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Estado de Minas COMPLEXO DA LAGOINHA

Prefeitura retira moradores de rua de mais um viaduto na Lagoinha para iniciar obras

Desocupação de área inferior do elevado Oeste, também chamado de Nansen Araújo, é parte de projeto de tratamento dos baixios do complexo, criticado após colocação de piso de pedras pontiagudas sob a Alça Leste


postado em 17/10/2019 06:00 / atualizado em 17/10/2019 09:34

Colocação de pedras sob a alça Oeste do Complexo da Lagoinha(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Colocação de pedras sob a alça Oeste do Complexo da Lagoinha (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)


O projeto de tratamento dos baixios do complexo de elevados da Lagoinha avança com a desocupação de uma das estruturas que abrigava mais moradores em situação de rua nos acessos ao Centro da capital. A Prefeitura de Belo Horizonte desocupou a porção inferior da Alça Oeste do Complexo da Lagoinha, também chamada de Viaduto Nansen Araújo, para dar início a intervenções, na mesma linha que havia sido adotada na Alça Leste, cujas obras foram concluídas em julho, sob críticas pela colocação de pedras pontiagudas, que impedem a permanência de pessoas sob as estruturas.



Na manhã de ontem, já com a parte inferior da alça desocupada e acesso limitado por telas, funcionários davam sequência às obras. Com terra por todos os lados, caminhões e máquinas no baixio dos viadutos da alça Leste, alguns poucos moradores em situação de rua resistiam e deixavam parte dos pertences em uma calçada ao lado do equipamento viário.

O projeto de assentamento de pedras, parte da intervenção feita pela prefeitura, despertou críticas de entidades que defendem os direitos da população em situação de rua. O início do projeto levou à convocação de audiência pública na Câmara de Belo Horizonte para tratar da iniciativa, que tem entre suas justificativas a intenção de evitar fogueiras nas bases dos elevados, que degradam as estruturas de concreto armado.

Também ocorreu protesto em frente à prefeitura. “Ao colocar as pedras, a arquitetura da cidade passa a mensagem de violência e exclusão. Quais as marcas que essas pedras passam? Pedra não é a solução”, afirmou a vereadora Bella Gonçalves (PSOL). As entidades defendem que a possível resolução do problema de situação de rua é a implementação de políticas públicas de moradia.

Nota

Depois da retirada, alguns pertences de moradores de rua permaneciam no local, já cercado por telas, enquanto as intervenções tinham início(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Depois da retirada, alguns pertences de moradores de rua permaneciam no local, já cercado por telas, enquanto as intervenções tinham início (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)

Em nota, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura esclareceu que as intervenções no Complexo da Lagoinha contemplam um tratamento urbanístico que inclui outros projetos e “não se restringem apenas à colocação de pedras”. O sistema de viadutos que dá acesso ao Centro é parte do Boulevard Arrudas, que, segundo a prefeitura, passa por tratamento urbanístico na área de abrangência do canal coberto do Ribeirão Arrudas. As intervenções incluem melhoria da iluminação pública, implantação de canteiros permeáveis, ajustes de calçadas, instalação de ciclovia, readequação do mobiliário urbano, criação de percursos ajardinados e passeios confortáveis e acessíveis para circulação de pedestres.

Informou ainda que está executando obras no Boulevard Arrudas, no trecho que compreende a avenida do Contorno entre as ruas Vinte e Um de Abril e Rio de Janeiro, o que inclui também o complexo viário formado pelas alças Leste e Oeste (parte antiga, também chamada de Nansen Araújo) do Complexo da Lagoinha. Estão sendo feitos serviços de urbanização, paisagismo, irrigação e iluminação. Os trabalhos começaram em abril, com previsão de término para o início do ano que vem. O investimento total é de aproximadamente R$ 5,7 milhões. No momento, não há programação de início de obras de tratamento urbanístico e paisagismo nos baixios de outros viadutos, segundo a PBH.


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