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Estado de Minas

Conselho da UFMG decide não recomendar adesão ao programa 'Future-se'

Os integrantes do Conselho Universitário lembram que até o momento o governo federal não anunciou medidas para reverter o bloqueio de cerca de 30% imposto aos orçamentos das universidades federais neste ano


postado em 10/08/2019 21:25 / atualizado em 10/08/2019 21:33

No caso da UFMG, os cortes em custeio chegam a R$ 64,5 milhões(foto: Leandro Couri/EM/D.A press)
No caso da UFMG, os cortes em custeio chegam a R$ 64,5 milhões (foto: Leandro Couri/EM/D.A press)
O Conselho Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) decidiu, em reunião na última quinta-feira (8), não recomendar a adesão da instituição à iniciativa lançada pelo governo federal no mês passado, o programa Future-se. 
 
A iniciativa proposta pelo MEC tem o objetivo de aumentar a autonomia administrativa das universidades federais. Essas instituições sofrem com contingenciamentos e alegam que suas atividades estão prejudicadas com os bloqueios de orçamento, por isso, a solução apresentada pelo governo é firmar parcerias entre a União, as universidades e organizações sociais.
 
O Future-se também estimularia que as instituições captassem recursos próprios, que auxiliassem na sua manutenção. O MEC informou que não se trata de privatizar o ensino público, mas de criar uma nova forma de financiá-lo. A cobrança de mensalidades em cursos de graduação, mestrado e doutorado está descartada, segundo o governo.
 
“É importante destacar que os eixos centrais da proposta, cujas ações seriam delegadas a uma organização social, não levam em consideração os princípios que caracterizam as universidades públicas brasileiras: a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, que busca a formação acadêmico-científica de excelência aliada a uma formação cidadã em todas as áreas do conhecimento”, afirma, em nota, o órgão máximo de deliberação da UFMG, presidido pela reitora Sandra Regina Goulart Almeida.
 
No documento, os integrantes do Conselho também lembram que até o momento o governo federal não anunciou medidas para reverter o bloqueio de cerca de 30% imposto aos orçamentos das universidades federais neste ano – no caso da UFMG, os cortes em custeio chegam a R$ 64,5 milhões. “Não se pode pensar o futuro sem que tenhamos segurança para fazer a gestão de nossas universidades no presente”, destacou a nota.
 
Ao fim do comunicado, o Conselho Universitário convida a comunidade a participar de dois debates sobre a proposta que serão realizados na próxima semana: na segunda-feira, dia 12, às 13h, na Faculdade de Medicina, no campus Saúde, e na terça-feira, 13, às 9h, no CAD1, no campus Pampulha.

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