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Estado de Minas

Motorista de Uber assassinado pensava em deixar de trabalhar com o aplicativo

Luiz Gustavo de Assis, de 31 anos, estava desaparecido desde a noite de sexta-feira, quando aceitou uma viagem. Corpo foi encontrado no Rio Paraopeba. Menores confessaram crime. A família conta que ele teria procurado emprego em uma empresa de ônibus que forneceu informações para ajudar nas buscas


postado em 05/03/2019 06:00 / atualizado em 05/03/2019 10:47

Luiz Gustavo, que procurava emprego pra deixar de trabalhar no aplicativo, foi morto por ter reconhecido um dos assaltantes (foto: Álbum de família)
Luiz Gustavo, que procurava emprego pra deixar de trabalhar no aplicativo, foi morto por ter reconhecido um dos assaltantes (foto: Álbum de família)


Foi sepultado ontem, em Lamim, na Zona da Mata mineira, a 161 quilômetros de Belo Horizonte, o corpo do motorista de Uber encontrado pela manhã no Rio Paraopeba. Luiz Gustavo de Assis, de 31 anos, estava desaparecido desde a noite de sexta-feira, quando aceitou sua segunda e última viagem. Ele foi morto de maneira cruel num assalto cometido, segundo as investigações, por três adolescentes – um de 14 e dois de 16 anos. Depois de ser torturado, ele foi amarrado e jogado dentro do rio, na cidade de Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O motivo: teria reconhecido um dos assaltantes. Desempregado, Luiz procurava serviço para deixar o trabalho no aplicativo.

O último contato com a família foi às 22h10, quando mandou um áudio para a mulher dizendo que estava entre São Joaquim de Bicas e Igarapé, também na Grande BH, indo para sua segunda corrida. A chamada vinha do Bairro Miritis, em Igarapé, região onde ele morava. De acordo com a Polícia Civil, o trio teria entrado no carro e anunciado o assalto. Policiais contaram à família que, em depoimento, um dos adolescentes disse que Luiz Gustavo falou que o conhecia e teria questionado o motivo de fazer aquilo – provavelmente acreditando que por conhecê-lo, desistiria do crime. “Foi a sentença de morte dele”, afirma a cunhada Elaine Cristina Sotero, de 36.

 

 



A mulher de Luiz tem um aplicativo por meio do qual ela conseguia ver em tempo real os deslocamentos do marido. “Ele dava notícia o tempo inteiro. À 1h30, ela acordou assustada, pois meu cunhado ainda não tinha chegado e verificou que, às 23h, o carro ainda estava no mesmo lugar. Os assaltantes desligaram o celular dele, numa corrida que durou, exatamente, 1 min40. Entraram e já finalizaram a corrida”, relata.

No sábado pela manhã, amigos da Uber e familiares começaram as buscas ao redor da última localização. “O carro foi encontrado por volta das 9h30, na Rua Cruzeiro, no local conhecido Retiro dos Padres. Não havia sangue, apenas vestígio de pés no assoalho da parte traseira e do banco do passageiro. “Nessa hora, tivemos a certeza de que alguém o havia levado”, diz Elaine. “Fui a uma empresa de ônibus perto dali, pedi para ver as imagens da câmera, e a pessoa que me atendeu reconheceu meu cunhado, dizendo que ele tinha ido pedir emprego na semana passada. Ela queria muito sair da Uber”, lembra.

Depois de acionar o registro da última viagem, a polícia localizou aos suspeitos. O adolescente de 14 anos levou a polícia até o local onde o carro foi encontrado, onde matou e onde deixou o corpo, que foi avistado na manhã de ontem boiando no Paraopeba, em Juatuba, numa barreira de contenção de rejeitos instalada pela Vale. O Corpo de Bombeiros suspeitou de que, pelas caraterísticas e circunstâncias, não havia relação com o acidente da barragem, e deveria ser decorrente de crime violento já em investigação. O corpo de Luiz tinha perfuração e suas mãos estavam amarradas. A perícia constatou, inicialmente, lesões no pescoço e sinais de espancamento.

Por meio de nota, a Uber informou que lamenta o ocorrido e que presta solidariedade à família do motorista "A empresa está à disposição para colaborar com as investigações, na forma da lei, e esperamos que as autoridades tragam o responsável à justiça o mais rápido possível", informou o texto.

 

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