Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas

Trânsito matou quase 5 pessoas a cada 24 horas nos primeiros meses do ano

Maio Amarelo chama a atenção para a violência em ruas e estradas de Minas, que provoca cerca de 200 acidentes diários, oito por hora e dois a cada 15 minutos


postado em 30/04/2019 06:00 / atualizado em 30/04/2019 14:41

Estradas e vias urbanas em território mineiro registraram entre janeiro e março deste ano 17.528 desastres com vítimas, que provocaram 445 mortes(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press - 15/1/19)
Estradas e vias urbanas em território mineiro registraram entre janeiro e março deste ano 17.528 desastres com vítimas, que provocaram 445 mortes (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press - 15/1/19)
O sinal de alerta dispara para a urgência de ações voltadas para a educação no trânsito em Minas, em um contexto de milhares de acidentes com vítimas, que evidenciam uma permanente epidemia de violência em ruas e estradas no estado. Com média de praticamente cinco mortes por dia em decorrência de acidentes nos primeiros meses do ano, esse desafio, imposto a autoridades e sociedade, entra em evidência durante o chamado Maio Amarelo, mês voltado para a conscientização da população em relação ao comportamento a bordo de carros, motos, ônibus ou caminhões. Os diversos órgãos que computam dados de acidentes registraram 17.528 desastres com vítimas e 445 mortos em Minas entre janeiro e março, segundo estatísticas centralizadas pelo Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG). Isso representa 194 ocorrências ao dia, que tiraram, em média, 4,9 vidas a cada 24 horas. A média das colisões com algum tipo de vítima é de oito casos por hora ou um a cada 7,5 minutos, o que para especialistas mostra o tamanho do desafio e a necessidade urgente de transformar ações educativas em uma política sólida que dure o ano inteiro, e não fique restrita a apenas um período.

Os números são altíssimos, ainda que a quantidade de acidentes em Minas com vítimas mostre redução entre 2014 e 2019 (veja quadro). A comparação entre os primeiros trimestres de 2018 e 2019, no entanto, revela recuo bem tímido: são 17.528 batidas este ano, contra 17.732 de janeiro a março do ano passado, queda de apenas 1,16%. Já em relação às mortes, a redução ocorreu de 2014 a 2016, com aumento em 2017 e nova queda em 2018. Considerando os períodos janeiro/março deste ano e do ano passado, a redução é de apenas duas mortes.

O objetivo do Maio Amarelo é reduzir esses índices, não só em Minas, mas em todo o mundo, conforme recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU). Porém, as estatísticas mostram que ainda é necessária uma mudança drástica para obter resultados melhores. Neste ano, uma das tentativas de sensibilizar os motoristas será apelar para a influência das crianças. Com o slogan “Me ouça”, a campanha busca colocar pequenos e pequenas como voz ativa na cabeça dos adultos. “Às vezes, o pai fica constrangido de infringir uma regra de trânsito diante de um conselho infantil. E tem o lado do pai querer ser sempre o exemplo para o filho”, diz a delegada Amanda de Menezes Curty, que é coordenadora de Educação de Trânsito do Detran/MG.

Entre as ações que serão desenvolvidas estão blitzes educativas, palestras em escolas e distribuição de material publicitário alertando para a necessidade de agir com educação no trânsito, criando um ambiente mais seguro. Para Osias Baptista, especialista em transporte e trânsito, as premissas do Maio Amarelo precisam ser estendidas, com urgência, para o ano inteiro. “Seria importante que as campanhas fossem permanentes, porque o perigo é permanente. A morte das pessoas no trânsito acontece durante todo o ano. Já conseguimos um recuo, mas ainda há muita gente morrendo. Por isso precisamos de uma postura mais permanente dos governos com relação a isso, e da sociedade como um todo”, afirma Osias.

Um dos caminhos para buscar melhorias é o investimento em educação infantil dentro das escolas, segundo o representante em Minas do Observatório Nacional de Segurança Viária, Mauricio Pontello. O especialista acredita que as diferentes disciplinas da educação básica precisam incentivar conteúdos que façam os mais jovens refletir e adotar posturas de segurança. “Se conseguirmos criar currículos escolares de forma interdisciplinar, isso sim traria um avanço muito grande na educação infantil”, afirma.

Pontello também destaca a necessidade de controle de velocidade, em um contexto que o presidente Jair Bolsonaro chegou a anunciar que barraria a instalação de 8 mil novos radares nas rodovias do país, medida que foi impedida pela Justiça. “A maior causa de acidente e morte no Brasil é exatamente o excesso de velocidade. Nós matamos muito e matamos com velocidade”, diz ele.

(foto: arte/ EM)
(foto: arte/ EM)

Impactos na vida
e na rede de saúde

Quando um acidente produz lesões em uma vítima, quanto maior a velocidade praticada pelos veículos envolvidos na ocorrência, maior é também a gravidade dos ferimentos, segundo o diretor assistencial da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), Marcelo Lopes Ribeiro. O médico destaca que muitas são lesões irreversíveis. “Uma coisa que assusta a gente é a quantidade de pessoas ficando paraplégicas e tetraplégicas vítimas de quedas de moto”, diz ele, sobre os atendimentos de urgência feitos no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII.

De acordo com a Fhemig, em 2017 foram 5.427 acidentados de moto atendidos na unidade, contra 4.133 em 2018 e 1.549 de janeiro a 28 de abril deste ano. Apesar da redução, Ribeiro destaca que também tem percebido reincidência de acidentes, o que mostra que não está havendo conscientização, mesmo com ocorrências graves. Tudo isso traz impacto não apenas paras as vidas das vítimas, mas também para a questão financeira do estado, que gasta muito para garantir os atendimentos. Segundo o médico, há o caso de um paciente acidentado de moto que está internado há nove meses na rede hospitalar, gerando um custo que sozinho supera os R$ 900 mil. Se investidos na prevenção, esses recursos poderiam evitar mais mortes e lesões graves.

“Infelizmente, sabemos que estão se estreitando cada vez mais os recursos financeiros. E a gente tem que dar um jeito de otimizar custos. O principal para nós é a saúde: não importa quanto vai custar, eu tenho que salvar a vida do paciente. Porém, às vezes são situações completamente evitáveis. Precisamos conscientizar todo mundo de que é preciso reduzir as despesas, senão chegará o momento em que não vamos ter como atender”, afirma Ribeiro.

O lançamento da campanha do Maio Amarelo contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o secretário de estado de Segurança Pública, general Mario Lucio Alves de Araujo. Ele destacou que o governo deve investir nas ações de educação do trânsito, mas chamou a sociedade a participar ativamente dessas ações. “A participação da sociedade é muito bem-vinda. Só assim vamos construir segurança pública, que é responsabilidade do Estado, mas um dever de todos”, resumiu.

Ontem foi montada uma blitz educativa em frente ao Detran, assim como uma apresentação de  teatro desenvolvido pela Gerência de Educação para Mobilidade da BHTrans, com o objetivo de alertar motoristas e pedestres sobre atitudes seguras no trânsito. Em todo o estado estão programadas ações educativas durante o mês, com a proposta de despertar na sociedade a consciência para a questão da segurança viária.

 

A origem da campanha
Em maio de 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou a Década de Ação para Segurança no Trânsito, com base em um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que contabilizou, em 2009, cerca de 1,3 milhão de mortes por acidente em 178 países. Por isso, o mês de maio se tornou referência mundial para as ações que visam reduzir o número de vítimas em ruas e estradas. A cor simboliza sinal de atenção e de advertência no tráfego. O objetivo chamar a atenção de motoristas, passageiros, pedestres e ciclistas sobre os impactos sociais, emocionais e econômicos dos desastres, para conseguir mudar atitudes. No Brasil, o Movimento ganhou forma a partir de 2014 e conta com a participação de órgãos públicos, empresas privadas e membros da sociedade civil do país que, segundo a OMS, é o quarto em número de mortes por acidente de trânsito no mundo.


Publicidade