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Estado de Minas TRAGÉDIA DE BRUMADINHO

Localização de corpo eleva expectativa de parentes de desaparecidos em Brumadinho

Com 251 mortes confirmadas, ainda há 19 desaparecidos desde o rompimento da barragem. Bombeiros estudam novas estratégias para buscas no período chuvoso


postado em 05/10/2019 04:00 / atualizado em 05/10/2019 07:55

Juliana Fonseca perdeu seis parentes na tragédia(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Juliana Fonseca perdeu seis parentes na tragédia (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Famílias compartilham o luto e as expectativas para encontrar os 19 desaparecidos desde o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, oito meses depois da tragédia em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nessa sexta-feira, equipes do Corpo de Bombeiros localizaram o corpo do motorista Carlos Henrique de Faria, de 45 anos, o que aumenta a ansiedade de familiares que ainda esperam por notícias. O último corpo, de Luciano Almeida Rocha, de 39, havia sido encontrado no domingo passado, na mesma área, o que ajudou os militares a localizarem os restos mortais de Carlos Henrique. Agora são 251 mortes confirmadas. Os bombeiros não têm prazo para finalizar as operações. Agora, traçam novas estratégias, tendo em vista a chegada do período chuvoso.

“Estamos todos muito nervosos e ansiosos. É um momento de muita dor e angústia. Uma família terá um pouquinho de alento. Mas dói demais”, diz Juliana Fonseca, de 40 anos, que perdeu seis pessoas da família (os corpos foram localizados). “Temos que encontrar todos, temos que fechar um ciclo. É uma dor sem fim, mas encontrar e enterrar nossas joias dá um conforto. Enquanto esperávamos, fica uma dor, um vazio, uma sensação de impotência”, acrescenta. Juliana era cunhada de Dirce Dias Barbosa, de 42, que trabalhava como auxiliar de limpeza de uma empresa terceirizada da Vale.

As buscas entraram em seu 253° dia ontem. São 143 militares do Corpo de Bombeiros atuando em meio aos rejeitos de mineração que se deslocaram da barragem. Nesse momento, eles contam com a ajuda de dois cães e de máquinas pesadas. As ações ocorrem em 20 frentes. Os restos mortais de Carlos Henrique foram encontrados por volta das 10h na frente de buscas conhecida como Remanso 4. Estava a apenas 1,5 metro de profundidade. “Pela análise da inteligência, o corpo percorreu aproximadamente 4,5 quilômetros de distância do ponto inicial onde estava”, informou o Corpo de Bombeiros.

Segundo a corporação, o corpo foi encontrado “íntegro”. “Quando as equipes classificam um corpo como íntegro, intacto ou termo equivalente, elas se referem ao fato de o corpo estar completo – cabeça, tronco, membros. Nessa fase da operação, em termos de decomposição, todos os corpos estão completamente irreconhecíveis do ponto de vista de identificação visual”, explicou o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

Após a perícia inicial no local, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte, onde deu entrada às 16h. Os trabalhos de identificação duraram quase cinco horas. Ela foi realizada por meio de odontologia legal (arcada dentária). Independetendemente da identificação, também foi coletado material de DNA.

Na segunda-feira passada foi identificado o corpo da 251ª vítima do rompimento: Luciano de Almeida Rocha, de 39. O corpo foi encontrado por volta das 10h de domingo, os trabalhos de identificação começaram às 12h30 e só terminaram às 21h40. Luciano trabalhava em diversas minas na área de geologia. O cunhado dele, André Luiz Santos, também morreu no rompimento da barragem. O corpo de Luciano ajudou que os militares localizassem os restos mortais de ontem. “Já tínhamos a expectativa de localizar mais de uma vítima. Ele serviu como um elemento de conformação da estratégia”, disse Aihara.

As famílias das vítimas agradecem e elogiam a persistência dos bombeiros. Nos últimos dois dias, tem circulado um vídeo emocionante em que a mãe de vítima detalha homenagem aos bombeiros. A professora Andresa Rodrigues, de 41, mostrou o apoio do grupo aos militares. Ela entrou em um ônibus onde estavam os bombeiros, agradeceu e prestou continência, gesto usado por militares como saudação aos superiores. Ao saber do encontro de um novo corpo, ela renovou as esperanças: “Busquei pelo meu filho por 105 dias. Continuarei junto às famílias até encontrar todas as joias. Ninguém solta a mão de ninguém! Continuaremos lutando pra encontrar todas”, disse. Juliana também deixa um recado para os bombeiros: “Eles são nossos anjos sem asas. Temos um respeito e gratidão imenso por eles. Eles têm feito um trabalho maravilhoso. E, quando encontram um corpo, ficamos cheios de esperança e eles mostram o trabalho de inteligência deles”, acrescentou.

As buscas continuam sem prazo para terminar. Agora, de acordo com o porta-voz dos bombeiros, a corporação traça nova estratégia de busca para lidar com período chuvoso que se intensifica na segunda quinzena de outubro. “Para que, assim, a operação continue eficaz e traga tranquilidade para essas famílias”, concluiu o tenente Aihara.


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