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Estado de Minas

Saiba como crianças de todo o Brasil ajudam bombeiros em Brumadinho

Após 72 dias de trabalho, bombeiros seguem a todo vapor nas buscas por vítimas em Brumadinho e conta com o carinho das crianças. Caminhonete foi encontrada com três corpos


postado em 06/04/2019 06:00 / atualizado em 06/04/2019 08:07

São 131 militares, sendo oito de outros estados, 107 máquinas e cinco cachorros que procuram por desaparecidos na região devastada pelo mar de lama(foto: Gladyston Rodrigues/E.M/D.A Press )
São 131 militares, sendo oito de outros estados, 107 máquinas e cinco cachorros que procuram por desaparecidos na região devastada pelo mar de lama (foto: Gladyston Rodrigues/E.M/D.A Press )


As máquinas estão a todo vapor. Hoje completam 72 dias desde que a barragem da Vale se rompeu e devastou o Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ainda são mais de 70 pessoas desaparecidas e o Corpo de Bombeiros trabalha para que todos os corpos sejam encontrados. Não, não há prazo para que as buscas sejam interrompidas. Todos os dias corpos são encontrados. Inclusive, na última terça-feira, uma caminhonete foi achada entre os destroços com três pessoas dentro. Haja força para continuar depois de tantos dias. E é o mural com diversas cartas escritas e desenhadas por crianças de todo o Brasil que dão gás para que dezenas de militares continuem com os trabalhos.

São 131 bombeiros – sendo oito de outros estados –, 107 máquinas e cinco cachorros que trabalham em 24 frentes de atuação. E foi na região 9, mais conhecida como a área de embarque de minério, que o trio foi localizado na terça-feira. No início da semana, eles encontraram indícios de um veículo soterrado, em baixo de um vagão retorcido. Tratava-se de um carro do modelo Duster, da Renault, que os bombeiros procuravam por quatro pessoas que trabalhavam em uma empresa terceirizada da Vale. “São dois homens e uma mulher. Mas temos informação de uma quarta pessoa que estava junto. Vamos continuar procurando”, disse a capitã Thaise Rocha, do Corpo de Bombeiros. Foi preciso escavar cerca de 10 metros para achá-los. Todos foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal (IML) e já foram identificados. Ontem, o Estado de Minas esteve até o local onde os trabalhos continuem interruptamente com o maquinário pesado. 


Os animais continuam como fundamentais os trabalhos. Nesta etapa, até 80% dos segmentos encontrados foram por conta do trabalho conjunto do homem e do cão. Porém, agora, eles são chamados apenas quando há um indício de corpo no local. Também atuam na área de descarte – para onde a terra é retirada. “Nesta etapa, nós estamos achando mais segmentos corpóreos. Todos os dias são encontrados. Alguns (dias) mais, outros menos”, explicou a capitã. O estado em que os corpos ou os segmentos são descobertos ainda ajuda para que os outros desaparecidos sejam localizados. “O minério ajuda na conservação dos corpos. Mas tudo depende do ponto onde está sendo trabalhado por conta da água, do oxigênio, da pressão onde se localiza”, acrescentou.

Área onde o veículo foi achado com três pessoas - dois homens e uma mulher - é conhecida como região 9(foto: Gladyston Rodrigues/E.M/D.A Press )
Área onde o veículo foi achado com três pessoas - dois homens e uma mulher - é conhecida como região 9 (foto: Gladyston Rodrigues/E.M/D.A Press )


SÍMBOLO E ESPERANÇA Em um dos postos de operações dos bombeiros em Brumadinho, uma bandeira do Brasil encontrada nas primeiras semanas de trabalho chama a atenção no meio da sala. “Essa bandeira virou o símbolo da nossa operação”, contou a capitã. Do lado de fora, um varal com cartas aos militares: “Obrigado, bombeiros, por ajudar as famílias de Brumadinho. Vocês são nossos heróis”, dizia uma delas, escrita em um papel laranja com um belo desenho de um militar retirando uma pessoa do mar de lama.

Logo ao lado, mais um recado motivador: “O trabalho de vocês é uma dádiva de Deus. Vocês têm muito trabalho pela frente, mas podem ter certeza que Jesus também vai trabalhar na vida de você.” São centenas de papeis espalhados em varais improvisados que emocionam muitos militares, que acordam cedo para recomeçar os trabalhos. E é isso que dá gás aos bombeiros que, apesar de cansados, se mostram dispostos nas buscas até que o último corpo seja encontrado.

“Isso nos faz sentir especiais. É muito especial receber todo esse carinho de crianças de todo o Brasil e compreensão das pessoas que entendem como isso trabalho é difícil. São centenas de cartas que recebemos por dia”, contou com o tenente Lucas Alves, que está nos trabalhos desde as primeiras horas após o rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em 25 de janeiro, que deixou até agora 223 mortos e 70 desaparecidos. Todos os dias ele para um pouco para ler os recados. Ele, que tem um filho de 12 anos, olha para o painel e se lembra dele: “Eu, que sou pai, me sento muito enaltecido.”


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