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Estado de Minas

Mutirão dá a partida para a recuperação de escada em aglomerado de BH

Empresa assume revitalização de escadaria que é um dos principais acessos a vila integrante do Morro do Papagaio. Ação faz parte do projeto Favela Bela, criado por um dos moradores


postado em 18/10/2019 06:00 / atualizado em 18/10/2019 08:03

Moradores se uniram ontem em esforço de limpeza. Recuperação do espaço tem apoio de empresa do vizinho Bairro São Pedro e da prefeitura(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Moradores se uniram ontem em esforço de limpeza. Recuperação do espaço tem apoio de empresa do vizinho Bairro São Pedro e da prefeitura (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


Um acesso de cara e cores novas, para ajudar a renovar também a autoestima de uma população. Diferentes tons começam a se destacar na Vila Estrela, que integra o aglomerado Morro do Papagaio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde voluntários e moradores se reuniram ontem pela manhã para limpar a escadaria que dá acesso à comunidade. A estrutura, hoje totalmente degradada, constitui a principal entrada para o conjunto de moradias e será recuperada.

A iniciativa partiu da Ius Natura, que fica no Bairro São Pedro e chega em 2019 aos 30 anos. A empresa quis estreitar laços com a comunidade vizinha, e a escolha por reformar o local foi feita a partir de conversas com moradores e lideranças comunitárias da Vila Estrela, que apontaram a revitalização da escadaria como uma demanda importante.

Ontem, um mutirão se mobilizou para fazer a limpeza do local. Elaine Rocha, representante da comunidade, considera a revitalização muito importante, já que, segundo ela, o projeto “dá outra cara para o aglomerado” e contribui para que a sociedade o veja com mais beleza. Feliz ao ver a recuperação de espaços como a escadaria, ela diz que a vila se torna mais alegre e viva por causa das pinturas. “A região é carente de espaços de lazer, e esse espaço agora é o nosso cantinho do bem”, complementa.

Segundo Elaine, há quase dois anos pessoas da comunidade e voluntários se mobilizaram para fazer a limpeza de um lixão que ficava ao lado da escadaria. Hoje, o local tem uma praça improvisada pelos próprios moradores. Desde então, afirma, já notou transformações na vizinhança. “Antigamente muitos na comunidade não se preocupavam em limpar sua porta, recolher o lixo. E com a melhoria, as pessoas veem que isso faz parte da transformação”, disse.

Amanhã a área será pintada por Fabiano Valentino, mais conhecido como Pelé, artista plástico, morador da vila e idealizador do projeto Favela Bela. “Um morador fazendo café, o outro um suco, cada um ajudando do jeito que pode... Isso já causa um grande impacto”, comenta, sobre o mutirão para recuperação da escadaria.

A ideia é envolver toda a comunidade e deixar as crianças também colocarem a mão na massa. “Elas também vão poder pintar. Queremos envolver todo mundo, para dar cor e cara ao espaço, para que seja uma coisa acolhedora”, disse. Para ele, é um incentivo para adolescentes e crianças buscarem novos caminhos, profissionalmente, num país em que, devido à grande desigualdade social, muitos jovens acabam perdendo perspectivas de futuro. Fabiano pontua ainda que o Morro do Papagaio é uma das poucas comunidades de BH que ainda não têm um Centro Cultural.

Após a revitalização, a Prefeitura de Belo Horizonte fará o plano paisagístico do entorno da escadaria. Ao integrar o programa Adote o Verde, a Ius Natura também ficará responsável por conservar a área que será plantada. A empresa foi responsável ainda por doar todo o material necessário para a revitalização.

Inspiração 


O projeto Favela Bela foi pensado pelo morador Fabiano Valentino e colocado em prática com a ajuda de amigos, moradores do aglomerado e pessoas de fora da vila, como grafiteiros convidados. A ideia surgiu depois que Pelé, aos 16 anos, desenhou e pintou em becos e fez um quadro ilustrando a favela toda pintada. Segundo ele, a iniciativa tem como objetivo “levar mais cor e alegria para a vida das pessoas que moram nas favelas”.

A iniciativa é sustentada, desde o princípio, por pessoas da comunidade e voluntários. Como o Favela Bela existe há algum tempo e já alcançou certa visibilidade em Belo Horizonte, é comum que pessoas queiram ajudar com doações de utensílios necessários para que o empreendimento não pare. As doações são feitas geralmente por escolas, creches, moradores da comunidade que têm restos de tintas guardados em casa e também pessoas de fora.


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