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Estado de Minas

Bombeiro foi transferido após alerta sobre risco em barragem de Congonhas

Oficial havia relatado ao Estado de Minas preocupação com a segurança de moradores que vivem abaixo da barragem de rejeitos da CSN


postado em 13/03/2019 06:00 / atualizado em 13/03/2019 07:50

Represa de enormes proporções se ergue a poucas centenas de metros dos primeiros quarteirões residenciais(foto: Túlio Santos/EM/DA Press)
Represa de enormes proporções se ergue a poucas centenas de metros dos primeiros quarteirões residenciais (foto: Túlio Santos/EM/DA Press)


Riscos e alertas relacionados à Barragem Casa de Pedra, em Congonhas vêm sendo denunciados em sucessivas reportagens do Estado de Minas. Em novembro de 2017, medida que parecia ser a primeira efetivamente tomada em caso de colapso era mais um sinal de alerta. No início daquele mês, o governo do estado organizou sigilosamente um grupo de ação emergencial, formado especialmente pelos Bombeiros, Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) e Polícia Militar, para se antecipar em caso de necessidade de evacuação da área abaixo da represa. Porém, até hoje, a única providência relativa às preocupação ligadas à operação do reservatório havia sido a transferência do comandante local dos bombeiros, que falou claramente sobre o temor representado pela estrutura – alerta que se agora revela mais que fundamentado.

Desde 2016, o empreendimento da CSN, segundo auditorias apresentadas pelo Centro de Apoio Técnico do Ministério Público, luta contra o aparecimento de surgências, que a grosso modo, seriam infiltrações na estrutura dos maciços do conjunto de barragens. Em 11 de novembro, dois dias depois de o EM revelar o plano de emergência do governo, ofício assinado pelo comando do Corpo de Bombeiros afastava o capitão Ronaldo Rosa de Lima, que respondia pela cidade.

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)
Na véspera, o oficial havia relatado preocupação com a segurança de moradores que vivem abaixo da barragem de rejeitos da CSN. O comando-geral da corporação, na época, negou relação da remoção com as declarações, dizendo tratar-se de “assunto interno”. Alegou ainda que as transferências na corporação são feitas semanalmente e classificou como “normal, natural e corriqueiro” o episódio.

E não apenas a Casa de Pedra inspira preocupação. Não à toa, a cidade dos Profetas é também a cidade do medo. Ela é cercada por outras 23 barragens. No total, são 23 represas de rejeitos de mineração – incluindo Casa de Pedra – e uma de água, distribuídas entre Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Vale, Gerdau e Ferrous. Todas estão incluídas na categoria de risco baixo, mas 13 têm potencial associado considerado alto. O risco mede os níveis de problema que cada estrutura tem, incluindo a probabilidade de ruptura. Já o potencial associado indica os danos (ambientais, sociais e econômicos) que podem ocorrer em caso de desastre. Sete barragens têm potencial médio e o restante, baixo.

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