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Estado de Minas MORTE NO FLAT

Da cama à prisão: rapaz conta o que fez do assassinato de garota de programa até se entregar

Polícia busca detalhes sobre a vida da vítima e a do estudante de ciências contábeis que afirma ter tido 'vontade de matar' durante ato sexual em flat de BH


postado em 19/10/2019 06:00 / atualizado em 19/10/2019 13:34

A delegada Michelle Campos disse que o rapaz confessou ter assassinado a garota de programa por 'vontade de matar' e o considerou 'extremamente frio'(foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS)
A delegada Michelle Campos disse que o rapaz confessou ter assassinado a garota de programa por 'vontade de matar' e o considerou 'extremamente frio' (foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS)


A Polícia Civil tem 30 dias para concluir a investigação sobre o assassinato da jovem Agne Soares Figueiredo Dias, de 18 anos, em um flat da Região Oeste de Belo Horizonte após prender o principal suspeito do crime, que confessou o homicídio. André Carvalho Soares Pena, de 21 anos, se apresentou à delegacia e disse aos policiais do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que cometeu o crime por vontade de matar, de acordo com a delegada Michelle Campos, que coordena as investigações. Agne era garota de programa e atendia os clientes em um flat na Avenida Barão Homem de Melo, quase na esquina com a Raja Gabaglia, no Bairro Estoril. Segundo o depoimento de André à polícia, na noite de 14 de outubro ele marcou um programa com a vítima e, durante o ato sexual, matou Agne por enforcamento. O investigado fugiu em seguida. Na quinta-feira, se apresentou ao DHPP, onde teve mandado de prisão temporária, que já tinha sido expedido, cumprido.

A delegada Michelle Campos classificou André como extremamente frio e sem nenhuma demonstração de arrependimento. “Inclusive, ele relatou que não está arrependido. Demonstrou ser uma pessoa muito fria, que foi até o local com o intuito de ter um programa sexual e durante o ato veio a vontade nele, que já existia antes, de matar uma pessoa. Veio essa vontade e ele resolveu, então, matá-la”, afirma a delegada. Essa vontade de matar teria aparecido a partir da morte do pai do jovem, há três anos, em circunstâncias não esclarecidas. A Polícia Civil informou apenas que ele não foi alvo de homicídio. O que pode reforçar essa tese levantada pelo autor confesso é que ele se identificou normalmente na portaria do flat, dando nome e número da carteira de identidade. Depois do crime, porém, pegou o celular da vítima e seus documentos, como forma de tentar dificultar a investigação. Também passou uma toalha úmida no corpo de Agne para tentar eliminar impressões digitais.

Tudo começou na noite de segunda-feira, 14 de outubro, quando André chegou ao flat na Avenida Barão Homem de Melo, depois de ter marcado um programa com a vítima ao ver seu perfil em um site na internet. Segundo a polícia, ele disse que enquanto mantinha a relação sexual teve vontade de matar. “Ele relata que chegou, ela o recebeu, eles começaram a manter a relação sexual e durante o ato sexual ele falou para ela que iria matá-la. Ela não teria acreditado nele, e ele então teria começado a esganadura. Ele relata inclusive que estava com o dedo inchado de tanta força que colocou no pescoço dela. E para se certificar de que ela realmente estava morta, pegou o cabo do aparelho televisor que estava no apart-hotel e o enrolou no pescoço dela”, diz a delegada.

Depois, ainda segundo a polícia, André passou em casa, no Bairro Santo Antônio, mas não foi percebido pelos parentes, e seguiu de ônibus para Curitiba, onde se hospedou em um hotel ao lado da rodoviária. Na quinta-feira, retornou e se apresentou à polícia. “Ele relata que foi convencido após ver no noticiário que a jovem havia sido identificada e que a polícia já tinha iniciado as investigações e por conselhos de familiares para que retornasse e se apresentasse às autoridades”, acrescenta a delegada Michelle Campos. De acordo com a responsável pelas investigações, o autor do crime é estudante de ciências contábeis em uma faculdade particular de Belo Horizonte e prestava serviços a uma empresa de seguros. Ele não tem antecedentes criminais e já tinha contratado programas sexuais com outras mulheres. Pelo programa com Agne, pagaria R$ 350, conforme a polícia.
 

Feminicídio


Em um primeiro momento, a Polícia Civil não entendeu que o caso possa ser enquadrado como feminicídio, porque não há elementos, até o momento, que comprovem o crime pela condição de a vítima ser mulher. "A investigação ainda está no início, porque ao que tudo indica ele não matou pelo fato de ela ser mulher, mas já existia aquela vontade nele de matar uma pessoa", completa a delegada. As investigações ainda prosseguem, principalmente para checar a versão dada pelo assassino confesso. A equipe policial ainda pretende ampliar o levantamento sobre André e esmiuçar a vida da vítima, para ter certeza dos motivos que levaram ao crime.

Crime passo a passo


Como foi o assassinato, na versão apresentada por André Carvalho Soares Pena em confissão, de acordo com a Polícia Civil

1) André entrou em um site da internet e viu um anúncio de programa feito pela vítima
2) Ele fez contato com ela e marcou o programa para 14 de outubro, às 22h
3) Antes, a vítima entrou em contato com André e pediu que ele se atrasasse meia hora, remarcando para 22h30
4) André chegou Ao flat às 22h30 e subiu às 22h42, segundo a Polícia Civil
5) No apartamento 505, ele manteve relação sexual com a vítima e disse que a mataria
6) Ele contou que ela não teria acreditado e, então, começou a esganá-la apertando seu pescoço
7) André contou que apertou com tanta força que seu dedo ficou inchado
8) Em seguida, ele arrastou a jovem para o banheiro e enrolou um fio de televisão no pescoço dela, para se certificar de que ela estava realmente morta. Ele também passou uma toalha úmida pelo corpo da vítima para tentar eliminar impressões digitais
9) Antes de ir embora, André disse aos policiais que pegou o celular e documentos dela para atrapalhar a investigação
10) Às 23h41, ele deixou o flat e descartou documentos da jovem em uma lixeira. Pegou um táxi para casa e depois um ônibus para Curitiba, de onde viu o noticiário sobre o crime

 


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