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Estado de Minas

Lama da Vale corre rumo a Três Marias sem definição de como detê-la

Uma das possibilidades de barrar a pluma ou onda de rejeitos de minério está na Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo


postado em 08/02/2019 06:00 / atualizado em 08/02/2019 10:17

Bombeiros trabalham na água barrenta que tomou conta do Paraopeba: passados 15 dias, muito monitoramento e poucas decisões(foto: Juarez Rodrigues/Em/DA Press)
Bombeiros trabalham na água barrenta que tomou conta do Paraopeba: passados 15 dias, muito monitoramento e poucas decisões (foto: Juarez Rodrigues/Em/DA Press)


O rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, completa hoje duas semanas e ainda não há definição por parte das autoridades federais ou estaduais sobre a melhor forma de conter a lama de rejeito de minério vazada do empreendimento da Vale e, assim, impedir a chegada ao Rio São Francisco. “Estamos muito preocupados e há uma grande ansiedade em todo o Nordeste. O poder público deve usar a tecnologia mais avançada do mundo para resolver esse problema sério, e a Vale tem que pagar”, disse, ontem, o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda. Ele já está em Alagoas, estado natal, depois de passar 10 dias em Minas acompanhando o triste episódio de Brumadinho e se reunindo com lideranças municipais, produtores e ambientalistas.

Uma das possibilidades de barrar a pluma ou onda de rejeitos de minério está na Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo, administrada pelo consórcio Furnas, Cemig e Orteng e localizada entre Pompéu e Curvelo, na Região Central de Minas. O fechamento das comportas seria uma forma de impedir o prosseguimento dos resíduos. “O pior é que não há informações detalhadas e fidedignas sobre a chegada da lama à usina, causando mais desconforto entre a população, principalmente quem vive da pesca artesanal e da piscicultura”, destacou Miranda.

Para o presidente do CBHSF, tudo é uma questão de tempo. “Ainda há tempo de impedir que haja contaminação do Lago de Três Marias e do Rio São Francisco. Basta que sejam tomadas as medidas necessárias”, afirmou. Durante encontro no dia 4, em Felixlândia, uma das sugestões apresentadas pelo presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, Winston Caetano de Souza, foi que a Petrobras oferecesse equipamentos eficazes. “Está tudo muito lento”, afirma Miranda.

AVANÇO Em nota, a Agência Nacional de Águas (ANA) informou, ontem, que a água com rejeitos do rompimento da barragem avançou pouco mais de 130 quilômetros e está a cerca de 200 quilômetros do reservatório de Três Marias, e não há certeza se os rejeitos chegarão ao Rio São Francisco, onde fica a barragem. Segundo os técnicos, ainda não é possível falar sobre as consequências ou se os rejeitos vão atingir Três Marias e levar impacto aos usuários de recursos hídricos.

No texto, a ANA informa que o mapeamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) mostra que o ponto mais a jusante do Rio Paraopeba onde foram identificadas alterações do parâmetro turbidez se localiza no município de São José da Varginha. O local se encontra a cerca de 200 quilômetros do início do reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias. “Todavia, com a ocorrência de chuvas, poderão ser registradas alterações no comportamento até agora observado, em decorrência da lavagem e de novos aportes de rejeitos localizados na própria barragem e na bacia de drenagem localizada a jusante do local do rompimento”, diz a nota.

Após o rompimento, os rejeitos da barragem seguiram por um córrego afluente do Paraopeba, que, por sua vez, deságua no São Francisco no reservatório de Três Marias, localizado a 331 quilômetros da barragem rompida. De acordo com a nota, “a ausência de chuvas significativas nos primeiros dias após o rompimento da barragem, no dia 25, colaborou para a baixa velocidade de propagação da frente de sedimentos e para sua deposição no leito do Paraopeba”. De acordo com a agência reguladora, trata-se de um desastre complexo, que precisa ser monitorado ao longo dos dias para avaliar todos os desdobramentos para a bacia hidrográfica. “O acompanhamento do desenvolvimento do processo no Paraopeba, particularmente nas usinas termelétricas Igarapé e Retiro Baixo, será de extrema importância para elaborar previsões sobre o comportamento do fenômeno”, continua a nota.

MONITORAMENTO A direção da ANA informou ainda que o monitoramento em curso no Paraopeba “será mantido, intensificado e estendido ou adaptado, sempre que necessário, para acompanhar sua evolução ao longo do Rio Paraopeba e, eventualmente, no reservatório de Três Marias”. No último dia 31, as análises de monitoramento da qualidade da água no Rio Paraopeba feitas pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas mostraram que ela está imprópria e apresenta risco à saúde humana e animal.

Também em nota, os técnicos da Retiro Baixo Energética informam que têm monitorado os possíveis cenários, estando a UHE preparada para fazer as manobras de emergência necessárias. “Em caso de paralisação da geração, o nível de água na barragem da Usina Retiro Baixo será controlado pelo vertedouro, conforme condições de segurança do empreendimento”.


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