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Estado de Minas

Mineradoras adotam medidas para que Itatiaiuçu e Barão de Cocais voltem à 'vida normal'

Moradores de comunidades das duas cidades tiveram que deixar suas casas na última sexta-feira após alertas de risco de barragens


postado em 11/02/2019 06:00 / atualizado em 11/02/2019 08:54



Retomar a rotina é um desafio difícil diante de tanto medo e incerteza. Hoje é o primeiro dia útil após a madrugada temerosa em que as sirenes foram tocadas em comunidades de Itatiaiuçu (Grande BH) e Barão de Cocais (Região Central) fazendo com que centenas de pessoas deixassem suas casas apenas com a roupa do corpo, temerosas de que a tragédia de Brumadinho se repetisse. Os moradores de comunidades de Itatiaiuçu que saíram de casa após avaliação de riscos da barragem Serra Azul e estão em hotéis em Itaúna (Centro-Oeste) terão transporte garantido. Serão 10 ônibus e três microônibus partindo a cada 30 minutos para levar crianças, adolescentes e jovens para creches, escolas e universidades da região.

Em Barão de Cocais, a Vale também se comprometeu a fornecer transporte para que crianças e adolescentes que estão hospedadas em hotéis e em casa de parentes possam frequentar as aulas – a rede pública ainda não iniciou o ano letivo. As escolas serão procuradas para esclarecimentos de dúvidas sobre procedimentos de segurança relacionados à barragem Sul Superior da Mina de Gongo Soco.

Cerca de 500 pessoas deixaram suas casas na madrugada de sexta-feira após o acionamento dos sinais sonoros de emergência. Um áudio em alto-falantes instalados na cidade alertava para o risco de rompimento da barragem. Numa escala crescente de 1 a 3 de risco, o maciço da Vale subiu do nível 1 para o nível 2. As medidas, segundo a Vale, fazem parte do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM). De acordo com o último balanço divulgado pela empresa, 284 pessoas estão em hotéis e 208 na casa de familiares.

Ontem, um novo episódio poderia terminar com a incerteza: uma nova inspeção na barragem da Mina de Gongo Soco para avaliação da estabilidade. Ele foi feita por uma consultoria internacional especializada e acompanhada pela Agência Nacional de Mineração. Mas os prazos para o laudo não são claros. “Assim que o laudo for emitido – não temos grandes expectativas que saia hoje (ontem) ou amanhã  (hoje) –, os órgãos públicos adotarão as medidas necessárias”, informou o major da Defesa Civil Eduardo Lopes. A corporação informou que o nível 2 de emergência e de evacuação das áreas de risco estão mantidos até que sejam concluídas as analises de estabilidade da barragem.

A Vale informa que , como medida de segurança, está intensificando as inspeções. Elas estão sendo feitas por profissionais especializados, 24 horas por dia. As últimas verificações, de acordo com a empresa, não detectaram anomalia.

Pacata Barão de Cocais ainda está longe de retornar ao ritmo normal, já que muitas famílias continuam abrigadas em hotéis(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Pacata Barão de Cocais ainda está longe de retornar ao ritmo normal, já que muitas famílias continuam abrigadas em hotéis (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)


OS ANIMAIS Como se não bastasse ter que deixar as casas às pressas durante a madrugada em razão do risco de rompimento, várias famílias deixaram para trás seus animais de estimação. Para a identificação dos mesmos, elas preencheram um cadastro. A grande preocupação é que havia mais de 24 horas que os bichos não comiam. No fim de semana, cerca de 1.500 deles (cães, gatos, aves, porcos, cavalos e bois) foram alimentados. A ação foi desempenhada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-MG), ao lado da Defesa Civil da cidade e da Vale.

Segundo o conselho regional, a equipe da Brigada Animal que atua em Barão de Cocais é composta por voluntários com experiência e capacidade técnica para agir em ocasiões de desastres ambientais. A médica veterinária Carla Sassi, que coordena os trabalhos com o médico Thauan Carraro, falou sobre a importância das ações: “O risco é real e não tem previsão de os moradores retornarem para suas residências. Estamos aqui tanto pelos animais quanto por seus tutores, pois as circunstâncias inviabilizaram que eles pudessem levá-los”. Caso haja necessidade de remoção, esses animais serão levados para uma fazenda alugada pela Vale, que já está apta ao acolhimento. Também foram contratadas duas clínicas veterinárias. (Com agências)

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