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Estado de Minas

"Cultivemos sempre um coração sensível às dores dos excluídos", pede dom Walmor, eleito na CNBB

Arcebispo metropolitano de BH assume a presidência da CNBB nesta sexta-feira, cargo que ocupará pelos próximos quatro anos


postado em 07/05/2019 06:00 / atualizado em 07/05/2019 09:27

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte eleito para a presidir a CNBB:
Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte eleito para a presidir a CNBB: "Cultivemos sempre um coração sensível às dores dos excluídos, das pessoas esquecidas, conscientes de que Jesus nasceu e cresceu entre os mais sofridos" (foto: Arquidiocese de BH/Divulgação)

Um coração solidário, amoroso com os pobres e cheio de fé pela Igreja – e, desde ontem, ainda maior e mais acolhedor aos brasileiros de todos os cantos dos país. O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, é o novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), conforme o resultado da eleição ocorrida ontem, em Aparecida (SP).

Natural de Cocos (BA), com grande parte da formação religiosa em Minas e há 15 anos à frente da Arquidiocese de BH, dom Walmor, de 65, foi escolhido em votação da qual participaram 296 bispos, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida. No local, foram instaladas 17 urnas eletrônicas, e a definição do pleito anunciada ao fim da 57ª Assembleia Geral da CNBB.

Dom Walmor sucede o arcebispo de Brasília (DF), cardeal Sérgio da Rocha, para um período de quatro anos, estando a posse marcada para a manhã de sexta-feira, em Aparecida. Ao saber da escolha, ele disse: “Deus tudo conduz. Por vontade Dele e na confiança de nossos irmãos bispos de todo o Brasil, abraço, com alegria, a missão de presidir a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil”.

Ao fim da assembleia, dom Walmor falou dos desafios. “Trata-se de grande responsabilidade, pois muitos são os desafios. Precisamos trabalhar unidos para que a Igreja seja, cada vez mais, missionária, ‘em saída’, conforme nos pede o Papa Francisco, inspirado no Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para isso, nosso olhar deve permanecer voltado para os mais pobres, fortalecendo nossas ações no exercício da caridade, do amor, na busca da justiça, imprescindível para a construção da paz, tão necessária na atualidade. Cultivemos sempre um coração sensível às dores dos excluídos, das pessoas esquecidas, conscientes de que Jesus nasceu e cresceu entre os mais sofridos”.

E mais: “Peço a Deus que me abençoe na presidência da CNBB, inspirando-me na construção de um trabalho exemplar, à semelhança do que fizeram os irmãos bispos que me precederam, em profunda comunhão com o nosso amado Papa Francisco. Estarei sereno e buscando fazer o melhor, guiado pela luz da fé, nosso tesouro imperecível, entusiasmado e alegre em poder servir, sempre mais. Compreendo que exercer a presidência é ser o primeiro a se colocar a serviço, com serenidade, e com o apoio de todos os irmãos bispos, sempre confiante em Deus, pois conquistamos a paz ao fazer a vontade Dele”.

Os últimos religiosos mineiros ou com atuação do estado a assumir a presidência da CNBB foram dom Raimundo Damasceno, natural de Capela Nova, Região Central de Minas, arcebispo emérito de Aparecida (SP), que atuou à frente da instituição entre 2011 e 2015, e Dom Geraldo Lyrio da Rocha, capixaba de Fundão, arcebispo emérito de Mariana. Ele presidiu a CNBB entre 2007 e 2011.

FÉ CRISTÃ
De acordo com informações da Arquidiocese de BH, Dom Walmor se recorda “com alegria” da infância em Cocos, no interior da Bahia, vivida com os quatro irmãos. Ainda criança, aprendeu com os pais, João Augusto de Azevedo e Maria Conceição Oliveira de Azevedo, os fundamentos da fé cristã, participando dos momentos de oração, ainda mais nas ocasiões solenes, quando a cidade recebia um sacerdote. A exemplo de tantas outras cidades do interior do país, naquela época,

Cocos não tinha padre. E, nesse ambiente de simplicidade e genuína fé, dom Walmor vivenciou o despertar de sua vocação.

Após concluir o curso primário (atual primeiro ciclo do ensino fundamental), no Grupo Escolar Sebastião Augusto de Azevedo, cursou o ginásio no Seminário Diocesano São José (1966-1968) e Instituto de Educação Anísio Teixeira (1969), em Caetité (BA).

O desejo de anunciar sempre mais o Evangelho incentivou dom Walmor a se dedicar com intensidade tanto à vida pastoral quanto aos estudos, sempre grato às instituições nais quais teve a oportunidade de enriquecer sua formação acadêmica: a Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, Itália), que lhe conferiu o doutorado em Teologia Bíblica; o Pontifício Instituto Bíblico (Roma, Itália), o mestrado em Ciências Bíblicas; o Seminário Arquidiocesano Santo Antônio, em Juiz de Fora (MG), na Zona da Mata, onde cursou Filosofia e Teologia; e a Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, em São João Del Rei, na Região do Campo das Vertentes.

A partilha de conhecimentos com os fiéis, aos quais o arcebispo atribui o seu mais rico aprendizado, remete dom Walmor aos tempos em que foi titular da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Benfica e da Paróquia do Bom Pastor, na Arquidiocese de Juiz de Fora; coordenador da Região Pastoral Nossa Senhora de Lourdes; coordenador Arquidiocesano da Pastoral Vocacional e reitor do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio. No campo acadêmico, teve a oportunidade de lecionar as disciplinas ciências bíblicas, teologia e lógica II; coordenou os cursos de filosofia e teologia. Foi também professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (1987-1998) e da PUC Minas, em Belo Horizonte (1986-1990). Lecionou no mestrado em Teologia da PUC Rio (1992, 1994 e 1995).

PRIMEIRO SERVIDOR
Dom Walmor percorreu, segundo integrantes do clero, “um bonito caminho até a nomeação para bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador (BA), por São João Paulo II, e a ordenação episcopal, pela imposição das mãos do cardeal dom Frei Lucas Moreira Neves, em 10 de maio de 1998. Na capital baiana, empenhou-se para qualificar ainda mais a formação de padres e diáconos. Seis anos depois, é nomeado arcebispo metropolitano de BH por São João Paulo II. Inicia o ministério na capital mineira em 26 de março de 2004, se apresentando sempre como primeiro servidor. “Dom Walmor, então, faz da Cúria Metropolitana uma família, onde cada bispo auxiliar é acolhido como irmão, amado e orientado como filho.”

Em outubro de 2008, dom Walmor foi escolhido para ser um dos quatro representantes do Brasil na XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada em Roma. Já em 2014, passa a integrar a Congregação para as Igrejas Orientais, nomeado pelo Papa Francisco, a partir do trabalho realizado pelo arcebispo, desde 2010, quando se tornou referencial para os fiéis católicos de Rito Oriental residentes no Brasil e desprovidos de ordinário do próprio rito.

Nomeado pelo Papa Bento XVI, dom Walmor também é membro da Congregação para a Doutrina da Fé, desde 2009. Na CNBB, o arcebispo presidiu a Comissão para a Doutrina da Fé durante os exercícios 2003 a 2007 e de 2007 a 2011, com importante contribuição na nova tradução da Bíblia da CNBB. Também exerceu a presidência da Regional Leste II da CNBB – Minas Gerais e Espírito Santo.


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