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Estado de Minas ENTREVISTA EXCLUSIVA

'Furacão tem que virar ventania', diz secretário de saúde sobre pandemia

Carlos Eduardo Amaral afirma que restringir circulação de pessoas é essencial para que 'furacão' do pico de casos de coronavírus atinja Minas de forma menos impactante


postado em 14/04/2020 04:00 / atualizado em 14/04/2020 09:22

''O governador e eu estamos extremamente alinhados, estudando o impacto de cada medida. As secretarias estão analisando juntas os riscos de cada uma. Isso é o que chamamos de protocolo'' (foto: TÚLIO SANTOS/EM/D.A. PRESS)
''O governador e eu estamos extremamente alinhados, estudando o impacto de cada medida. As secretarias estão analisando juntas os riscos de cada uma. Isso é o que chamamos de protocolo'' (foto: TÚLIO SANTOS/EM/D.A. PRESS)

O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, afirma que a restrição à circulação de pessoas é essencial para que o “furacão” causado pelo pico de casos do novo coronavírus atinja Minas Gerais e seja menos impactante, como uma “ventania”. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, Amaral disse que a possível flexibilização do isolamento social depende da “resposta” dada pela doença. “Os estudos estão em andamento, mas não significa que vamos colocá-los em prática amanhã. Vai depender do avanço do número de casos”, explica. Ele informou que se preocupa com o avanço da doença em três regiões: a Grande BH a área que circunda Juiz de Fora (Zona da Mata) e as cidades próximas a Uberaba e Uberlândia, no Triângulo.

Estamos de olho no furacão, mas ele ainda não chegou. As medidas de isolamento têm o objetivo de fazer com que Minas pegue uma ‘ventania’, mas não o furacão. A última projeção feita fala que o pico da “curva” de casos estaria entre 3 e 4 de maio. Precisamos ter cuidado com contas do tipo, pois elas sofrem interferência constantemente. A cada dia, as projeções se modificam um pouco.

O governador falou em divulgar, nesta semana, um protocolo de flexibilização do isolamento no interior. O senhor, por sua vez, tem dito que o isolamento é a única forma de evitar a proliferação. Qual a posição da secretaria sobre o afrouxamento das medidas?
O governador e eu estamos extremamente alinhados, estudando o impacto de cada medida. As secretarias estão analisando juntas os riscos de cada uma. Isso é o que chamamos de protocolo. Os estudos estão em andamento, mas não significa que vamos colocá-los em prática amanhã. Vai depender do avanço dos casos. Estamos em uma maratona, não é uma corrida de 100 metros. Tudo tem relação com a “resposta” dada pela doença.

Quais regiões do estado mais preocupam?
A região metropolitana tem maior número de casos. Isso nos chama muito a atenção. O entorno de Juiz de Fora e as cidades próximas têm tido aumento importante de casos. Há um centro de operações de emergência em saúde e o gabinete de crise tomando conta de lá. Também há um número maior de casos na região de Uberlândia e Uberaba.

A Secretaria de Saúde recebeu algum tipo de ajuda efetiva do Ministério da Saúde?
O ministério tem enviado materiais para exames PCR, repassou 50 kits de CTIs e, no mês passado, encaminhou cerca de R$ 100 milhões. Este mês, chegaram R$ 16 milhões extras. Temos relação muito boa com o Ministério da Saúde.  

Os testes rápidos repassados pelo governo federal já chegaram ao estado?
Recebemos 50 mil testes rápidos. Existe negociação com o ministério, e não é só em Minas Gerais, para definir, com clareza, como vai ser a utilização deles, pois o número de testes é pequeno. Vai ter que haver priorização [no público-alvo dos exames rápidos]. Estamos vendo se os testes vão ficar sob gestão do estado ou dos municípios.

Como está o funcionamento dos laboratórios responsáveis pelos testes da doença? O prazo para a liberação dos resultados diminuiu?
Com a UFMG, a Fundação Hemominas e a Funed estamos praticamente acabando com a fila de exames pendentes. Nossa capacidade operacional é de mil exames por dia e, dos 9 mil testes encaminhados à Funed, 8.551 estão feitos. A ideia é, a partir de agora, se a demanda for mantida, liberar os resultados entre 48 e 72 horas após a coleta. Os laboratórios [da rede estadual anunciada pelo governo] estão sendo operacionalizados, mas precisamos ir com um pouco de calma, por conta da disponibilidade de testes e aparelhos. Isso não pode ser feito ‘a toque de caixa’. É preciso, também, treinamento e habilitação das equipes.

A secretaria trabalha com formas regionalizadas de enfrentamento à COVID-19?
Isso faz parte dos protocolos que estamos seguindo. A doença não tem a mesma intensidade em todas as regiões. Elas também não têm a mesma capacidade de reação. Pensar de forma regionalizada faz parte da nossa lógica.




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