atenção especial para o álcool na forma líquida, que, devido à falta do gel no mercado, começou a ser mais utilizado. “O álcool líquido é mais perigoso porque é mais volátil, diferente do gel, que prende o alcool dentro da sua estrutura. Além de não espalhar, o gel não volatiliza com tanta facilidade, por isso é mais seguro. Já o liquido gera mais vapor, que pode saturar o ambiente e, se der uma faísca, por exemplo, pode ocasionar uma explosão”, alerta.

Juliana Fedoce Lopes, doutora em química e professora da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), concorda que, como gás, é mais fácil de o álcool atuar como um combustível, porém, para ter combustão, seria preciso ainda uma substância 'comburente', que poderia ser o oxigênio presente do ar, e uma fonte externa de ignição.

O álcool 70% em gel é menos inflamável justamente pela composição do gel, que diminui um pouco a sua capacidade de evaporar. Porém, devemos ter precaução em qualquer uso de álcool, independente da formulação”, afirma. Para ela, apesar de um incêndio nessas condições ser improvável, não é recomendável transportar e nem deixar grandes quantidades de álcool 70% em carros com as janelas fechadas e exposto ao sol. “Se for necessário, transporte com você na bolsa quantidades menores para usos eventuais”, recomenda.


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