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Estado de Minas

Motoristas de BH admitem ser mais imprudentes que a média do país; veja números

Pesquisa do Ministério da Saúde indica que condutores de BH superam média nacional em infrações como uso de celular e consumo de álcool ao dirigir - consideradas pelo Detran as principais causas de acidentes em Minas -, assim como em excesso de velocidade


postado em 25/06/2019 06:00 / atualizado em 25/06/2019 07:11

Prática que mais chama a atenção é o uso de telefone, relatado por 21,5% dos entrevistados na capital(foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS)
Prática que mais chama a atenção é o uso de telefone, relatado por 21,5% dos entrevistados na capital (foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS)
Um levantamento feito pelo Ministério da Saúde com motoristas de todo o Brasil acende o sinal amarelo para o comportamento de condutores de Belo Horizonte, de Minas Gerais e de todo o país. Dados da pesquisa do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2018 indicam índices preocupantes em relação ao uso de celular ao volante, ao consumo de álcool e ao abuso de velocidade. Em relação BH, um dado que deve deixar autoridades em alerta é que a cidade aparece entre as 15 capitais brasileiras com mais altos índices nos três quesitos, superando a média nacional em todos eles. Vale lembrar que os dados são fruto de manifestação espontânea dos entrevistados, não refletindo os reais percentuais de infrações.

Um dos dados que mais chamam a atenção no levantamento diz respeito à prática considerada pelo Detran de Minas como a principal causa de acidentes no estado: o uso de celular ao volante. Agentes de trânsito flagraram em território mineiro, em 2019, um motorista usando celular enquanto dirige a cada dois minutos e meio, em média, segundo dados referentes ao período de janeiro a março. A média mensal neste ano no estado supera as 17,3 mil infrações por esse motivo, número que é 41% superior aos 12,2 mil flagrantes por mês de 2018.

Esses números ajudam a entender o cenário revelado ontem pelo Ministério da Saúde sobre o hábito de usar o smartphone ao dirigir. A pasta mostrou que 19,3% dos condutores ouvidos nas capitais do país admitem telefonar, teclar ou conferir a internet e mensagens enquanto dirigem – disparadamente a infração mais admitida entre os entrevistados. Isso significa uma a cada cinco pessoas assumindo que comete a infração. Em Belo Horizonte, que registra ligeira redução da média mensal de flagrantes em 2019 (veja quadro), o percentual é ainda maior do que a média nacional, chegando a 21,5% da população usando o telefone ao mesmo tempo em que conduz um veículo.

Em todo o estado já são 52.131 multas aplicadas a condutores que foram vistos por agentes de trânsito com o telefone ao dirigir. No ano passado, o número chegou a 147.107 registros. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) divide o uso de celular de três formas. Segurar o aparelho ou manusear o telefone apareceram no código com essa caracterização a partir da Lei 13.281, de 2016. Em qualquer uma dessas situações o condutor é multado em R$ 293,47 e perde sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Além disso, o CTB também pune aqueles que forem pegos “utilizando-se de telefone celular”. Essa redação serve para o condutor que for flagrado usando “fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone celular”. Nesse caso, a infração é considerada média, o condutor perde quatro pontos na carteira e está sujeito a multa de R$ 130,16.

(foto: Arte/EM)
(foto: Arte/EM)


CONSCIENTIZAÇÃO Para a delegada Amanda Curty, coordenadora de Educação para o Trânsito do Detran/MG, as multas estão aumentando no estado porque a fiscalização está maior. A delegada é taxativa ao garantir que hoje as duas principais causas de acidente no estado são o uso do celular ao volante e a ingestão de bebidas alcoólicas por motoristas antes de dirigir, com maior destaque para a primeira infração. “O combate ao uso do telefone é feito por campanhas educativas, como a que terminou agora com o Maio Amarelo, e parte pela repressão. A conscientização das pessoas, com certeza, é o principal fator para mudar esse quadro. Basta lembrar da situação do cinto de segurança: há muitos anos era difícil convencer alguém, mas hoje praticamente todo mundo coloca o cinto ao entrar em um carro”, compara. Segundo ela, o Detran tem promovido campanhas para aumentar essa conscientização. “O uso de álcool e celular estão sempre no foco das campanhas”, afirma.

O risco é muito grande para quem insiste em mexer no aparelho enquanto dirige, na avaliação do especialista em medicina de tráfego Dirceu Rodrigues Alves, diretor de Comunicação da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet). Segundo ele, estudos da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, mostram que apenas 2% dos condutores conseguem realizar duas tarefas bem. “O celular tira a função cognitiva, como a atenção, a concentração e a percepção, e reduz a parte motora, que é a resposta que se precisa dar diante do que ouve e vê. Além disso, ainda altera a funções sensório-perceptivas, como a visão, audição e a parte tátil”, afirma o médico. O resultado dessas alterações, segundo ele, é o aumento da chance de acidentes. “Dependendo da situação, vamos ter lesões, graves, gravíssimas, podendo inclusive chegar ao óbito no local do acidente”, acrescenta.
 
Vigitel

A pesquisa conduzida pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico entrevistou mais de 52 mil pessoas em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal entre fevereiro e dezembro do ano passado. Trata-se de levantamento feito pelo Ministério da Saúde desde 2006, que monitora diversos fatores de risco e proteção relacionados à saúde, incluindo a temática de trânsito. Acidentes automobilísticos são considerados a segunda maior causa de mortes externas no país. Em 2017 no Brasil, 35,4 mil pessoas perderam a vida nessas circunstâncias e 182.838 foram internadas, gerando nesse último caso gastos de R$ 260,8 milhões. Além das sequelas emocionais, muitos pacientes ficam com lesões físicas, sendo as principais consequências amputações e traumatismo cranioencefálico, segundo a Saúde nacional.

Risco no acelerador e no copo


Um comportamento que eleva as chances de ocorrerem acidentes graves parece ser comum em Belo Horizonte. Pesquisa do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2018, feita pelo Ministério da Saúde, mostra que a cidade está entre as quatro capitais do país onde mais motoristas admitiram ter recebido multas por excesso de velocidade nos12 meses anteriores ao estudo. A capital mineira também está entre as 10 com maior percentual de condutores que confessam ter consumido  qualquer quantidade de bebidas alcoólicas ou feito uso abusivo de álcool antes de dirigir.

O Vigitel é uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde que, desde 2006, monitora diversos fatores de risco e proteção relacionados à saúde, incluindo a temática de trânsito nas capitais dos 26 estados e no Distrito Federal. Nesta edição foram entrevistadas por telefone 52.395 pessoas, maiores de 18 anos, entre fevereiro e dezembro de 2018. O resultado foi divulgado ontem.

Uma preocupação é com o excesso de velocidade. O estudo apontou que 11,4% da população entrevistada em todas as capitais afirmou já ter recebido multas de trânsito por excesso de velocidade. O comportamento de risco foi identificado mais em homens (14%) do que em mulheres (7%), na população de 25 a 34 anos (13,4%), e de maior escolaridade (13%).

Nesse item, Belo Horizonte está na quarta posição no país e acima da média nacional. Segundo o estudo, 13,85% dos entrevistados da cidade disseram que receberam multa por cometer a infração. Atrás apenas de Distrito Federal, com 15,71%, Fortaleza, com 14,64%, e Porto Alegre, com 14,19%.

BEBIDA O consumo de álcool antes de assumir o volante também continua sendo um hábito perigoso dos brasileiros. A pesquisa mostrou que a proporção de adultos que informaram que conduziram veículos motorizados após consumo de qualquer quantidade de bebida alcoólica foi de 5,3%, sendo maior entre homens (9,3%) do que mulheres (2%). A associação entre consumo de álcool e direção ocorreu principalmente em indivíduos de maior escolaridade (8,6%) e com idade entre 25 e 34 anos (7,9%).

Novamente, Belo Horizonte está entre as 10 capitais do país onde isso acontece. O levantamento mostrou que 7,97% dos entrevistados admitiram que já consumiram bebidas alcoólicas antes de dirigir. A primeira cidade neste quesito foi Palmas, com 14,2%, seguida de Teresina, com 12,4%, Florianópolis, com 12,1%, e Cuiabá, com 9,92%.

A pesquisa também questionou o uso excessivo de bebidas alcoólicas antes de pegar a direção. Em Belo Horizonte, 1,45% admitiram que cometeram a infração. O resultado colocou a cidade em sétimo lugar do país neste quesito. Em primeiro está Palmas, com 2,69%, seguida de Boa Vista, com 2,37%, Cuiabá, 1,93%, e Macapá, com 1,64%. A média nacional é de 1,02%.

Ação educativa

Os riscos do uso abusivo de álcool são tema de ações educativas da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) que serão realizadas hoje. Pedestres e motoristas vão ser abordados e receberão materiais informativos, com alertas sobre os riscos do alcoolismo e os agravos à saúde mais relacionados ao uso abusivo de bebidas. Durante a noite, clientes e proprietários de bares e restaurantes serão orientados. O objetivo, segundo a pasta, é que os garçons dos bares auxiliem, dando orientações aos consumidores. As ações ocorrem a partir de hoje em comemoração à Semana Estadual de Prevenção ao Uso de Drogas. Até quarta-feira, serão mais de 200 atividades em todo o território mineiro.  A Guarda Municipal de Belo Horizonte também vai apoiar os eventos.


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