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Estado de Minas

Desafio no trânsito: bicicleta é mais ágil do que carro em BH; veja teste

Modais de transporte partem de um ponto a outro da cidade no horário de pico. Resultados serão importantes para propor soluções de melhoria para os diversos modos de transporte da cidade


postado em 24/09/2019 22:14 / atualizado em 24/09/2019 22:49

Varias pessoas fazem o deslocamento urbano como podem da Praça da Liberdade até o Minas Shopping em um desafio intermodal(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press )
Varias pessoas fazem o deslocamento urbano como podem da Praça da Liberdade até o Minas Shopping em um desafio intermodal (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press )
Fazer um comparativo entre os modos de transporte que as pessoas utilizam para se deslocar pela cidade. Esse é o objetivo do Desafio Intermodal de Belo Horizonte, que ocorreu na noite desta terça-feira. Com o tempo de 18 minutos e 48 segundos, um ciclista urbano foi o segundo a completar a dinâmica. Isso porque o primeiro lugar ficou para um atleta sobre duas rodas, que chegou um minuto antes. O carro ficou em nono lugar, gastando 40 min20seg no percurso.

A atividade começou às 18h30, na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e terminou na entrada da estação de metrô do Minas Shopping, na Região Nordeste, num trajeto de 8,4 quilômetros. Dezessete pessoas participaram da ação.

O desafio é organizado pela Associação de Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo) e faz parte do calendário do Mês da Mobilidade. Na ocasião, vários modais de transporte partem de um ponto a outro da cidade no horário de pico. Os modais no desafio deste ano foram: a pé, bicicleta fixa, bicicleta urbana, elétrica, carro, moto, ônibus, metrô, bicicleta compartilhada mais metrô, metrô, correndo, aplicativo de carro, táxi, carro particular, entre outros (veja quadro).

(foto: Arte/EM)
(foto: Arte/EM)


Em 2019, o desafio mostrou resultados semelhantes aos de outros anos. De acordo com integrante da BH em Ciclo, Marcos Gomes, de 29 anos, a importância da dinâmica é mostrar que existem várias formas de se deslocar pela cidade. “Hoje, a maioria das pessoas se desloca de carro ou de ônibus, mas, gostaríamos de mostrar que o transporte ativo (caminhar e bicicleta) é importante solução para o trânsito da cidade. O desafio mostrou que as três primeiras pessoas que participaram do desafio de bicicleta chegaram antes dos carros”, disse.

Em primeiro lugar, ficou a ciclista atleta com 17 minutos e 35 segundos. Em segundo, a bicicleta urbana, com 18min48seg e em terceiro a motociclista, com 20min36seg. Marcos foi de bicicleta compartilhada e de metrô. Ele conta que teve dificuldade de retirar a bici quando o desafio começou. Chegou em 46min23seg.

Eduardo Henrique Valente Lisboa, de 27, é analista comercial e participou pela primeira vez do desafio. Ele foi o segundo colocado. “Achei o trajeto horrível, BH não tem infraestruturada para andar de bicicleta. Até prefiriria chegar mais devagar em uma estrutura que desse mais segurança. Como chegar até a Cristiano Machado? Não tem nenhuma opção segura”, disse ele, que pedala 24 quilômetros quase que diariamente para ir trabalho, do Sion, na Região Centro-Sul, até a Região da Pampulha. “O desafio é diário”, pontuo.

Já a jornalista Jessica de Almeida, de 26, foi até a Região Nordeste a pé e utilizando o ônibus do sistema BRT/Move. Ela demorou 1h4seg. Ficou apenas na frente da pessoa que se deslocou a pé e chegou ao ponto de encontro em 1h17min. “É a segunda vez que participo do desafio e utilizei o mesmo modal. As dificuldades que percebi são as mesmas do ano passado e as mesmas que noto no meu dia a dia, porque é o meio de transporte que uso quando não estou de bicicleta. O principal problema é o congestionamento. O fluxo de carros é muito grande e há muitas ruas estreitas, que não o comportam. O segundo problema é a lotação dos veículos. Além do mais, o tempo entre um Move e outro é muito longo e estimula as pessoas a entrarem no primeiro ônibus, que fica quase inviável”, contou.

Já a arquiteta Ana Flávia Vieira Pires, de 28, foi de carro e se surpreendeu. “O trânsito estava muito bom. Esperava chegar junto com a pessoa que veio a pé, mas, o fluxo não estava intenso. A Rua Bias Fortes foi a mais complicada pois afunila e diminui o espaço para os carros”, relatou. O carro ainda é o principal meio de transporte de Ana, mas ela entende que a bicicleta ainda é a primeira opção e pensa em mudar sua forma de se deslocar pela cidade.

Quais são as regras do Desafio Intermodal

- Os ponto de saída e ponto de chegada, bem como o horário de partida devem foram definidos e informados a todos os participantes;
- Todos os participantes sairão do ponto de saída no mesmo instante (horário de partida);
- Há um fiscal no ponto de saída e outro no ponto de chegada, os quais sincronizarão os tempos antes do início do desafio;
- Os participantes deverão conhecer e respeitar o código de trânsito durante todo o percurso de acordo com as especificidades de seus modos e levar em consideração a forma como se locomovem cotidianamente;
- Os participantes escolhem seus percursos por conta própria, da forma que mais lhe for conveniente;
- Os participantes realizam o percurso na velocidade que normalmente o fariam no cotidiano, não podendo realizar deslocamentos propositais com o intuito de aumentar ou diminuir o seu tempo a fim de favorecer o seu ou outro modo;
- Os fiscais devem coletar a avaliação do percurso feito pelos participantes assim que estes alcancem o ponto de chegada.


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