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Estado de Minas PATRIMÔNIO

Uma das 7 vilas do ouro, esta cidade histórica é referência nos 300 anos de MG

Com direito a chama simbólica, cerimônia em Caeté abre comemorações dos três séculos da Capitania de Minas. Eventos vão até setembro de 2020


postado em 14/09/2019 04:00 / atualizado em 14/09/2019 07:38

Diante da Igreja matriz de Bom Sucesso, em Caeté, estudantes do ensino fundamental participam de solenidade(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Diante da Igreja matriz de Bom Sucesso, em Caeté, estudantes do ensino fundamental participam de solenidade (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)


A chama simbólica dos 300 anos de Minas Gerais começou a iluminar, na manhã de ontem, o período de comemorações que vai até 12 de setembro de 2020, com ações para fortalecer cultura, turismo educação, e, de modo muito especial, as tradições. No Centro Histórico de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, diante da Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso e com vista para a Serra da Piedade, que guarda a imagem da padroeira de Minas, Nossa Senhora da Piedade, foi assinado o ato oficial para início de festividades envolvendo também Sabará, Itabira, Santa Bárbara, Catas Altas e Barão de Cocais.

“Nosso objetivo é reunir todos os municípios da época do Ciclo do Ouro. Já fizemos contatos com as prefeituras das cinco cidades e ficou acertado que o 'fogo de Minas' ficará um mês em cada uma”, afirmou o secretário de Cultura, Turismo e Patrimônio de Caeté, Fúlvio Brandão.

Era bem cedo, no adro da Capela do Rosário, no distrito histórico de Morro Vermelho, a 12 quilômetros da sede municipal, quando o morador Nildo Jesus Leal “riscou” a faísca, com um antigo isqueiro de pedra, que se propagou e foi levada ao Centro Histórico – após a solenidade na Praça Doutor João Pinheiro -, a chama, dentro de uma lanterna, foi conduzida pelo prefeito local, Lucas Coelho (PTB), à sede do Executivo.

Coelho destacou que Caeté celebra os 310 anos do fim da Guerra dos Emboabas (1707-1709) e está no centro do tricentenário da Capitania de Minas. “Em Morro Vermelho, ocorreu a primeira eleição direta para governador das Américas”, disse em referência à aclamação, à revelia da coroa portuguesa, de Manuel Nunes Viana (1670-1738).

O prefeito destacou que Caeté é o “o berço formador” de muitos políticos brasileiros, a exemplo de José Teixeira da Fonseca Vasconcelos, o Visconde de Caeté (1770-1838), primeiro presidente da província de Minas e natural de Esmeraldas; João Pinheiro (1860-1908), natural do Serro, considerado “filho da terra” e “presidente” de Minas, cargo equivalente a governador; e Israel Pinheiro (1896-1973), governador estadual de 1966 a 1971.

“Já conversamos com as autoridades mineiras e pedimos uma reunião com o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, para apresentar a programação deste ano temático em nossa cidade e região”, acrescentou, lembando que a cidade foi uma das sete Vilas do Ouro, a Vila Nova da Rainha (nome em homenagem a Maria Ana de Áustria, mulher de dom João V, que reinou em Portugal de 1706 a 1750).

BANDEIRAS Centenas de estudantes do ensino fundamental e médio participaram da cerimônia cívica em Caeté. Da Escola Municipal João Pinheiro, tendo à frente a diretora Izabel Maria de Rezende, meninos e meninas seguiram em desfile, com bandeirinhas de Minas, até a praça – junto, estavam caminhantes do grupo Pedra sobre Pedra, levando a chama simbólica. No local, já estavam estudantes das escolas Maria de Barros Ferreira, José Brandão e Paulo Pinheiro da Silva, que foi com a fanfarra, e o Coral Juvenal Alves Vilela. “Não podemos deixar nossa história para trás”, disse a diretora, que ajudou a confeccionar as bandeirinhas.

Para a estudante do quinto ano da Escola Municipal Maria de Barros Ferreira, Júlia Lara, de 11 anos, o momento é fundamental para estudar mais a história do município: “Temos muitas riquezas culturais e históricas”, disse a garota. Ao lado da Bandeira do Brasil, Felipe Thomas, de 17, aluno do terceiro ano da Escola Estadual José Brandão, foi direto ao ponto: “Devemos estudar o passado para não errar no futuro. Guerra, como aconteceu com os Emboabas, é sempre um erro, não gera benefício”.

O secretário de Cultura explicou que será formada uma comissão, com autoridades estaduais, para fortalecer ainda mais a programação – no ato assinado pelo prefeito, há o compromisso de levar adiante atividades culturais, turísticas, educacionais e na área de comunicação, com foco também em programas de educação patrimonial nas escolas. Um dos interesses é formar parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), que já empossou uma comissão para estudos, seminários e pesquisas sobre Minas que, depois de capitania no período colonial foi província até se tornar estado, no período republicano. Na frente do Monumento aos Emboabas, agora na Praça Doutor João Pinheiro, após 40 anos na Praça da Cerâmica, Fúlvio Brandão destacou a criação do Circuito Aberto da Guerra dos Emboabas, que estimula passeios pelos pontos importantes da história do conflito.

RESTAURO Também presente à solenidade, o titular da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, padre Marcelo Lacerda, citou outra data importante da cidade: “Daqui a cinco anos, vamos celebrar os 300 anos da Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, que guarda obras atribuídas a Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814), cujo pai, Manuel Francisco Lisboa, trabalhou no templo barroco. Já terminamos a cobertura e fachada do templo, com recursos da comunidade e da prefeitura, então o acervo está protegido. Vamos começar o interior, elementos artístios, e estamos em nova campanha”, disse o religioso. Até 2024, uma parte da igreja será valorizada a cada 12 meses. “Este ano é a iluminação, em 2020, o sino, e assim por diante”.

SAIBA MAIS
Guerra dos Emboabas

Um dos destaques da história de Caeté está na Guerra dos Emboabas. No início do século 18, os paulistas, descobridores das minas, estavam estabelecidos nos arraiais que iam de Caeté a São João del-Rei. Atraídos pelas riquezas, os emboabas, grupo formado por portugueses, baianos e pernambucanos, também chamados de reinóis e forasteiros, chegaram em massa, invadindo a área e revoltando os pioneiros. A disputa pelo ouro e pelo poder – acima de tudo, uma disputa política, em torno dos principais cargos e postos da administração montada na região – levou a conflitos armados e à escolha, em 1707, de um emboaba para governador, à revelia da coroa portuguesa. Ninguém sabe o número exato de mortos e feridos, mas os pesquisadores têm uma certeza: a guerra abriu caminho para uma série de levantes, como a Sedição de Vila Rica (1720), a Inconfidência Mineira (1789) e para a criação das primeiras vilas do ouro. Além disso, gerou um clima de “rebeldia”, permitiu o aprendizado da luta política e marcou um endurecimento das relações entre a colônia e a metrópole.


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