Publicidade

Estado de Minas

Polícia não vê indícios de que investigado tenha abusado de alunos do Colégio Magnum

Polícia Civil entendeu que não há provas que sustentem indiciamento de Hudson Nunes de Freitas e delegadas pontuaram que não foram verificados indícios de qualquer tipo de abuso dentro ou fora da escola


postado em 17/10/2019 10:35 / atualizado em 17/10/2019 19:49



A Polícia Civil concluiu que o auxiliar de educação física Hudson Nunes de Freitas, de 22 anos, que foi investigado por suspeita de estupro de vulnerável nas dependências do Colégio Magnum  – Cidade Nova, no Bairro Nova Floresta, na Região Nordeste de BH, não será indiciado por nenhum crime relacionado às denúncias, feitas inicialmente pela mãe de uma criança, e que chegaram a totalizar sete boletins de ocorrência. Os investigadores entenderam que não há provas que sustentem o indiciamento e que não houve abuso sexual praticado nem por Hudson e nem por outras pessoas da escola ou de fora dela.

Entre as conclusões do inquérito com mais de 300 páginas, as delegadas Thaís Degani, responsável pelo caso, Renata Ribeiro, chefe da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e do Adolescente (Depca) e Elenice Cristine Batista Ferreira, chefe da Divisão de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad), destacaram que o trabalho que teve participação direta de três psicólogas e uma psiquiatra identificou cinco elementos que induziram o entendimento dos pais e culminaram com as denúncias.

O primeiro deles foi a técnica de conversa entre pais e filhos que não foi considerada adequada para se obter informações relacionadas a possíveis abusos. O segundo foi o recebimento de informações de forma indireta, o terceiro a divulgação em redes sociais, e ainda a divulgação na mídia. Outro fator apontado foi a conversa entre pares, que no caso é a conversa entre as próprias crianças, que também levou ao registro das ocorrências. 

A delegadas Thaís Degani (esquerda), Elenice Cristine (centro) e Renata Ribeiro em entrevista coletiva nesta quinta(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
A delegadas Thaís Degani (esquerda), Elenice Cristine (centro) e Renata Ribeiro em entrevista coletiva nesta quinta (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)


As três delegadas ressaltaram que todo um trabalho técnico foi seguido para esmiuçar todas as denúncias, chegando à conclusão de que não houve abusos dentro da escola. Essa investigação também não encontrou nenhum indício de que algum abuso tenha sido praticado fora do Magnum.

Entre as técnicas usadas para se chegar à conclusão do caso foram usadas a análise do celular do suspeito, depoimentos de 41 pessoas entre possíveis vítimas, seus representantes e testemunhas, avaliação psicológica de pais e filhos, levantamento da vida pregressa do suspeito, análise de mais de 30 horas de câmeras, análise de áudios de crianças encaminhados por seus pais e exames de corpo de delito das crianças que eram alvo da denúncia.

"Concluímos hoje pelo não indiciamento do suspeito Hudson Nunes de Freitas considerando a ausência de elementos de autoria bem como prova da materialidade", disse a delegada Elenice Cristine. A delegada responsável direta pelo caso, Thaís Degani, complementou que "a vítima inicial, bem como as demais, não sofreram abuso sexual pelo investigado e nem por qualquer outro professor ou integrante da escola", disse.

A reação de Hudson


Assim que soube do resultado da investigação, Hudson disse a seus advogados que está aliviado e pretende retomar sua vida. "Ele ficou em êxtase, está muito satisfeito. Mas a vida dele nessas duas semanas não foi fácil", segundo o advogado Marciano Andrade.

Já o advogado Fabiano Lopes, pontuou qual será o caminho da defesa do jovem de agora em diante. Ele garante que vai buscar reparação dos danos sofridos por Hudson.

"A imagem do Hudson ficou prejudicada para o resto da vida. Nós entendemos que houve dolo de algumas pessoas, mas precisa ser melhor analisado. Providências têm que ser tomadas porque a imagem do Hudson ficou totalmente desmoralizada perante a sociedade. Mesmo não sendo indiciado, qual pai chamaria o Hudson para cuidar de seu filho com uma acusação tão grave que ele sofreu?", afirma Lopes.

O advogado também avaliou que a postura da escola foi correta e por isso não pretende buscar nenhum tipo de reparação do Magnum. A escola já informou que o cargo do auxiliar de educação física está o aguardando de volta, mas FAbiano Lopes disse que pretende conversar com os responsáveis pela instituição para que, além da recontratação, o Colégio Magnum assuma o compromisso de contratar o jovem quando ele se formar.

A posição do Colégio Magnum


Na noite passada, o Colégio Magnum convidou Hudson a retornar à instituição de educação e recuperar seu emprego de estagiário de educação física, segundo a defesa do jovem, o que foi confirmado pela escola. O convite aconteceu no mesmo dia em que a Polícia Civil finalizou as investigações acerca do caso. Desde o início das apurações, Hudson negou os crimes.

Em nota, o Magnum informou que "inicialmente, decidimos pelo afastamento do colaborador supostamente envolvido, com o duplo objetivo de resguardar a integridade da família e do colaborador e de permitir que o inquérito pudesse tramitar de forma isenta. Cumprimos nosso papel perante a sociedade, as famílias, nossos educadores e as autoridades competentes. Estando a investigação concluída, permanece o compromisso já firmado com o colaborador afastado de manter sua vaga garantida tão logo ele queira e possa retomar suas atividades", segundo texto enviado pela assessoria de imprensa.

Relembre o caso


As investigações tiveram início em 4 de outubro e, desde então, a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente colheu o depoimento de 41 pessoas, entre crianças, familiares, representantes da escola e o suspeito.
Um mandado de busca e apreensão foi cumprido em 10 de outubro, na casa do suspeito, e um celular foi apreendido.

Também foram realizadas diligências nas dependências da escola e análise das imagens das câmeras de segurança. O caso segue em sigilo para a Justiça, em cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


Publicidade