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Estado de Minas

Belo Horizonte abre festa dos 300 anos de Minas Gerais

Solenidade no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais marca programação cultural que se estenderá até 2020 e envolverá cidades históricas


postado em 02/12/2019 06:00 / atualizado em 02/12/2019 08:11

Vista da antiga Vila Rica a partir do Morro da Queimada, que está marcado na trajetória do estado(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press - 18/6/15)
Vista da antiga Vila Rica a partir do Morro da Queimada, que está marcado na trajetória do estado (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press - 18/6/15)

Conhecimento, identidade e mais luz sobre o passado, com os olhos bem abertos para o presente e o futuro. O Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG) vai pedir o tombamento estadual do Morro da Queimada, sítio arqueológico de Ouro Preto, na Região Central, que guarda vestígios da mineração no século 18 e foi um dos palcos da Sedição de Vila Rica (1720). A iniciativa deve ser um marco nas comemorações dos 300 anos de Minas, que terá programação cultural ao longo de 2020 e abertura, na sede do instituto, na capital, hoje, às 19h, com palestra do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), na capital. Ouro Preto e Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, também vão celebrar o tricentenário com atividades para fortalecer a educação patrimonial e valorizar os bens de relevância, testemunhas dessa página da história.

 

Já estão definidos um seminário sobre a Inconfidência Mineira (1789), em abril; exposição sobre cartografia histórica de Minas, em julho e agosto, no Museu das Minas e do Metal, na Praça da Liberdade, em BH; exposição sobre documentação dos primórdios das Gerais, no Museu Mineiro, também em julho e agosto; seminário sobre a Revolução Liberal de 1842, em agosto, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH; seminário Genealogia sobre a Gente Mineira, em novembro, na capital; além de mesas redondas, painéis e outras atividades para envolver a comunidade.

 

Para as atividades, o IHGMG forma parceria com o Centro de Referência em Cartografia História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Arquivo Público Mineiro, vinculado à Superintendência de Museus, Bibliotecas e Arquivo Público e Equipamentos Culturais, que tem à frente a museóloga Célia Corsino, além da Fundação Clóvis Salgado e outras instituições. A sede do IHGMG fica na Rua dos Guajajaras, 1.268, no Bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul de BH.

 

 

Cultura


O primeiro passo para as celebrações dos 300 anos de Minas Gerais, que nasceu com a elevação dessas terras centrais à condição de Capitania de Minas, em 1720, foi dado em 15 de agosto, quando o presidente do IHGMG, Luiz Carlos Abritta, instituiu a comissão especial que vai cuidar da programação durante o próximo ano. Está prevista a visita dos integrantes do instituto a Ouro Preto, para homenagens à memória de Felipe dos Santos, morto há 300 anos.

 

 

Abritta delegou a presidência da comissão à professora e geógrafa Márcia Maria Duarte dos Santos, da UFMG. A subcoordenação ficou a cargo do também integrante do instituto, Adalberto Andrade Mateus, técnico do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). “Com a separação da capitania de São Paulo, que vigorava desde o fim da Guerra dos Emboabas (1707-1709), teve início a organização territorial, administrativa, política e sociocultural de Minas”, afirma Mateus. Ele explica que em 2 de dezembro de 1720 foi assinado o ato régio determinado a separação de Minas da Capitania de São Paulo (veja quadro).

 

Em Caeté, antiga Vila Nova da Rainha (nome em homenagem a Maria Ana de Áustria, mulher de dom João V, que reinou em Portugal de 1706 a 1750), a programação começou em 13 de setembro e irá até 12 de setembro de 2020. O primeiro ato teve desfile com a chama simbólica dos 300 anos de Minas Gerais. No Centro Histórico, diante da Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso e com vista para a Serra da Piedade, que guarda a imagem da padroeira de Minas, Nossa Senhora da Piedade, foi assinado o ato oficial para início de festividades envolvendo também Sabará, Itabira, Santa Bárbara, Catas Altas e Barão de Cocais. “Nosso objetivo é reunir todos os municípios da época do Ciclo do Ouro”, afirmou o secretário de Cultura, Turismo e Patrimônio de Caeté, Fúlvio Brandão.

 

 

Morro da queimada


O prefeito de Caeté, Lucas Coelho (PTB), está entusiasmado com os eventos e citou a celebração, em 2019, dos 310 anos do fim da Guerra dos Emboabas (1707-1709). “No distrito de Morro Vermelho, ocorreu a primeira eleição direta para governador das Américas”, disse em referência à aclamação, à revelia da coroa portuguesa, de Manuel Nunes Viana (1670-1738). (GW)

 

 

Tesouros da história

  • Século 17 – Os primeiros colonizadores chegam às minas em busca de ouro e pedras preciosas. Até início do século 18, a região fazia parte da Capitania do Rio de Janeiro
  • 1709 – Neste ano, é criada a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, em decorrência da Guerra dos Emboabas
  • 1711 – Surgem as primeiras vilas do ouro: Mariana, em 8 de abril; Ouro Preto, ex-Vila Rica, em 8 de julho; e Sabará, antiga Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabará, em 17 de julho
  • 1714 – Em 6 de abril, são instituídas as comarcas, em Minas, de Rio das Mortes, Vila Rica e Rio das Velhas
  • 1720 – Instituída a Comarca do Serro Frio, com sede na Vila do Príncipe, atual Serro. Dessa forma, o território mineiro, a grosso modo, fica dividido em quatro partes
  • 1720 – Região de exploração do ouro se torna capitania. Em 2 de dezembro, foi assinado o ato régio determinando a separação de Minas da Capitania de São Paulo
  • 1820 – Minas se torna província. Ao longo do império, as primeiras comarcas vão sendo desmembradas

 

Tricentenário da sedição de Vila Rica

 

Em Ouro Preto, ex-capital de Minas e antiga Vila Rica, as atenções estão voltadas para o tricentenário da Sedição de Vila Rica, cujo protagonista, Filipe dos Santos (1680-1720), se revoltou contra a cobrança de impostos pela coroa portuguesa e foi condenado à morte. Será uma tripla comemoração, pois, em 2020, Ouro Preto festejará os 40 anos do reconhecimento como Patrimônio da Humanidade, o primeiro concedido no país pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), ressalta o secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira.

 

Desde o início do ano, a prefeitura local vem se preparando para reverenciar a memória do minerador português e expoente do movimento que teve em Cachoeira do Campo um dos palcos mais importantes. O objetivo das autoridades é buscar parceria com governos federal e estadual, envolvendo a população em projetos de educação patrimonial, a fim de homenagear a memória e jogar mais luz sobre essa página do início do século 18 que representa o “nascimento” de Minas.

 

Entre as ações para marcar as datas em Ouro Preto, está a restauração do Solar dos Pedrosa, vizinho da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, que foi cenário de outros momentos épicos como a Guerra dos Emboabas. A obra tem recursos de um financiamento da prefeitura no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), no valor de R$ 1 milhão e contrapartida do município de R$ 200 mil.

 

Chamado nos primórdios de Morro do Ouro Podre ou Morro do Pascoal Silva, o Morro da Queimada ganhou esse nome após a demolição e incêndio das casas dos participantes da Sedição de 1720. A destruição, no entanto, não exterminou a vida no Morro da Queimada, que permaneceu ocupado durante os séculos 18 e 19. Quem vai ao local tem vista panorâmica do Centro Histórico de Ouro Preto e do Pico Itacolomi, marco que orientou os primeiros bandeirantes que chegaram em busco de ouro.  


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