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Estado de Minas

Grupo se mobiliza para buscar reparação às vítimas da tragédia em Brumadinho

Movimento Eu luto - Brumadinho quer fazer a ponte entre vítimas e familiares de mortos e desaparecidos com o poder público e a Vale e buscar a reparação de danos ambientais e outros direitos


postado em 06/02/2019 06:00 / atualizado em 06/02/2019 09:01

A preocupação maior do grupo é minimizar o sofrimento das famílias atingidas, mas também prestar apoio para enfrentamento das consequências desse evento(foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
A preocupação maior do grupo é minimizar o sofrimento das famílias atingidas, mas também prestar apoio para enfrentamento das consequências desse evento (foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)


Organizações não governamentais, entidades locais e moradores de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), se uniram para dar apoio aos atingidos pelo rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão. A ideia do movimento Eu luto – Brumadinho vive é fazer a ponte entre vítimas e familiares de mortos e desaparecidos com o poder público e a Vale e buscar a reparação de danos ambientais, cíveis e trabalhistas, assim como a responsabilização criminal pela tragédia. O plano de ação terá como base a análise de medidas judiciais e administrativas do caso da represa de Fundão, em Mariana, na Região Central do estado. Outro objetivo é evitar a violação de mais direitos no município.


Estudante de mestrado de direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Beatriz Vignolo, representante da ONG Abrace a Serra da Moeda e integrante do movimento, diz que antes mesmo de a tragédia ocorrer na região onde vive, em seus estudos identificou um dos principais problemas do caso de Fundão. “O grande problema enfrentado pelos moradores no desenrolar do crime de Mariana foi a ausência de protagonismo dos atingidos. Outras entidades se apropriaram de questões sem entender como se dá o território”, afirma.


O grupo foi constituído em forma de rede de apoio a curto, médio e longo prazo para assessorar as famílias atingidas nas áreas psicológica, social e jurídica. Também vai cuidar de questões relacionadas ao meio ambiente e à salvaguarda das histórias e memórias das comunidades atingidas.Grupos temáticos também estão sendo formados para dar esse suporte nas áreas de tecnologia e meio ambiente, educação, comunicação e memórias. O Eu luto – Brumadinho vive tem a assessoria do Pólos de Cidadania (Programa de Extensão, Ensino e Pesquisa da UFMG) e por membros da PUC Minas (Programa de Pós-Graduação em Administração).

Ver galeria . 22 Fotos Novas fotos aéreas mostram situação na região atingida pelos rejeitos da barragem da Vale em Brumadinho, na Grande BH, na segunda semana após o desastreCorpo de Bombeiros/Divulgação
Novas fotos aéreas mostram situação na região atingida pelos rejeitos da barragem da Vale em Brumadinho, na Grande BH, na segunda semana após o desastre (foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )


Reuniões estão sendo feitas com a comunidade. Na próxima, domingo, um dos assuntos a ser discutido tem a ver com os trâmites jurídicos e notariais dos atestados de óbito, além dos caminhos para o julgamento da Vale. “Não queremos um acordão, como o que foi feito à revelia do Ministério Público e da sociedade civil, quando criaram a Renova, que não tem representatividade dos atingidos de Mariana”, ressalta. A Fundação Renova foi criada para executar a reparação dos danos provocados pelo rompimento da Barragem de Fundão.


A preocupação maior do grupo é minimizar o sofrimento das famílias atingidas, mas também prestar apoio para enfrentamento das consequências desse evento. “A experiência de Mariana evidenciou que a estratégia da empresa para minimizar seus prejuízos foi fundada na falta de protagonismo dos atingidos nos processos de resolução do conflito, com a desestruturação de laços comunitários e familiares, com isolamento e fragmentação e inclusive criminalização de lideranças comunitárias. A situação, que já era alarmante, agravou-se com a criação da Fundação Renova, pois afastou do diálogo para solução do conflito os atingidos. O próprio conceito de atingido foi desconstruído pela empresa, com intuito de reduzir os custos com indenizações.”


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