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Estado de Minas

Donos do lucro, receptadores são alvo na guerra contra o furto de cabos em BH

Operação desencadeada pela Polícia Civil levou quatro suspeitos à prisão. Somente de semáforos, mais de 22 mil metros do produto foram furtados de janeiro a agosto. Prejuízo chega a R$ 100 mil


postado em 27/09/2019 06:00 / atualizado em 27/09/2019 08:01

Material apreendido em ferro-velho: somente de semáforos, foram furtados 22.531 metros de cabos de janeiro a agosto na capital(foto: Polícia Civil/Divulgação)
Material apreendido em ferro-velho: somente de semáforos, foram furtados 22.531 metros de cabos de janeiro a agosto na capital (foto: Polícia Civil/Divulgação)


O furto de cabeamento tem causado prejuízos nas ruas e em diversos estabelecimentos em Belo Horizonte. Os problemas vão de semáforos parados a perda de insumos, como no caso do centro de saúde que teve que dispensar 900 doses de vacina esta semana. Diante da situação, a Polícia Civil desencadeou, ontem, uma operação contra receptadores do material, que terminou com quatro homens presos em flagrante. Eles são donos de ferro-velho em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. Na capital mineira, entre janeiro e agosto, foram 297 ocorrências de furto de cabos de semáforo, totalizando 22.531 metros do material. O crime já gerou um prejuízo para Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) de R$ 100 mil.

Um dos presos ontem tem 62 anos e nove passagens na polícia pelo mesmo tipo de crime. Ele lucra com a receptação desde 1985 e mantinha uma loja de ferro-velho no Bairro Carlos Prates, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Os outros três presos moram na Pampulha e nas cidades de Betim e Contagem, ambas em Região Metropolitana. A corporação ressalta a importância da prisão dos receptadores. Isso porque quem comete o crime, normalmente, é morador em situação de rua ou usuário de drogas. "Normalmente, arriscam a vida para cometer esses crimes. E são os receptadores que lucram com esse comércio ilegal”, explicou o delegado Wagner Sales, chefe do 1º Departamento de Polícia Civil de Belo Horizonte. E, indiretamente, esse dinheiro fomenta o tráfico de drogas já que, com o dinheiro da venda, os usuários compram mais entorpecentes. Por isso, é muito importante romper o ciclo. Depois que o cabo é roubado, ele é vendido para os receptadores. Derretido e se torna matéria prima para novos cabos.

"O furto de cabos é um problema recorrente que prejudica a vida da cidade, com risco de causar congestionamento e acidentes”, explicou Geórgia Ribeiro, diretora do Centro Integrado de Operações da PBH. No início da semana, o Centro de Saúde Dom Orione, localizado na Avenida Otacílio Negrão de Lima, na Região da Pampulha, ficou com o atendimento comprometido. O furto ocorreu durante a madrugada de segunda-feira, o que prejudicou a refrigeração das vacinas que estavam dentro de uma câmara fria da unidade. Todas as doses foram perdidas. Em 2019, foram registradas pela Cemig 109 ocorrências de furtos de cabos. O prejuízo da empresa é estimado em R$ 1,5 milhão.

O roubo de cabos também dificulta a rotina dos usuários do metrô. Duas ocorrências seguidas de roubos de cabeamentos em menos de uma semana no mês passado prejudicaram usuários do metrô de Belo Horizonte na estação Lagoinha, na Região Noroeste de BH. A iluminação da estação e o sistema de bilhetagem foram parcialmente afetados. Já as escadas rolantes e os elevadores tiveram que ser desligados. O cabeamento furtado conectava o sistema de iluminação pública à estação do metrô. Ao Estado de Minas, a CBTU Belo Horizonte informou que de 2016 a 2018, a Companhia gastou cerca de R$ 50 mil para recuperação de estruturas vandalizadas. Como medida permanente, a CBTU realiza campanhas sistemáticas que buscam informar o passageiro e estimular o cuidado com o metrô. O usuário também pode fazer denúncias através do SMS Denúncia (31) 99999-1108.

A administração municipal conta que encontrou uma solução para evitar furtos no Move. “Mudamos a posição do cabo de ligar ficando, assim, mais visível para os seguranças que lá ficam. Depois disso, em 2019, não tivemos nenhuma ocorrência”, disse o gerente de Administração e Manutenção Predial da BHTrans, Odirley Rocha dos Santos. Ainda de acordo com a prefeitura, as operações têm sido efetivas para coibir esse tipo de crime. "Essa é a segunda operação que realizamos e já temos efeitos. Este ano, tivemos redução de 60% dos furtos”, concluiu Geórgia Ribeiro.


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