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Estado de Minas COVID-19

Por causa do coronavírus, casal de brasileiros fica preso na Namíbia durante férias

Ambos aguardam liberação dos voos na África do Sul para retornar para São Paulo


postado em 04/04/2020 16:18

Simone e Eduardo terão de ficar de quarentena na África enquanto não ocorre o retorno ao Brasil(foto: Arquivo pessoal)
Simone e Eduardo terão de ficar de quarentena na África enquanto não ocorre o retorno ao Brasil (foto: Arquivo pessoal)

 
Umas férias planejadas, durante muito tempo, para conhecer o novo, algo inusitado, num país exótico, a Namíbia. Mas, de repente, por conta do coronavírus (COVID-19), tudo acabou e você ainda acaba confinado naquele lugar, desconhecido, pois não tem como voltar pra casa, no Brasil. Pior, você tem problemas que dependem de remédios, por ter hipertensão e sofrer de asma. Pois essa é a situação do casal Eduardo Pereira de Almeida, de 55 anos, engenheiro, e Simone Faleiros de Melo, de 44, advogada, que estão confinados na capital daquele país, Windhoek.
 
Por muito tempo Eduardo e Simone, que viveram por 10 anos em BH, tendo se mudado recentemente para São Paulo, planejaram a viagem. Conhecer parques na Namíbia e Botsuana, onde animais como girafas, leões, entre outros, podem ser vistos, de perto, “dando a impressão de que podem ser tocados”, diz Eduardo.
 
 
Para isso, viajaram primeiro a Johanesburgo, na África do Sul, pela Latam, no dia 15 de março. No dia seguinte desembarcam na cidade e três horas depois, num voo da Air Namibia, seguiram para Windhoek. Lá chegando, a primeira providência, alugar um Jeep, com uma barraca junto, para poderem acampar e dormir onde quer que chegassem.

Depois de passar a primeira noite em Windhoek, ganharam a estrada. “As estradas são muito ruins, de terra. Mas tínhamos um carro potente para esse tipo de piso. E para terem uma ideia, por causa da estrada ruim, estouramos um pneu e dois furaram”, conta Eduardo. 

Com apenas três dias de viagem, segundo Eduardo, foram informados que a fronteira da Namíbia para Botsuana estava fechada. “Quando decidimos viajar, a situação era outra. Não se falava em vírus na África. Estava todo mundo surpreso com isso. Mas ali, tudo começava a mudar. Optamos por fazer toda a viagem pela Namíbia, o Etosha National Park.”

 

Eduardo sentiu que precisava das redes sociais e para sua surpresa, teve de comprar um pacote de wifi, nesse parque, para estar conectado com o mundo. “Comecei a acompanhar e logo ficamos sabendo que o espaço aéreo da África do Sul estava fechado. E tudo que o país vizinho faz, os outros, da região copiam. Fechou também na Namíbia.”

Com o fechamento do espaço aéreo, a preocupação de Eduardo e Simone era com o seu voo. Olharam no email para ver se havia algum comunicado da empresa aérea, mas não havia nada. “Mandei uma mensagem pra eles. A resposta só veio no dia seguinte, informando que todos os voos estão suspensos, por 30 dias”, afirma Eduardo.

A preocupação passa a ser a volta ao Brasil. “Liguei, então, para o consulado brasileiro em Windhoek. Disseram-nos que havia sido decretada uma quarentena e nos recomendaram voltar para a capital. São 600 quilômetros de distância, mas pelo menos, essa estrada é toda pavimentada”.
Conseguiram um apartamento. “Foi pelo Air BNB. Alugamos por uma semana. Renovamos ontem o aluguel, pagando tudo no cartão de crédito”, fala Eduardo, que diz ainda que estão comprando comida num supermercado próximo ao apartamento.

PREOCUPAÇÃO COM A SAÚDE

Mas existia uma preocupação maior: a saúde de Eduardo. “Aqui, o consulado não tem muitos recursos. Não estão em condições, ao que parece, de nos ajudar. E eu tenho problemas de saúde. Sou hipertenso e asmático.”

Eduardo diz que ainda tem medicamento, para pressão arterial, para uma semana, e não sabe o que fará quando este terminar. “Nossos planos de saúde se esgotaram ontem. Por sorte, consegui renová-los por mais 60 dias. Mas não sei como será com o meu problema de hipertensão. Pelo que estou pensando, vou ter de ir a um médico, aqui, pagando, para conseguir a receita médica. As farmácias, aqui, não vendem sem receita. E espero que tenha um medicamento simular, para que não tenha problema.”

E assim, Eduardo passou seu aniversário desta forma. “Comemoramos aqui mesmo, eu e Simone, mas com certeza, as preocupações são muitas e espero resolvê-las. Quanto à questão de voltar ao Brasil, estou monitorando, pelo computador, o sinal aqui é muito ruim, a situação. Se for o caso, vamos renovando o aluguel da moradia. Mas tão logo abra o espaço áreo, daqui e da África do Sul, queremos ir embora, no primeiro avião”, diz.

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