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Estado de Minas

'Uma brincadeira não vale uma vida': alunos aprendem sobre riscos do cerol

Guarda Municipal de BH reúne crianças para festival de pipas no Parque das Mangabeiras, com objetivo de conscientizar sobre o risco das linhas cortantes


postado em 13/07/2019 04:09 / atualizado em 13/07/2019 07:35

Brincadeira com responsabilidade: estudantes são estimulados a se divertir sem o uso de linhas cortantes, que só este ano fizeram 19 vítimas em BH(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA PRESS)
Brincadeira com responsabilidade: estudantes são estimulados a se divertir sem o uso de linhas cortantes, que só este ano fizeram 19 vítimas em BH (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA PRESS)

A temporada de férias começa com alívio e promessa de diversão para pais e estudantes, mas também com alerta para quem gosta de aproveitar os bons ventos da estação para a tradicional brincadeira de empinar pipas. O passatempo que encanta meninos e meninas, especialmente durante as férias, convida a dar um tempo em computadores, smartphones e videogames e se divertir ao ar livre. Ontem, de olho no céu azul, dezenas de crianças foram ao Parque das Mangabeiras, no Bairro Mangabeiras, Região Centro-Sul da capital, para participar do Festival de Papagaios, a convite da Guarda Municipal. Uma boa oportunidade para apresentar a campanha “Cerol mata!”. “Para se divertir não precisa de cerol. É muito perigoso. Pode matar uma pessoa. E uma brincadeira não vale uma vida”, afirmou Luciano Henrique Andrade Martins, de 14 anos, que esteve no parque para empinar pipa.

A campanha tem como objetivo conscientizar sobre os danos causados pelo uso criminoso de linhas cortantes, que vão desde ferimentos à morte, além do risco de quedas no fornecimento de energia elétrica. De acordo com dados da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em 2017, foram 25 casos de ferimento com linha de cerol na capital, número que aumentou para 31 em 2018. Neste ano já foram registradas 19 ocorrências, e a temporada considerada mais crítica, que coincide exatamente com o período de férias escolares, está apenas começando. De acordo com o engenheiro da Cemig Demêtrius Aguiar, em 2019, linhas cortantes causaram 44 interrupções no fornecimento de energia, deixando 750 mil residências sem luz.

“Esta é uma campanha da Prefeitura de Belo Horizonte executada pela Guarda Civil Municipal. Trabalhamos com a conscientização de crianças e adolescentes, público que mais usa cerol e linha chilena. Aproveitamos o início das férias escolares, período de grande incidência de vento em Belo Horizonte, para trabalhar isso”, afirma Éder Gotelip, guarda da Patrulha Escolar. A proposta é ensinar as crianças sobre empatia. “Procuramos trabalhar com os alunos a ideia de se colocar no lugar do outro, sabendo que o uso dessas linhas cortantes pode vitimar não só eles próprios, mas um parente próximo ou trabalhador que estiver na rua”, afirma.

Lição que foi aprendida pelo estudante Cauã Victor dos Santos, de 10 anos, da Escolha Municipal Hilda Rabello Matta, que conseguiu colocar a pipa em destaque no céu azul de brigadeiro no Parque das Mangabeiras. Para aproveitar as férias ele pretende soltar pipa com o pai. “Aprendi que não podemos usar cerol. Pode matar pessoas”, diz. Para quem quer se divertir empinando papagaios, é bom ficar atento também ao material usado para confeccioná-los. Luciano Henrique lembrou a importância de usar material degradável, como o papel de seda. “O plástico leva mais tempo para se decompor”, alerta o aluno do nono ano da Escola Municipal José Maria Alkimim.

A criançada aproveitou o dia ensolarado no parque de maneira consciente. Mais de 600 crianças já participaram do processo de conscientização promovido pela Guarda Municipal. Os agentes foram às escolas, fizeram exposição das linhas apreendidas e demonstraram o perigo delas. “Trouxemos as crianças para esse espaço para demonstrar que há possibilidade de se divertir sem colocar em risco a vida de ninguém”, afirmou o guarda Éder Gotelip. Muitos alunos são de escolas públicas do ensino fundamental. Entre eles, a menina Adrielle Biannca, de 11, da Escola Municipal Hilda Rabello Matta. “É a primeira vez que solto pipa. É bem legal. No meu bairro não tenho como soltar”, contou.

O guarda municipal Gilmar Barbosa, de 35, relembrou o tempo da adolescência ao repassar aos estudantes dicas de como soltar pipa de forma segura. “Brincar de papagaio não é crime. Crime é usar cerol ou linha chilena”, resumiu. Em oito anos de carreira, o agente advertiu muitos jovens acerca do uso indevido de linhas cortantes. “Procuramos orientar, informando que o uso não é permitido.”

MOTOCICLISTAS Na próxima semana, a Guarda Municipal fará blitz para motociclistas, os mais propensos a serem vítimas das linhas com cerol. “Faremos blitzes educativas e instalação de antenas. Quem for flagrado utilizando linha cortante, cerol ou chilena é conduzido até autoridade policial, que vai arbitrar multa, que pode ser de R$ 100 até R$ 2 mil. Aquele comerciante que estiver armazenando, produzindo ou vendendo linha chilena recebe multa de até R$ 4 mil e tem o alvará de funcionamento cassado”, esclarece Gilmar.

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