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Estado de Minas

Confira os números que levaram a PBH a instalar centros de atendimento que abrem no sábado

Primeiro CAD começa a funcionar amanhã, quando sete centros de saúde também reforçam o esquema para desafogar as superlotadas Unidades de Pronto-Atendimento


postado em 26/04/2019 06:00 / atualizado em 26/04/2019 07:42

Pacientes lotam a UPA Leste à espera de atendimento, situação que se tornou comum devido à epidemia. Amanhã, sete centros de saúde vão abrir para reforçar o sistema(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press)
Pacientes lotam a UPA Leste à espera de atendimento, situação que se tornou comum devido à epidemia. Amanhã, sete centros de saúde vão abrir para reforçar o sistema (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press)
Nova ofensiva contra o aumento de casos de dengue na capital. Como parte do protocolo de crise, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) vai abrir três novas unidades – os centros de atendimento para dengue (CAD) – destinadas a pessoas com suspeita da doença causada pelo mosquito Aedes aegypti. O primeiro deverá entrar em funcionamento até amanhã, no Barreiro, no Complexo de Saúde localizado na antiga Praça da Febem, informou, ontem, o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado. A expectativa é atender cerca de 2,3 mil pessoas por semana, adiantou Machado ao lado do prefeito Alexandre Kalil e do secretário municipal de Fazenda, Fuad Noman. “Será um serviço de porta aberta”, garantiu o prefeito.
Os demais CADs, ainda sem data para iniciar o serviço, serão igualmente montados em tendas na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Venda Nova e UPA Nordeste. Nos locais, será feita uma triagem, podendo o paciente receber soro ou ser encaminhado para unidades com mais recursos médicos. Amanhã, para reforço na campanha municipal de combate à dengue, sete centros de saúde ficarão abertos em bairros das regiões Barreiro, Oeste, Norte, Nordeste, Noroeste, Pampulha e Venda Nova.

Segundo Machado, a não abertura de imediato de todos os CADs está condicionada à falta de recursos humanos: “Precisamos de 80 médicos. Aguardamos os currículos para contratação, mas não estão chegando”. Na capital, há cerca de 4 mil casos confirmados de dengue e 14 mil em investigação, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde. O Centro de Atendimento para Dengue resgata um serviço já concedido anteriormente na cidade, em especial em 2016, quando houve cerca de 150 mil pessoas atingidas.

Durante o encontro com os dois secretários, na sede da PBH, Kalil citou os dois óbitos de pacientes com sintomas da doença ocorridos recentemente em unidades de saúde da capital e disse que um deles, no Barreiro, veio do município vizinho de Ibirité. “Devido ao serviço de saúde precário nas cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), pela falta de repasse de recursos pelo governo estadual, as pessoas estão vindo buscar ajuda aqui (na capital), superlotando o atendimento. Não estou pedindo dinheiro nem vou decretar estado de emergência. Temos condições de manter o atendimento”, afirmou. Ainda estão sendo realizados testes para confirmar se as mortes foram provocadas pela dengue.

RECURSOS De acordo com Kalil, o estado deve aos municípios da RMBH cerca de R$ 1 bilhão, montante referente à administração passada. “No novo governo estadual”, acrescentou, “já são R$ 240 milhões não repassados”. Dessa forma, reiterou o chefe do Executivo, o serviço de saúde está precário nas cidades. Defendendo o trabalho de prevenção em BH, com investimento e campanhas de esclarecimento da população, Kalil rechaçou críticas aos programas e ações municipais contra a dengue e outras doenças. “Se forem bater, têm que bater em quem deu o tiro e não em quem está tentando tirar as balas”. Irritado, ressaltou que “a epidemia de dengue não ocorre em Belo Horizonte, mas no Brasil, onde há 3 mil casos por dia”

Ao lado, Jackson Machado explicou que as cidades da RMBH que mais enviam pacientes para a capital são as de maior população, como Ribeirão das Neves e Contagem. “Mas todas mandam muita gente para cá. Casos autóctones, em BH, são em número muito pequeno”, acrescentou o secretário, ao lado do prefeito. Ele disse ainda que, mensalmente, BH gasta R$ 5 milhões com ações educativas de combate ao mosquito e trabalhos de prevenção, totalizando R$ 60 milhões por ano. De acordo com o último boletim sobre a dengue publicado pela Secretaria de Estado de Saúde, 25 dos 34 municípios da Grande BH têm incidência alta ou muito alta da dengue. Nessa área há sete mortes confirmadas, metade das 14 de todo o estado até 22 de março.

Conforme o secretário de Fazenda, BH aplica 25% do orçamento em saúde, enquanto a lei manda 15%. “Não estão faltando recursos, nem faltarão, para a saúde pública na capital. Desse R$ 1 bilhão que o estado deve aos municípios da RMBH, metade é de Belo Horizonte. Entre as medidas de controle mantidas na cidade estão as visitas cinco vezes por ano aos imóveis (900 mil), monitoramento de pontos estratégicos com armadilhas para os mosquitos (ovitrampas), bloqueio de transmissão, mutirões de limpeza em áreas críticas, programas educativos nas escolas, bloqueio e pente-fino em áreas com transmissão de zika, chikungunya e dengue.

BEBÊ MORRE NO NORTE DE MINAS

Enquanto isso, Minas Gerais registra mais uma morte de paciente com sintomas da dengue, desta vez hemorrágica.  A vítima é um menino de 8 meses, cujo óbito ocorreu na quarta-feira e foi confirmado ontem pelo pelo Hospital Universitário Clemente de Faria, em Montes Claros, onde a vítima foi atendida. A instituição, vinculada à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), informou que encaminhou material para exames laboratoriais na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, visando à investigação. O resultado das análises sairá dentro de 30 dias.  A criança era natural de São João da Ponte, cidade de 30,3 mil habitantes na mesma região. Ontem, foi decretado ponto facultativo nas repartições municipais da cidade e luto oficial por três dias, tendo em vista que o menino era filho do contador da prefeitura.

Até 22 de março, Minas contabilizava 140.754 casos prováveis de dengue – que englobam diagnósticos confirmados e suspeitos – e 14 mortes comprovadas causadas pelo vírus da dengue, além de 57 sob investigação. O secretário de Saúde de São João da Ponte, Marcos Paulo Campos Costa, disse que as chuvas no início do ano intercaladas com dias de temperaturas altas (características da região) provocaram o aumento da proliferação do mosquito Aedes aegypti no município. Ele disse ainda está fazendo um balanço do número de casos notificados da enfermidade na cidade.

O secretário informou ainda que o Executivo municipal adotou “todas as providências”, mobilizando os seus 24 agentes de saúde para o combate à dengue na cidade. Além disso, realizou mutirão de limpeza e a orientação aos moradores para eliminar os focos do mosquito transmissor, com a distribuição de panfletos e uso de serviço de som nas ruas. Por outro lado, Marcos Paulo revelou que a Prefeitura de São João da Ponte solicitou da Secretaria de Estado de Saúde (SES) o envio para a cidade do inseticida Ultrabaixo Volume (UVB), o “fumacê”, para reforçar as ações preventivas e de combate à dengue na cidade. No entanto, até ontem não havia recebido o produto.


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