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Estado de Minas

Presidente da CNBB diz que Igreja fará discussão para mudanças na legislação de mineração

O pronunciamento foi feito em Brumadinho, onde, no dia 25 de janeiro, a barragem da Vale se rompeu. Ao todo, 165 pessoas morreram e 155 estão desaparecidas


postado em 12/02/2019 17:35 / atualizado em 12/02/2019 18:42

(foto: Marcos Aurélio Jr/ Arquidiocese de BH)
(foto: Marcos Aurélio Jr/ Arquidiocese de BH)

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Sergio da Rocha, foi a Brumadinho nesta terça-feira para conversar com famílias afetadas pelo rompimento da barragem da Vale. Acompanho do arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, ele afirmou que a igreja pretende discutir propostas de mudança na Legislação para evitar que tragédias como essas voltem a ocorrer pelo Brasil. 

Segundo ele, infelizmente, não foi possível aprender com as ocorrências anteriores, como o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, há três anos. 

"Nós estamos, neste momento, no diálogo, tentando identificar as ações. E dizer que vamos intensificar o grupo de trabalho da mineração, para poder melhorar a legislação brasileira para evitar situações como essas e poder preservar a natureza e as pessoas", afirmou. 

Ainda segundo ele, essa ação deve ocorrer ajuda dos órgãos públicos. Perguntando se poderia surgir daí uma possível proposta de lei de iniciativa popular sobre o assunto, nos moldes da campanha que resultou na lei da ficha limpa e foi encabeçada pela igreja católica a época, junto a outras entidades, Dom Sergio não descartou, mas disse que todas as medidas serão feitas a luz do diálogo. 

"O que está ao alcance da igreja no Brasil será feito. Estamos juntando esforços para a defesa dessa nossa casa que é o meio ambiente e as famílias que vivem nele", disse. 

Na mesma linha, Dom Walmor afirmou que a arquidiocese faz um esforço para haja uma mobilização da sociedade para que Minas e o Brasil não sigam sofrendo com tragédias com as provocadas pela Vale, em Brumadinho. "Nossa esperança é todos os segmentos da sociedade se abram a isso", disse. 
 
(foto: Marcos Aurélio Jr/ Arquidiocese de BH)
(foto: Marcos Aurélio Jr/ Arquidiocese de BH)


O pároco da igreja de São Sebastião, no Centro de Brumadinho, onde foi realizada a celebração, o pároco, Padre Renê, voltou a dizer que a tragédia, a medida que o tempo passa, não diminui o sofrimento das pessoas da  cidade. "Meu sentimento é o mesmo e eu ainda não consigo descrevê-lo", afirmou, relembrando das pessoas da comunidade que morreram, ou dos que perderam familiares e amigos, alguns ainda seguem desaparecidos. 

Em nome da comunidade, o padre entregou a Dom Sergio um colete com a mensagem "unidos por Brumadinho" que deve ser entregue ao Papa Francisco na próxima semana, em encontro do presidente da CNBB terá com ele.

Durante o momento de oração, conduzido por Dom Sergio, uma das famílias afetadas pela tragédia deu o depoimento emocionado. Os pais e a irmã de Gustavo Andrade Xavier, morto no rompimento, emocionados, relataram a angustia de ter um familiar nessa situação.

Segundo Mário Antônio Xavier, de 58 anos, o filho dele não foi morto em uma fatalidade. "Não foi Deus que fez isso, mas a ganância do homem por dinheiro e poder", afirmou.  Mário ainda contou aos religiosos que espera que os culpados sejam apontados para que novas situações não voltem a ocorrer. 


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