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Estado de Minas

MG em alerta máximo contra chuva: dados indicam recorde de tragédias em dezembro

Estatísticas da Defesa Civil recomendam atenção redobrada com temporais no período que registra mais mortes e desastres em Minas


postado em 04/12/2019 06:00 / atualizado em 04/12/2019 08:08

Nuvens pesadas sobre a capital: em atenção com a temporada chuvosa, cidade vem sendo castigada por temporais nos primeiros dias de dezembro, com transtornos no trânsito, quedas de árvores e deslizamentos(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Nuvens pesadas sobre a capital: em atenção com a temporada chuvosa, cidade vem sendo castigada por temporais nos primeiros dias de dezembro, com transtornos no trânsito, quedas de árvores e deslizamentos (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)


Mortes, prejuízos e situação de emergência. Nos primeiros dias de dezembro, cidades mineiras, incluindo Belo Horizonte, sofrem as consequências dos temporais no mês considerado mais crítico do período chuvoso, o que liga o alerta das autoridades de segurança. Nos últimos anos, foi nos 31 últimos dias do ano em aconteceu a maioria dos óbitos ligados à chuva: 50, das 87 fatalidades registradas por esse motivo entre 2013 e 2018. É também nesta época que dispara o número de ocorrências e de pedidos de ajuda dos municípios à Defesa Civil Estadual, com 57% dos totais registrados na estação chuvosa dos mesmos anos. As últimas horas mostraram que a população deve elevar a atenção para medidas de segurança individual. A ocorrência fatal mais recente no estado em consequência de tempestades foi confirmada em Sete Lagoas, na Região Central, onde um carro foi levado pela enxurrada. O motorista e a passageira desapareceram. O corpo do condutor, de 36 anos, foi encontrado ontem. Buscas ainda são feitas pela mulher, de 60.


 
Desde o início do período chuvoso, em outubro, quatro pessoas morreram em temporais no território mineiro. Uma morte, na capital, está sendo investigada, e uma pessoa está desaparecida (veja quadro). Já são nove municípios em situação de emergência por estragos provocados durante chuvas intensas. E, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a perspectiva é de que dezembro tenha chuva acima da média histórica. Até quinta-feira, uma frente fria deve chegar ao estado e provocar ainda mais temporais.
 
Dados da Defesa Civil mostram que os temporais em dezembro são mais intensos, provocam mais estragos e mais mortes. Levantamento feito pelo órgão entre 2013 e 2018 mostra que das 57,4% dos incidentes fatais ligados à estação chuvosa ocorreram no último mês do ano. É também o período em que as cidades mais decretam emergência. Nos cinco anos de estudo, foram 116 decretos em dezembro. O segundo mês com mais pedidos de ajuda dos municípios foi janeiro, com 25.
 
O tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador-adjunto da Defesa Civil estadual, lembra que nesta época do ano os temporais se intensificam. “Nessa situação com grande volume de chuva, as pessoas devem ficar atentas. Não devem se aventurar a ir em locais alagados, pois não dá para saber se há bueiros abertos. Não devem tentar passar com carros por enchentes, devem ficar em locais altos e seguros e esperar as águas baixarem para se locomover”, alertou.
 
Cuidados podem evitar tragédias como a que aconteceu em Sete Lagoas. Na cidade, um carro de aplicativo foi arrastado pela enxurrada na Avenida Prefeito Alberto Moura, no Bairro Nova Cidade. Dentro do Onix estavam o motorista, Wagner Venâncio dos Santos, e uma passageira de 60 anos. O corpo de Wagner foi encontrado no fim da manhã de ontem.
 
Os militares começaram as buscas e, pouco antes das 22h de anteontem, encontraram o carro vazio. Ele estava parado com as rodas para cima na Rua Maria Estela de Souza, no Bairro Luxemburgo, a cerca de 600 metros do local do desaparecimento, segundo bombeiros de Sete Lagoas.

Em emergência


Outras cidades sofrem com os temporais. Tarumirim, no Vale do Rio Doce, foi atingida por uma forte chuva na noite de anteontem. O transbordamento de um rio derrubou uma ponte, uma casa e várias pessoas ficaram desalojadas e desabrigadas. A prefeitura disponibilizou uma quadra de futebol para receber os atingidos.
 
Por meio do Facebook, o prefeito Marcílio Bonfim (DEM) publicou atualizações sobre a situação no município e decretou emergência. A partir do decreto, a prefeitura pode mobilizar vários órgãos para atuar na resposta ao desastre e comprar bens necessários para os trabalhos, sem licitação. O prefeito também divulgou campanhas para adquirir doações para os moradores afetados.
 
O decreto ainda não consta no boletim da Defesa Civil de Minas Gerais. Por enquanto, o órgão oficializou a situação em outros oito municípios que registraram danos pela chuva: Santa Rita do Sapucaí (Sul), Itabirito (Grande BH), Viçosa (Zona da Mata), Ninheira (Norte), Rio Acima (Grande BH), Córrego Novo (Vale do Rio Doce), Paula Cândido (Zona da Mata) e Rio Pardo de Minas (Norte).


 
A Defesa Civil Estadual presta auxílio técnico aos municípios para o decreto de emergência, além de divulgar alertas e enviar equipes nos locais atingidos. “Por meio do sistema de meteorologia, estamos emitindo alertas para os municípios com intuito de eles se prepararem. Também fazemos o cadastramento por SMS, por meio do número 40199, de moradores, além de fazer comunicados por meio da TV a cabo. Além disso, quando o município não consegue enfrentar essa crise com suas próprias condições, a Defesa Civil entra com auxílio técnico. Deslocamos equipes para o interior do estado e com ajuda humanitário, com entrega de materiais”, explicou Flávio Godinho.
 
A sequência de chuvas também vem provocando transtornos e prejuízos em Belo Horizonte. O muro de uma casa no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste da cidade, desabou. Segundo o morador do imóvel, localizado na Rua Carlos Peixoto, a quantidade de água foi tamanha que o sistema de vazão não foi capaz de drenar o fluxo. Com a pressão o muro, de aproximadamente sete metros de comprimento e cinco de altura, desmoronou. Por sorte, não havia pessoas transitando na calçada no momento da ocorrência.

Previsão 


Moradores de Minas Gerais devem se preparar para mais chuva nesta semana, em todas regiões do estado. Em algumas cidades estão previstas precipitações de forte intensidade. “Até quinta-feira, outra frente fria deve chegar ao estado. Ela está no Sul do país. Teremos chuvas volumosas em boa parte de Minas. Nesta quarta-feira, poderemos ter chuva forte no Triângulo, e Noroeste. Vai diminuir um pouco na Região Centro-Sul, onde pode chover, mas sem grande intensidade. Já na quinta, há previsão de chuva forte, inclusive para a capital mineira”, explicou Cleber Sousa, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De olho no céu

Confira sinais de alerta e consequências da chuva

♦ Recomendações da Defesa Civil
• Ponha calha no telhado de casa
• Conserte vazamentos em reservatórios e caixas-d'água
• Não jogue lixo ou entulho na encosta
• Não deixe esgoto vazar em barrancos
• Não faça queimadas

♦ Sinais de deslizamento
• Trinca em paredes Água empoçando no quintal
• Portas e janelas emperrando
• Rachaduras no solo
• Água minando em base de barranco
• Inclinação de poste ou árvores

♦ Mortes no período chuvoso 2019/2020
• 22 de outubro – João Paulo Gonçalves dos Santos, de 29 anos, foi vítima de uma descarga atmosférica e, Januária, na Região Norte de Minas. Ele estava com a mulher, sentado em um banco, quando ocorreu o raio
• 24 de outubro – Hilda Leandro de Jesus Silva, de 46 anos, foi atingida pelo tronco de um eucalipto às margens do Rio Sapucaí, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, durante temporal de granizo25 de outubro – Roberto Rodrigues do Vale, de 50 anos, resgatou o filho que caiu em um buraco aberto pela água dentro de uma casa em Viçosa, na Zona da Mata. Porém, ele não conseguiu sair e foi arrastado
• 2 de dezembro – Bombeiros localizam em Sete Lagoas, Região Central de Minas, o corpo de Wagner Venâncio dos Santos, de 36 anos, motorista a serviço de aplicativo de transporte, que estava em um carro que foi arrastado pela enxurrada durante temporal. A passageira que também estava a bordo, de 60 anos, seguia desaparecida

♦ Em investigação
• 18 de novembro – Aurélio Pereira de Jesus, de 33 anos, durante a chuva no Bairro Santa Mônica, na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte. O corpo foi encontrado no dia seguinte, em um córrego, mas as circunstâncias da morte ainda não estão claras.

Fonte: Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) / Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) / Defesa Civil Municipal de Belo Horizonte

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)


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