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Estado de Minas

'Minha conduta foi pautada pela boa-fé', diz mãe que denunciou pai por estelionato em Minas

Em nota oficial publicada nas redes sociais da campanha, Karine Rodrigues disse que campanha foi interrompida por decisão judicial e que filho tem acesso ao medicamento por ordem judicial


postado em 23/07/2019 23:38 / atualizado em 23/07/2019 23:50

(foto: Reprodução/Facebook)
(foto: Reprodução/Facebook)

 

Um dia depois do marido Mateus Henrique Leroy Alves ser preso pela polícia em Salvador, onde ele gastava o dinheiro arrecadado via campanha para salvar a vida do filho João Miguel, Karine Rodrigues, a mãe da criança diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal (AME), se manifestou. Em texto escrito na rede social Instagram, a mulher ressaltou que sua “conduta sempre foi pautada pela boa-fé”.

 

 

Assim como informado pelo delegado Daniel Gomes, que comanda as investigações, Karine disse que procurou a polícia por um “comportamento estranho que Mateus vinha tendo”. O pai, segundo a polícia, gastou R$ 600 mil dos R$ 1 milhão e 17 mil arrecadados na campanha do filho, realizada em Conselheiro Lafaiete, na Região Central do estado.


Karine também disse que seu filho conseguiu, por meio judicial, as três primeiras doses do medicamento Spinraza, que custa R$ 365 mil cada comprimido. Além disso, a mãe informou que a campanha, por ora, devido ao auxílio do poder público, a campanha está suspensa.


No entanto, Karine Rodrigues destacou que, caso novas doses não sejam fornecidas, a campanha pode voltar. “Caso a liminar seja revogada e o João perca o tratamento via judicial, voltaremos com a campanha e contamos com a solidariedade de todos”, disse.


Ela também criticou a cobertura que a imprensa deu ao caso. Segundo Karine, o mesmo espaço não é dado quando famílias fazem campanhas para portadores da doença degenerativa.


“Fico muito triste que uma notícia tão ruim e estarrecedora tenha tomado tamanha proporção nos noticiários, quando tantos pais lutam a todo o momento para ter um pouquinho de espaço na mídia e levar um grito de socorro de seus filhos com AME”, reclamou.


A mulher também pediu orações em prol da recuperação do filho e elogiou os trabalhos realizados pela polícia.

 

Confira a nota na íntegra abaixo: 

 

Ver essa foto no Instagram

NOTA OFICIAL %u2013 CAMPANHA AME JOÃO MIGUEL Em relação aos últimos acontecimentos amplamente noticiados, venho dizer que, após a suspensão da Campanha Ame João Miguel, foi dado início ao procedimento para bloqueio judicial das contas da campanha junto à Vara da Infância e Juventude. Tão logo tomei conhecimento, por meio da advogada, do valor efetivamente bloqueado, aliado ao comportamento estranho que Mateus vinha tendo, fui até a Delegacia de Polícia de Conselheiro Lafaiete e relatei o ocorrido, culminando com os fatos já noticiados pela mídia desde ontem. Como mãe, minha conduta sempre foi pautada pela boa-fé e com a finalidade exclusiva de tentar salvar a vida de meu filho João Miguel. Mantendo a boa-fé e a transparência com a população que abraçou João Miguel como se fosse filho de cada um que colaborou, informo que a Campanha Ame João Miguel continuará suspensa, uma vez que existe uma liminar judicial determinando que o Estado de Minas Gerais e a União forneçam o tratamento do João Miguel até a decisão final. Decisão essa que resultou na aquisição das 3 primeiras doses do Spinraza. Caso a liminar seja revogada e o João perca o tratamento via judicial, voltaremos com a campanha e contamos com a solidariedade de todos. Nesses últimos dias João Miguel passou por uma bateria de exames médicos para dar início ao tão sonhado tratamento! Peço que todos se mantenham em oração por ele, pois ele sempre sentiu a energia positiva que cada um de vocês enviou a ele! Gostaria de informar que qualquer informação que circula na internet, áudios ou textos, atribuídos ao meu nome não são verdadeiros. Desta forma, toda informação oficial será dada apenas por mim nas redes oficiais da %u201CCampanha Ame João Miguel%u201D e sobre os fatos noticiados desde ontem, as informações podem ser obtidas junto ao Delegado responsável pela apuração dos fatos. Agradeço imensamente o trabalho realizado pelo Dr. Daniel Gomes e sua equipe! As investigações continuam e a justiça se pronunciará a seu tempo. Mais uma vez agradeço a toda população de Lafaiete, Barbacena e toda região que mais uma vez abraçou a mim e meus filhos nessa corrente de solidariedade! Fico muito triste ...CONTINUA NOS COMENTÁRIOS......

Uma publicação compartilhada por João Miguel A. Leroy Alves (@amejoaomiguel) em

 

O caso

 

(foto: Ramon Lisboas/EM/D.A Press)
(foto: Ramon Lisboas/EM/D.A Press)
 

 

Mateus Henrique Leroy Alves, de 37 anos, foi preso ontem pela polícia em Salvador. O pai de João Miguel vivia uma vida de luxo na capital baiana, de frente pra praia, com roupas e acessórios de marca e entorpecentes. Ele morava em um apart hotel e já havia quitado dois meses de aluguel adiantados. Tudo bancado com o dinheiro que deveria ser destinado à compra do remédio do filho.


As investigações começaram no início de julho, quando a mãe da criança procurou a delegacia de Conselheiro Lafaiete. Durante as investigações, a polícia obteve a quebra do sigilo bancário do acusado e pôde avançar ainda mais nas investigações.


No total, eram quatro contas-correntes, sendo duas administradas pela progenitora e duas pelo suspeito. Mateus Henrique tinha as senhas da mulher e, por meio delas, fazia transferências para suas contas a partir dos sistemas de internet banking.


Mateus deixou Conselheiro Lafaiete em 8 de maio. Ele contou à família que iria para Belo Horizonte com objetivo de fazer um curso de vigilante.


Contudo, nunca dava explicações sobre o curso. Ele visitou a cidade do interior por duas oportunidades durante o período, ambas passagens rápidas.


Segundo a polícia, há possibilidade de Mateus ter cometido o crime de lavagem de dinheiro, já que a quantia gasta é alta para um período tão curto.


O suspeito está casado com sua mulher há 13 anos. O casal teve dois filhos, um de 10 e o mais novo que sofre com a doença degenerativa. Mateus estava desempregado quando a vaquinha era feita, segundo a polícia.


Suspeito arrependido

 

 


Em conversa com a imprensa, ele disse estar arrependido, mas ressaltou que era vítima de extorsão. “Deixa a polícia investigar e vocês (jornalistas) vão saber o que era. Ostentação não existiu. Eu peço desculpa, mas queria deixar minha família intacta, em segurança”, disse. No entanto, ele também afirmou que pede perdão à esposa e a quem ajudou na campanha.


O acusado vai responder pelos crimes de estelionato e abandono material. Sobre a versão dada pelo suspeito sobre uma possível extorsão, o delegado Daniel Gomes disse que as datas apresentadas por ele não batem e que Mateus não apresenta informações concretas sobre o fato.



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