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Estado de Minas MINAS EM CHAMAS

Mês de setembro deve bater o recorde de queimadas em Minas Gerais desde 2011

Inpe detecta, em média, 158 focos ativos de incêndios por dia no estado, e número tende a superar os dos últimos anos


postado em 21/09/2019 06:00 / atualizado em 21/09/2019 08:04

Cortina de fumaça cobre o Bairro Buritis, em BH, onde um incêndio de grandes proporções em uma mata assustou os moradores(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Cortina de fumaça cobre o Bairro Buritis, em BH, onde um incêndio de grandes proporções em uma mata assustou os moradores (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Historicamente com a maior média de focos ativos de calor em Minas Gerais, o mês de setembro, em 2019, caminha para ser o com o maior número de queimadas no estado desde 2011. Em média, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já detectou 158 focos ativos por dia no período. Caso as áreas verdes continuem queimando nesse ritmo, Minas terminaria o mês com 4.738 focos ativos. O dado, se comparado a igual intervalo de tempo dos últimos anos, só é batido pelos 5.930 de 2011. Ontem, o Corpo de Bombeiros deslocou parte do seu efetivo para um incêndio de grandes proporções em uma mata localizada no Bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte. As chamas chegaram próximas de imóveis situados nos arredores e assustaram moradores.


A ocorrência do Bairro Buritis ficou concentrada em uma área próxima à Avenida Raja Gabaglia, enquanto as causas ainda são investigadas pelos bombeiros. A corporação se deslocou para o local no fim da tarde de ontem, com duas viaturas e seis militares. Mais carros estavam de prontidão para o trabalho durante a noite. O incêndio repercutiu nas redes sociais, que comentavam sobre a cortina de fumaça que tomou conta da cidade. “Absurdo!! O ser humano não aprende mesmo?”, disse uma usuária. “Incêndio criminoso na Serra do Bairro Buritis”, completou outro.

Os bombeiros também tiveram trabalho em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os incêndios florestais tomaram conta da cidade durante toda a semana. Segundo os bombeiros, na tarde de ontem havia vários focos na vegetação, que eram combatidos pelos militares e por brigadistas.

Outra ocorrência que necessitou da ação de um grande número de bombeiros ocorreu na Serra da Moeda, na Região Central de Minas Gerais. Uma grande linha de fogo tomou conta da vegetação próxima a uma rodovia local, mas as dificuldades apresentadas pelo terreno limitavam o trabalho da corporação. Na tarde de ontem, os militares informaram que as chamas estavam controladas, principalmente aquelas próximas a um hotel de Moeda. Contudo, mais oficiais voltam ao local na manhã de hoje para continuar o combate.

De acordo com o coordenador do 1º Batalhão de Bombeiros Militar, capitão Couto, a temporada de seca deste ano demorou a chegar, mas traz efeitos acima da média. “Ela veio muito forte, realmente, em momento de umidade (relativa do ar) muito baixa. Temos enfrentado diversas ocorrências de incêndios em vegetação. Talvez, até um pouco acima da média em relação a outros anos”, comentou.

Só neste mês, até quinta-feira, o Inpe detectou 3.001 focos ativos em Minas Gerais, número que já supera o total de cinco dos sete setembros anteriores – inclusive o de 2018. Os dados das duas vegetações predominantes em Minas Gerais – cerrado e mata atlântica – também assustam. No primeiro bioma, por exemplo, foram 18.502 pontos de calor mapeados pelo Inpe só em setembro, número também maior que o total de igual mês em 2018. A comparação também pesa a favor de 2019 na mata atlântica: 3.115 até o último dia 19 contra 2.309 do ano anterior.

O quadro deve se manter neste fim de semana. Hoje, a umidade, segundo o Instituto Climatempo, deve variar entre 32% e 72%. O nível ideal apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é que o indicador varie entre 60% e 80%. Quanto à temperatura, o sábado deve ser de calor novamente: mínima de 21°C e máxima de 34°C. Para o domingo, os termômetros devem marcar entre 20°C e 30°C, conforme o Climatempo.


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