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Enfim, BR-381 terá pistas duplas liberadas; conheça os trechos

Promessa do Dnit é fechar o ano com a entrega de 66 quilômetros de obras, 21,6% do projeto de duplicação entre BH e Governador Valadares. O restante será privatizado


postado em 06/07/2019 06:00 / atualizado em 06/07/2019 08:29

Apenas quatro dos 11 lotes da BR-381 saíram do papel e até agora nenhum trecho com configuração de pista dupla foi entregue(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Apenas quatro dos 11 lotes da BR-381 saíram do papel e até agora nenhum trecho com configuração de pista dupla foi entregue (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)

Depois de cinco anos de obras e intermináveis transtornos gerados diariamente em forma de congestionamentos quilométricos, acidentes, falta de sinalização, asfalto deteriorado, entre outros problemas, o governo federal promete entregar 66 quilômetros duplicados da BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, até 31 de dezembro. Apesar de em alguns trechos as novas vias de concreto já estarem prontas, ainda não foi liberada a circulação em nenhuma com a configuração de pista dupla. A entrega prometida até o fim do ano corresponde a 21,63% dos 305 quilômetros distribuídos em 11 lotes de obras, dos quais apenas quatro saíram do papel. Para os motoristas e também para o Movimento Nova 381, essa quantidade de quilômetros liberados vai ajudar na rotina complicada da rodovia, mas só a duplicação total será capaz de mudar a realidade do trecho, que é considerado um dos mais importantes eixos de transporte de carga e de passageiros de todo o Brasil. O passo seguinte será a privatização dos outros trechos do projeto.
 
O anúncio da entrega das obras foi feito pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e também reproduzido em redes sociais do Ministério da Infraestrutura. De acordo com os dois órgãos, os 66 quilômetros se referem aos lotes 3.1, 3.2, 3.3 e 7 da obra de duplicação. Os três primeiros estão entre Jaguaraçu e Antônio Dias e incluem dois túneis, concluídos desde 2015. Segundo o DNIT, nesse segmento estão 11 quilômetros, entre os Kms 303 e 314, que serão liberados nos próximos dias. Mas essa liberação ainda não significa trânsito em pista dupla. O tráfego atual será desviado para as novas faixas construídas de concreto, mantendo a configuração de mão dupla em pista simples. A partir dessa liberação, a construtora vai modernizar as faixas por onde flui o trânsito atual para, depois disso, liberar os primeiros quilômetros da 381 em pista dupla desde o início das obras. Além disso, serão entregues quatro quilômetros de pista dupla nova entre os quilômetros 298 e 302 e que estão antes desse trecho conhecido como binário novo.
 
O consultor do Movimento Nova 381, entidade empresarial que acompanha de perto toda a mobilização em torno das obras, Cláudio Veras, diz que alguns ajustes referentes à energia elétrica e vistoria do Corpo de Bombeiros nos dois túneis que integram esse segmento são os últimos entraves para a liberação. Depois disso, outros 19,7 quilômetros serão concluídos no mesmo lote 3.1, entre Jaguaraçu e Nova Era. A expectativa é que esse pedaço fique pronto até outubro. Já os 37,5 quilômetros do lote 7, pertencentes aos municípios de Itabira, Bom Jesus do Amparo, Nova União, Taquaraçu de Minas e Caeté, ficam para 31 de dezembro.
 
“O DNIT entrou em acordo com a construtora no caso do lote 7 para que sejam concentrados esforços para liberar os trechos efetivamente duplicados”, diz Cláudio Veras. Ele se refere ao segmento que mais tira a paciência dos motoristas, principalmente entre Caeté e Nova União, onde motoristas percebem diariamente a presença das novas pistas de concreto, mas ainda não podem usufruir de um trânsito em pista dupla. A reportagem do EM gastou 2h30min para percorrer um trecho de 40 quilômetros da rodovia. Acidentes e a lentidão normal trazida pelas obras dificultaram bastante a vida de quem precisou passar ontem pela rodovia.

(foto: Arte)
(foto: Arte)


Dificuldades


“O que posso dizer é que tenho um sentimento de indignação total sobre estas obras. Além disso, ainda temos que conviver com muitos buracos entre João Monlevade e Belo Horizonte”, diz a enfermeira Carmen dos Santos, de 44 anos, que usa a 381 de 15 em 15 dias. O motorista Ronieli Marques, de 27, costuma usar a rodovia para a viagem entre BH e Inhapim, no Vale do Rio Doce, e em um dos últimos trajetos gastou 13 horas para percorrer 280 quilômetros. “Pelo que vejo de obras, acho que é possível liberar os 66 quilômetros até dezembro. Mas já era para essa rodovia estar 100% duplicada, a corrupção levou dinheiro demais da 381”, diz ele.
 
Também motorista, Bruno Eduardo Morais, de 40, diz que todo dia enfrenta filas quando pega a 381. “Tem hora que vem desde o trevo de Caeté até a barreira da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Qualquer coisa que liberar duplicado já vai ajudar, não tem condição uma rodovia dessa, que além de tudo ainda é muito perigosa”, diz ele. Cláudio Veras, consultor do Movimento Nova 381, diz que a liberação dos 66 quilômetros ajuda, mas somente a duplicação de todo o trecho entre BH e Valadares resolve o problema da rodovia por onde passa boa parte do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais. “A parte mais crítica é entre Belo Horizonte e João Monlevade. Nesse sentido, a duplicação do lote 7 é muito importante, principalmente pela questão da segurança, mas ainda faltaram outros lotes”, diz ele, que cita como exemplos o 8A e o 8B.

Equilíbrio


O consultor analisa que de acordo com as sinalizações que têm sido divulgadas pelo Palácio do Planalto o caminho para o qual o governo federal aponta é o da conclusão das obras de duplicação dos lotes 3.1 e 7 para conceder o restante da rodovia à iniciativa privada. O governo já prepara edição nesse sentido. Veras demonstra preocupação com duas questões. Uma delas é estabelecer um equilíbrio entre o retorno econômico para a empresa que porventura assumir a rodovia e o benefício para os usuários, uma vez que as obras podem impor um valor muito alto de pedágio para garantir o retorno necessário à iniciativa privada.
 
Outra preocupação é repetir o modelo visto atualmente com as rodovias da terceira fase de concessões rodoviárias no Brasil, como a 040, 262 e 153. Nesses três casos, cinco anos depois que as empresas assumiram as concessões, 100% das obras de duplicação deveriam estar prontas, mas as duplicações ficaram restritas aos 10% previstos nos contratos para autorizar a cobrança de pedágio. Os motoristas, então, pagam as tarifas sem usufruir das ampliações de capacidade. “Sem dúvida, dessa forma seria muito complicado. Por enquanto, o que temos são sinalizações. Vamos aguardar as audiências públicas para ver qual será a proposta e conhecer realmente o modelo”, completa Veras.

Enquanto isso...Ministério prepara edital

O Ministério da Infraestrutura deverá publicar, no 2º trimestre de 2020, um edital para conceder à iniciativa privada a BR-381, entre BH e Valadares, e a BR-262, entre João Monlevade e a divisa de Minas com o Espírito Santo. Segundo a pasta, a expectativa do governo é fazer o leilão no 3º trimestre do ano que vem. Os valores de pedágio ainda estão em estudo, conforme o ministério. A expectativa é que o valor integral comece a ser cobrado após a conclusão das obras.


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