Publicidade

Estado de Minas

'Alguns corpos infelizmente não serão possíveis de ser recuperados', afirma porta-voz dos bombeiros

Com o avançar dos dias, a localização fica mais difícil e a logística para um resgate é muito mais difícil e demorada, mas destacou que os trabalhos vão continuar


postado em 04/02/2019 11:45 / atualizado em 04/02/2019 13:49

'Em Mariana, que teve número muito menor de corpos, ficamos três meses e aqui a gente pretende operar por esse tempo. A gente só vai parar quando for impossível fazer um resgate de corpos
'Em Mariana, que teve número muito menor de corpos, ficamos três meses e aqui a gente pretende operar por esse tempo. A gente só vai parar quando for impossível fazer um resgate de corpos", disse o militar nesta segunda (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 02/02/2019)


O porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, tenente Pedro Aihara, admitiu na manhã desta segunda-feira (4) que alguns corpos das vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho nunca serão encontrados.  

De acordo com Aihara, chega um momento em que pela situação de decomposição dos corpos vai ser difícil localizá-los. Questionado se haveria a possibilidade de algumas das vítimas nunca serem encontradas, o tenente afirmou que essa hipótese é vislumbrada pelos bombeiros. 

"Em situações deste tipo, que a gente tem estrutura colapsada e lama, já é esperado que a totalidade dos corpos não seja encontrada. Então, a gente trabalha o mais rápido possível para poder ser efetivo e encontrar o maior número. Só que evidentemente, pela característica da tragédia e pela situação biológica de decomposição, alguns corpos a gente estima que, infelizmente, não serão possíveis de ser recuperados. Que seja o menor número possível", avalia.

De acordo com o tenente, já era esperada uma redução no número de corpos a serem encontrados por dia. Isso porque em um primeiro momento são encontrados aqueles que estão em níveis mais superficiais da lama. "Essa recuperação é muito mais fácil de acontecer, tanto pelo ponto de vista de esses corpos serem achados com mais facilidade, quanto do ponto de vista de retirada deles".  

De acordo com o tenente, com o avançar dos dias, além de ser mais complicada a localização, a logística para um resgate é muito mais difícil e demorada. No estágio atual, para cada novo corpo é preciso fazer um trabalho de escoramento do local e um meticuloso manuseio para não  atrapalhar a identificação posterior pelo Instituto Médico Legal (IML). "Questão de quantidade de corpos vai diminuir mesmo. Com relação a tempo de operação, vai durar meses certamente. Em Mariana, que teve um número muito menor de corpos, ficamos três meses e aqui a gente pretende operar por esse tempo. A gente só vai parar quando for impossível fazer um resgate de corpos ", disse Aihara.

Até esta manhã, 134 corpos haviam sido resgatados e 199 pessoas estavam desaparecidas em Brumadinho. Em Mariana, onde a Barragem do Fundão se rompeu em novembro de 2015, foram 19 mortos sendo que um dos corpos nunca foi encontrado.


Publicidade